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Waikayu- reboco externo

Paredes de prontas, hora de começarmos os rebocos. Como estamos numa região que registra 1800mm de chuva por ano, com chuvas aliadas a ventos tanto de nordeste como de sul, decidimos que o reboco externo levaria 7% de cimento.

Juliano nunca havia trabalhado com um reboco de terra, com pouco cimento, e para provar a mão, fizemos uma parede teste. Jorge e eu haváamos trabalhado no canto do quarto, fazendo um cordwood, e neste canto, começamos o teste de reboco. Um lado é orientação Norte e o outro Leste- perfeitos para mostrar os problemas de muito sol num reboco natural.

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Waikayu- paredes de pau-a-pique +taipa leve

Depois de um breve intervalo, voltamos à casa de Waikayu, com o preenchimento das paredes.

Paredes de pau-a-pique + palha leve

Com a estrutura e telhado feito, chegou a hora de fazermos as paredes. Esta era uma grande novidade e desafio para o Juliano e sua equipe, afinal, era paredes de barro!

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Estamos numa região de serra, com temperaturas que variam entre –4°C e 32°C no verão, assim, para o conforto térmico da casa é necessário um material que seja bom isolante. Nossa opção foi fazer um pau-a-pique duplo,  de 15cm de espessura, com barro e palha, quase uma palha leve.  Como esta etapa da obra chegou na primavera, as pastagens e culturas que poderiam nos fornecer palha, ainda não haviam crescido, ai, achar palha não estava muito fácil. Temos, a menos de 2km da casa, a madeireira Fazenda Nova, dos amigos Alemão e Pablo, que poderia nos oferecer serragem e maravalha, materiais que fazem a mesma função da palha, que é formar uma esponja com o barro, preenchendo as paredes de forma a isolar tanto calor, como frio.

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Refazendo o telhado da Casa da Montanha

A postagem de hoje interrompe uma sequência da construção da casa de Waikayu, para trazer a discussão sobre telhados. Aproveitamos um problema com o telhado da Casa da Montanha, de Yvy Porã, para trazer esta discussão à tona.

Uma boa casa tem que ter, nos seus elementos construtivos, entre tantas coisas, um bom alicerce, que ancore bem a casa ao solo, não deixe passar umidade e não afunde. Uma boa estrutura, que permita abrigo, segurança, e um bom telhado, que proteja de sol, chuva. E estes três elementos estão super ligados: o alicerce aguenta o peso da casa (estrutura, paredes, telhado, e tudo que vai dentro da casa!

O telhado ainda é uma grande discussão na pauta das construções ecológicas. Imediatamente você deve ter pensado: telhado verde! Bem, telhado verde pesa muito, e requer uma manta de plástico para que não infiltre água. (ver mais na postagem original sobre o telhado da casa da Montanha).

Na construção da Casa da montanha optamos pelas telhas de tetrapack. Sabíamos que era uma opção com apelo ecológico, mas não tão ecológica assim, já que não se reciclam as embalagens e sim se usam aparas da sobra da fabricação das mesmas e o tetrapck é um material não reciclável, já que junta papelão, alumínio e plástico. Mas naquele momento, pelo contexto, acabamos fazendo esta opção.

O tempo foi passando, e as noticias de problemas com as telhas vinham de muitas pessoas e projetos. Íamos observando as nossas, e víamos que, passados uns 8 anos, alguns sinais de degradação apareciam. Uma goteira na sala, a capa de alumínio ia descascando e espalhando ao redor da casa pedacinhos, etc.

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Waikayu – Telhado

Cobrindo a casa: forro e telhas

Como mostramos na postagem anterior, a estrutura da casa estando pronta, as linhas do telhado e caibros fixados, chegou a hora de fechar a cobertura.

Nos cursos de Permacultura, falamos sempre dos  3 “C”s – Contexto, conceito, conteúdo… Explicando melhor:

– Contexto- é o que norteia suas ações e decisões… Onde está, quais os princípios éticos que vai seguir, quem você é? No caso do telhado: estamos no planalto catarinense, lugar com temperaturas frias no inverno e quentes no verão,  queremos uma obra ambientalmente coerente com o que a permacultura propõe.

– Conceito- os princípios mais detalhados, ou seja, o por que vais fazer algo de uma ou outra forma. Neste caso do telhado nossos conceitos são: segurança, conforto térmico, pouco impacto ambiental, possibilidade de se coletar água de chuva, funcional, duradouro, simples e bonito.

– Conteúdo- aqui entram as técnicas e materiais que são muitos, variados e fáceis de se achar na internet. Tipos de mantas isolantes e telhas. Ou mesmo a discussão sobre o teto verde.

