1 comentário

Waikayu – Telhado

Cobrindo a casa: forro e telhas

Como mostramos na postagem anterior, a estrutura da casa estando pronta, as linhas do telhado e caibros fixados, chegou a hora de fechar a cobertura.

Nos cursos de Permacultura, falamos sempre dos  3 “C”s – Contexto, conceito, conteúdo… Explicando melhor:

– Contexto- é o que norteia suas ações e decisões… Onde está, quais os princípios éticos que vai seguir, quem você é? No caso do telhado: estamos no planalto catarinense, lugar com temperaturas frias no inverno e quentes no verão,  queremos uma obra ambientalmente coerente com o que a permacultura propõe.

– Conceito- os princípios mais detalhados, ou seja, o por que vais fazer algo de uma ou outra forma. Neste caso do telhado nossos conceitos são: segurança, conforto térmico, pouco impacto ambiental, possibilidade de se coletar água de chuva, funcional, duradouro, simples e bonito.

– Conteúdo- aqui entram as técnicas e materiais que são muitos, variados e fáceis de se achar na internet. Tipos de mantas isolantes e telhas. Ou mesmo a discussão sobre o teto verde.

A decisão sobre que telhado fazer e qual material usar, seguiu esta reflexão, e a nossa escolha foi:  forro de madeira grossa de 1 polegada, uma manta isolante de alumínio, ripas de madeira formando um colchão de ar entre esta manta e finalmente a tradicional telha de barro cozida- simples, sem esmalte nem outro produto.

WP_20140907_001

Para o forro usamos madeiras de 1 polegada, que na região de Cerrito, são usadas para assoalhos. Cada tábua foi tratada com óleo de linhaça antes de subir. Isto gerou muita piada por parte do Juliano e dos meninos da obra, diziam que era o piso do teto do Jorge e da Suzana… Até que no dia 13 de outubro de 2014, uma tempestade de granizo varreu a região, afetando alguns bairros de Cerrito e quebrando seriamente 60% dos telhados da cidade de Lages. A partir dai, passou a fazer sentido para todos um forro destas dimensões… O quesito SEGURANÇA foi amplamente reconhecido.

Sobre este forro colocamos ripas de 2 x 2 polegadas, seguindo os caibros e sobre elas, acompanhando todo o desenho do teto, uma manta térmica de alumínio, que garante o conforto térmico, e ainda faça com que, se uma telha se quebrar, ou água entrar numa chuva de vento, ela não passe para a madeira e não caia na casa.

WP_20140923_004

Sobre este telhado prateado, colocamos as ripas que sustentam as telhas de barro. Assim, entre a manta e as telhas, formou-se um pequeno colchão de ar, que possibilita a circulação de ar e um melhor isolamento térmico, tanto para o inverno, como para o verão, já que o ar não é um bom condutor de calor.

WP_20140923_002

Nosso telhado tem quatro água, sendo que para o leste, a cumeeira é estendida, formando uma mansarda com duas janelas- uma na sala e outra no quarto do casal. Estas janelas tem pelo menos duas funções: iluminar o meio destes cômodos, e no verão, como podem ser abertas, dar vazão à bolha de ar quente que ali se concentra (lembrando que o ar quente sobe!)…

WP_20140920_002

Cumeeira feita, hora de celebrar uma grande etapa concluida!  Com o telhado colocado, antes das chuvas de primavera e verão, possibilitamos que a obra seguisse nestas estações. Agora é tocar as paredes! Mas isto virá em outro post!

WP_20140923_006

 

Continue lendo »

4 Comentários

Estrutura da casa de Waikayu

Estrutura em madeira

O projeto da casa mãe de Waikayu priorizou materiais locais,  como terra, pedra, e madeira. Com isso, optamos por uma casa de alicerece ciclópeo, estrutura de madeira e paredes de terra crua e palha. Um estilo da arquitetura vernácula em Santa Catarina, são as casas enxaimel, feitas principalmente nas áreas colonizadas por alemães, como mostra a foto abaixo. Assim, nosso projeto foi ganhando forma, texturas, design: seria uma casa enxaimel.