A decisão sobre que telhado fazer e qual material usar, seguiu esta reflexão, e a nossa escolha foi:  forro de madeira grossa de 1 polegada, uma manta isolante de alumínio, ripas de madeira formando um colchão de ar entre esta manta e finalmente a tradicional telha de barro cozida- simples, sem esmalte nem outro produto.

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Para o forro usamos madeiras de 1 polegada, que na região de Cerrito, são usadas para assoalhos. Cada tábua foi tratada com óleo de linhaça antes de subir. Isto gerou muita piada por parte do Juliano e dos meninos da obra, diziam que era o piso do teto do Jorge e da Suzana… Até que no dia 13 de outubro de 2014, uma tempestade de granizo varreu a região, afetando alguns bairros de Cerrito e quebrando seriamente 60% dos telhados da cidade de Lages. A partir dai, passou a fazer sentido para todos um forro destas dimensões… O quesito SEGURANÇA foi amplamente reconhecido.

Sobre este forro colocamos ripas de 2 x 2 polegadas, seguindo os caibros e sobre elas, acompanhando todo o desenho do teto, uma manta térmica de alumínio, que garante o conforto térmico, e ainda faça com que, se uma telha se quebrar, ou água entrar numa chuva de vento, ela não passe para a madeira e não caia na casa.

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Sobre este telhado prateado, colocamos as ripas que sustentam as telhas de barro. Assim, entre a manta e as telhas, formou-se um pequeno colchão de ar, que possibilita a circulação de ar e um melhor isolamento térmico, tanto para o inverno, como para o verão, já que o ar não é um bom condutor de calor.

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Nosso telhado tem quatro água, sendo que para o leste, a cumeeira é estendida, formando uma mansarda com duas janelas- uma na sala e outra no quarto do casal. Estas janelas tem pelo menos duas funções: iluminar o meio destes cômodos, e no verão, como podem ser abertas, dar vazão à bolha de ar quente que ali se concentra (lembrando que o ar quente sobe!)…

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Cumeeira feita, hora de celebrar uma grande etapa concluida!  Com o telhado colocado, antes das chuvas de primavera e verão, possibilitamos que a obra seguisse nestas estações. Agora é tocar as paredes! Mas isto virá em outro post!

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Estrutura da casa de Waikayu

Estrutura em madeira

O projeto da casa mãe de Waikayu priorizou materiais locais,  como terra, pedra, e madeira. Com isso, optamos por uma casa de alicerece ciclópeo, estrutura de madeira e paredes de terra crua e palha. Um estilo da arquitetura vernácula em Santa Catarina, são as casas enxaimel, feitas principalmente nas áreas colonizadas por alemães, como mostra a foto abaixo. Assim, nosso projeto foi ganhando forma, texturas, design: seria uma casa enxaimel.

 

Tínhamos a possibilidade de comprar de um amigo, madeiras de área que seriam alagadas por uma das PCHs (pequena central hidrelétrica) que foram feitas na região de São José do Cerrito. Assim, decidimos comprar estas madeiras, araucárias, pinheiro bravo, bugreiros, etc.  Madeiras boas, que foram cortadas e desdobradas nas medidas que queríamos, para depois ficar estaleiradas secando por um ano. Agora com os alicerces prontos, passamos à estrutura.

 

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Os pilares centrais são grandes peças de brugreiro “in natura”, isto é, a árvore com todas as suas imperfeições,  uma madeira local forte e com um cerne duríssimo. Como estas madeiras ficaram no campo por muito tempo, algumas tiveram , apenas no brancal, alguns bichos, como mamangabas, formiguinhas, etc.

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Levantada na casa, elas ficaram umas semanas secando toda a umidade que ainda poderiam ter na superfície. Depois retiramos os brancais afetados, com um machadinho e também com escova de aço.  Também passamos um secador industrial, que sopra ar a 300°C, que limpava e eliminava qualquer bichinho que ainda estivesse ali.

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Nos encontros de paredes usamos peças roliças também de bugreiro. Já as demais peças de madeira são tábuas de 6 por 15cm, que será a largura das paredes. Assim como em Yvy Porã, os batentes de portas e janelas fazem parte das estruturas da casa e vão formando o enchaimel. Lembrando que cada uma destas madeiras roliças, é colocada sobre o alicerece que tem um ferro, que faz com que este pilar não possa se deslocar lateralmente.

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A cada vão de, no máximo 3m, são colocadas madeiras desta mesma bitola para contraventar, fazendo triângulos., que fazem com que a estrutura fique estável. Mas como ir levantando e estabilizando um “paliteiro”? Optamos por fazer as paredes dos banheiros e da cozinha em tijolos maciços, assim, a estrutura toda em madeira, teria , pelo menos duas áreas firmes, uma de cada lado da casa, para se apoiar, até que o telhado e os contraventos estivessem prontos.

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As paredes de tijolos tem também pilares estruturados em cada encontro de paredes. Estes pilares levam dentro um ferro que vem desde o alicerce e vai amarrado nos caibros do telhado.

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Amarrando todos os pilares vai uma cinta de madeira, e sobre esta os caibros do telhado, que terminam de estruturar a construção. Mas isto é conversa para outra postagem!

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Alicerces de Waikayu- a casa da Serra.

Há algum tempo comentamos numa postagem sobre nosso projeto na serra catarinense, chamado Waikayu. decidimos unir as postagens, de ambos os projetos, num único blog, o mais antigo, o de Yvy Porã. Assim iniciaremos uma sequência de postagens da construção da casa de lá.

Alicerces ciclópeos

Para iniciar nossa casa mãe do projeto Waikayu,  chamamos uma retro para retirar a primeira camada de terra. Esta camada, chamada horizonte A,  é rica em matéria orgânica, o que é ótimo para canteiros, mas péssimo para a construção.  Assim, veio a máquina e marcou a área da casa, fazendo um monte com a terra boa, que será usada, posteriormente nos cultivos da zona 1.

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Em seguida começamos os alicerces, verificando como era o solo, sua resistência, isto define a largura dos alicereces. Nosso solo é bastante sólido, terra dura, com casaclho por baixo, assim, nossos alicereces tem em alguns pontos 40cm de largura e em outros 30cm. Como nossas paredes serão de terra,  nossa opção foi pelo alicerce ciclópeo, que é simplesmente muita pedra, com uma massa de cimento e areia no meio. Este alicerece é muito sólido, aguentando o peso da estrutura e parede, e também impede a subida de umidade.

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Como o relevo do local da casa tem uma sela, ou seja, um bom desnível entre os cantos, a maior parte dos alicereces ficou para fora da terra, em uma caixaria de madeira. Na foto abaixo o início do preenchimento do ciclópeo, com as pedras colocadas diretamente no solo e a massa de cimento e areia (1 de cimento para 5 de areia). As pedras usadas no nosso caso foram lascões ( ou pedra pulmão).

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Para aguentar o peso neste preenchimento, colocamos lascões pelo lado de fora da caixaria, além de algumas mãos francesas de suporte, como pode-se ver na foto abaixo.

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Assim, camada a camada esta caixaria foi sendo preenchida de pedras (lascões) e massa, lembrando de deixar colocados os canos para saídas de esgoto e entrada de luz. No final a proporção entre pedra e massa deve ficar mais ou menos em 50% de cada uma.

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No final, colocamos os vergalhões nos locais onde teremos pilares de tijolos e também os pilares de madeira. Estes vergalhões tem pelo menos duas funções: ligar os alicereces,à estrutura e ao telhado, já que tais ferros serão amarrados aos caibros do telhado.

DSCN1587  Depois de preenchido o ciclópeo, vem a cinta de amarração da casa. Esta tem duas funções: dar uma unidade ao alicerece e isolar de qualquer umidade que ainda possa subir pelas paredes.

Para dar a unidade faz-se a armação de ferro ( calculada de acordo com o peso da casa), e este ficará dentro de uma viga de concreto com um traço de 4 de areia e 1 de cimento. Esta cinta de amarração passa por todas as paredes da casa, internas e externas.

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Nos cantos ou encontros de paredes, onde teremos pilares, sai o ferro que ficará dentro de cada pilar de madeira, a fim de que ele não se desloque lateralmente. Onde vão os pilares ainda colocamos uma alça de arame que irá segurar um cabo de aço que liga o telhado ao alicerece. Este é o detalhe da foto abaixo.

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Depois de alguns dias, hora de retirar a caixaria. Parece estranho, um alicerce mais fora do que dentro da terra… Este era o nosso relevo, problemas e soluções são parte importante de cada obra! Nossa solução foi  aterrar tanto dentro, como  fora da obra, Outro detalhe interessante é que o ciclópeo parece “carunchado”, mas é assim mesmo, é só a parte de fora!

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E assim foi, alguns dias depois, com a ajuda de uma retro que jogava a terra dentro de casa, preenchemos os alicerces, aproveitando que ele terá tempo de se compactar durante o caminhar da obra nas próximas etapas!

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Entrevista ao blog Sem Território


Em 2014 recebemos aqui no PDC a Taíme e Helder, que tem o Blog Sem território. Passado um ano, eles nos propuseram uma entrevista publicada na semana passada. Nesta entrevista, um pouquinho de nós, um pouquinho do que pensamos e fazemos. Ficou bem legal e achamos interessante publicar aqui!

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. entrevista Suzana e Jorge – Yvy Porã .