 

Tínhamos a possibilidade de comprar de um amigo, madeiras de área que seriam alagadas por uma das PCHs (pequena central hidrelétrica) que foram feitas na região de São José do Cerrito. Assim, decidimos comprar estas madeiras, araucárias, pinheiro bravo, bugreiros, etc.  Madeiras boas, que foram cortadas e desdobradas nas medidas que queríamos, para depois ficar estaleiradas secando por um ano. Agora com os alicerces prontos, passamos à estrutura.

 

DSCN1729

Os pilares centrais são grandes peças de brugreiro “in natura”, isto é, a árvore com todas as suas imperfeições,  uma madeira local forte e com um cerne duríssimo. Como estas madeiras ficaram no campo por muito tempo, algumas tiveram , apenas no brancal, alguns bichos, como mamangabas, formiguinhas, etc.

DSCN1871

Levantada na casa, elas ficaram umas semanas secando toda a umidade que ainda poderiam ter na superfície. Depois retiramos os brancais afetados, com um machadinho e também com escova de aço.  Também passamos um secador industrial, que sopra ar a 300°C, que limpava e eliminava qualquer bichinho que ainda estivesse ali.

DSCN1875

Nos encontros de paredes usamos peças roliças também de bugreiro. Já as demais peças de madeira são tábuas de 6 por 15cm, que será a largura das paredes. Assim como em Yvy Porã, os batentes de portas e janelas fazem parte das estruturas da casa e vão formando o enchaimel. Lembrando que cada uma destas madeiras roliças, é colocada sobre o alicerece que tem um ferro, que faz com que este pilar não possa se deslocar lateralmente.

DSCN1730

A cada vão de, no máximo 3m, são colocadas madeiras desta mesma bitola para contraventar, fazendo triângulos., que fazem com que a estrutura fique estável. Mas como ir levantando e estabilizando um “paliteiro”? Optamos por fazer as paredes dos banheiros e da cozinha em tijolos maciços, assim, a estrutura toda em madeira, teria , pelo menos duas áreas firmes, uma de cada lado da casa, para se apoiar, até que o telhado e os contraventos estivessem prontos.

DSCN1726

As paredes de tijolos tem também pilares estruturados em cada encontro de paredes. Estes pilares levam dentro um ferro que vem desde o alicerce e vai amarrado nos caibros do telhado.

DSCN1728

Amarrando todos os pilares vai uma cinta de madeira, e sobre esta os caibros do telhado, que terminam de estruturar a construção. Mas isto é conversa para outra postagem!

DSCN1748

Continue lendo »

2 Comentários

Alicerces de Waikayu- a casa da Serra.

Há algum tempo comentamos numa postagem sobre nosso projeto na serra catarinense, chamado Waikayu. decidimos unir as postagens, de ambos os projetos, num único blog, o mais antigo, o de Yvy Porã. Assim iniciaremos uma sequência de postagens da construção da casa de lá.

Alicerces ciclópeos

Para iniciar nossa casa mãe do projeto Waikayu,  chamamos uma retro para retirar a primeira camada de terra. Esta camada, chamada horizonte A,  é rica em matéria orgânica, o que é ótimo para canteiros, mas péssimo para a construção.  Assim, veio a máquina e marcou a área da casa, fazendo um monte com a terra boa, que será usada, posteriormente nos cultivos da zona 1.

DSCN1449

 

Em seguida começamos os alicerces, verificando como era o solo, sua resistência, isto define a largura dos alicereces. Nosso solo é bastante sólido, terra dura, com casaclho por baixo, assim, nossos alicereces tem em alguns pontos 40cm de largura e em outros 30cm. Como nossas paredes serão de terra,  nossa opção foi pelo alicerce ciclópeo, que é simplesmente muita pedra, com uma massa de cimento e areia no meio. Este alicerece é muito sólido, aguentando o peso da estrutura e parede, e também impede a subida de umidade.

P1000528

Como o relevo do local da casa tem uma sela, ou seja, um bom desnível entre os cantos, a maior parte dos alicereces ficou para fora da terra, em uma caixaria de madeira. Na foto abaixo o início do preenchimento do ciclópeo, com as pedras colocadas diretamente no solo e a massa de cimento e areia (1 de cimento para 5 de areia). As pedras usadas no nosso caso foram lascões ( ou pedra pulmão).

DSCN1568

Para aguentar o peso neste preenchimento, colocamos lascões pelo lado de fora da caixaria, além de algumas mãos francesas de suporte, como pode-se ver na foto abaixo.

DSCN1590

Assim, camada a camada esta caixaria foi sendo preenchida de pedras (lascões) e massa, lembrando de deixar colocados os canos para saídas de esgoto e entrada de luz. No final a proporção entre pedra e massa deve ficar mais ou menos em 50% de cada uma.

DSCN1584DSCN1586

No final, colocamos os vergalhões nos locais onde teremos pilares de tijolos e também os pilares de madeira. Estes vergalhões tem pelo menos duas funções: ligar os alicereces,à estrutura e ao telhado, já que tais ferros serão amarrados aos caibros do telhado.

DSCN1587  Depois de preenchido o ciclópeo, vem a cinta de amarração da casa. Esta tem duas funções: dar uma unidade ao alicerece e isolar de qualquer umidade que ainda possa subir pelas paredes.

Para dar a unidade faz-se a armação de ferro ( calculada de acordo com o peso da casa), e este ficará dentro de uma viga de concreto com um traço de 4 de areia e 1 de cimento. Esta cinta de amarração passa por todas as paredes da casa, internas e externas.

P1000539

Nos cantos ou encontros de paredes, onde teremos pilares, sai o ferro que ficará dentro de cada pilar de madeira, a fim de que ele não se desloque lateralmente. Onde vão os pilares ainda colocamos uma alça de arame que irá segurar um cabo de aço que liga o telhado ao alicerece. Este é o detalhe da foto abaixo.

P1000534

Depois de alguns dias, hora de retirar a caixaria. Parece estranho, um alicerce mais fora do que dentro da terra… Este era o nosso relevo, problemas e soluções são parte importante de cada obra! Nossa solução foi  aterrar tanto dentro, como  fora da obra, Outro detalhe interessante é que o ciclópeo parece “carunchado”, mas é assim mesmo, é só a parte de fora!

P1000541

E assim foi, alguns dias depois, com a ajuda de uma retro que jogava a terra dentro de casa, preenchemos os alicerces, aproveitando que ele terá tempo de se compactar durante o caminhar da obra nas próximas etapas!

P1000544

Continue lendo »

2 Comentários

Entrevista ao blog Sem Território


Em 2014 recebemos aqui no PDC a Taíme e Helder, que tem o Blog Sem território. Passado um ano, eles nos propuseram uma entrevista publicada na semana passada. Nesta entrevista, um pouquinho de nós, um pouquinho do que pensamos e fazemos. Ficou bem legal e achamos interessante publicar aqui!

12495154_10153399767897371_2199309055810333893_n

. entrevista Suzana e Jorge – Yvy Porã .

Deixe um comentário

Refazendo a taipa do velho açude.

Quando compramos Yvy Porã, lá em 2003, havia um  açude que estava com a taipa  parcialmente rompida pelo pisoteio das vacas, e, na nossa avaliação, também por ser uma taipa pequena demais para o volume de água que recebia. As aǵuas deste açude vem da micro bacia que tem umas 7 pequenas nascentes, uma delas é a que abastece a casa Mãe.

DSCN6778

O projeto de refazer o velho açude sempre esteve nos planos, e agora, finalmente, foi refeito.  Quando a máquina tirou o que restava da antiga taipa vimos outro fator para que ele tivesse rompido: na taipa haviam muitas pedras, e uma parede para segurar a água de um açude deve ter somente terra, com uma boa porcentagem de argila. A argila absorve água e quando saturada, faz uma massa impermeabilizada.

DSCN6779

Waldemir, o maquinista , foi trabalhando devagar. Primeiro limpou  a taipa antiga, tirando todo o material anterior. Depois buscou ao lado do açude onde havia terra adequada para fazer a taipa. Num curso dizemos que  a base deve ser de 3 vezes a altura da mesma para fora e 2 ou 3 vezes a altura para dentro. Assim, se a taipa tem 2,5 metros de altura, a largura da taipa deverá ter uns 12 m de largura, de terra bem compactada. Na foto abaixo a base da nossa taipa que ficou com 12m de largura, para  2,5m de altura.

DSCN6802

Foi fazendo pequenas camadas e compactando-a passando a esteira sobre ela, num ir e vir sem fim.

DSCN6833

Um açude requer segurança e responsabilidade, afinal, caso ele se rompa, o volume de água causaria grande estrago. No nosso açude avaliamos que a taipa teria 2,5m de altura e o nível de água máximo 2 metros; assim a taipa deveria ter 12m.

DSCN6839

Waldemir fez a taipa “como manda o figurino”, compactando super bem cada camadinha de terra. Ao dar o nível final foi colocado um cano de 100mm para o desague normal das águas; agora no nível do espelho de água que esta a meio metro por debaixo do nível final da taipa.

DSCN6845

Um pouco acima deste, foi cavado no morro o ladrão, bem maior, para que em dias de chuva muito volumosa, as águas não passem sobre a taipa, e sim corram pelo ladrão. Este canal de segurança tem perto de 2m de largura, e foi cavado em terra firme.

DSCN6846

Em uma semana o açude chegou ao cano de desague, começando a mostrar o espelho d’água, ainda cheio de plantas e samambaias do banhado. Aos poucos estas plantas sumirão, apodrecendo com a água, e servindo de alimento para os novos habitantes deste espaço- já vimos patos selvagens que andam por ali… No PDC o amigo Gardel trouxe algumas espécies pioneiras de peixes, que foram soltas ali. Assim,, logo logo teremos um belo lugar para pescar!

12108096_10153399802992371_6191853972430005683_n

4 Comentários

Passeio de drone

Neste fim de semana recebemos a vistas dos amigos Cibeli e Jair,  Vanessa e Bruno. Bruno veio com um brinquedinho muito legal: um drone.

Então, de presente um video de um passeio com o Bruno, vindo da Casa Mãe até a Casa da Montanha.

Divirtam-se!

5 Comentários

V PDC em Yvy Porã

Seguindo nossa tradição, na semana Santa tivemos mais uma vez um belo grupo fazendo o V Curso de Design em Permacultura na Casa da Montanha. Este ano chamamos dois parceiros para ministrarem alguns conteúdos, os queridos Gardel Silveira, do sítio Curupira, e o Arthur Nanni, do sítio Igatu e coordenador do Neperma-UFSC. Na foto abaixo o grupo na aula de solos do parceiro Arthur.

12920286_10153399765302371_6718023267521276297_n

No grupo catarinenses, paranaenses, gaúchos, paulistas e um paraense, que vieram á Yvy Porã para a formação básica em permacultura. Foram 9 dias intensos, com aulas teóricas e práticas , totalizando 80 horas de curso.

Na foto abaixo a parte prática da aula de ecologia cultivada- aquicultura, com o amigo Gardel.

12417572_10154224705701019_5469963266169663231_n

Com as ações que fizemos recentemente em Yvy, na construção de açudes e abertura de caminhos, as aulas de ecologia cultivada, movimentações de terra, aquicultura, tiveram realmente um sala de aula altamente preparada para tais temas. O pessoal ainda brincou que quer muitas fotos do “antes e depois”.

11148772_10153399333682371_4494118759764479879_n

Jorge e eu decidimos em 2015, nossa contribuição à disseminação e formação de novos permacultores passa a ser apenas em duas situações por ano: a formação de instrutores e um PDC por ano, aqui em casa.

12495154_10153399767897371_2199309055810333893_n

Como nos anteriores, o grupo de 2016 não fugiu à regra: pessoas  incríveis,  que com certeza irá espalhar muitas boas sementes pelo caminho e viver felizes de forma sustentável!

Nas fotos abaixo a apresentação do exercício de design da vila Yvy , acolhendo para 15 famílias, com autonomia alimentar e aplicando os princípios da permacultura.

Grupo 1

12932549_10153399732802371_2319452662213177471_n

Grupo 2

12143254_10153399732767371_529093928983333613_n

Grupo 3

12923324_10153399732702371_4243009541222403348_n

Na foto abaixo o grupo com a equipe do curso ( faltando apenas o Arthur). De pé: Marcio, Elisa, Ana Lara no colo do papai Glauco, Daniel, Katya, José, Dirceu, Jeferson, Gabi, demétrius, Ilse, Jorge e Suzana. Agachados: Gardel, Silvinho e Anderson. ( Fotos, Katya, Marcio e Gardel).

12039696_1065663656839221_4015881800080820757_n