Araucárias e pinhões – riquezas naturais

Visitar parceiros permacultores é sempre um prazer, uma festa, um aprendizado. Novamente subimos a serra, até o planalto catarinense para visitar nossos amigos do Sítio Raízes, e como estamos na época do pinhão, fruto da araucária, esta postagem mostra um pouco da cultura do pinhão, com dados de cultivo e a colheita deste fruto tão apreciado aqui no sul do Brasil.

A araucária (Auracária angustifolia) é a conífera brasileira, também conhecida como pinheiro do Paraná, tem uma forma linda, como se fosses braços saudando os céus. Como conífera, suas folhas sofreram adaptações para suportar as geadas, elas são como pontas de flecha, triangulares, duras, espinhentas. Estas folhas se fixam em galhos secam e que caem periodicamente, e são chamados grimpas. As grimpas são usadas para acender o fogo, pois queimam bem e rapidamente. Nas culturas dos indígenas do sul, os Xokleng, kaigangs, e bem mais ao sul, os araucanos (Araucária araucana), o pinhão era a farinha, base de muitos pratos que se faziam com este rico e calórico fruto, que na sua origem produzia muito mais farinha do que os campos de trigo plantados pelos europeus. Esta herança passou para os tropeiros que colonizaram o planalto catarinense, levando as tropas de mulas e bois, do Rio Grande do Sul para Sorocaba, em São Paulo. Várias são as receitas, como pinhão cozido, assado na fogueira (a sapecada de pinhão), a paçoca (pinhão moído , e depois misturado com linguiça, carne de porco, temperos verdes e cebola), o entrevero (pinhões inteiros com frango, linguiça, pimentão, cebola, cenoura).

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Livro sobre Permacultura

Na nossa caminhada temos como proposta abrir o espaço e dialogar sempre com os mais jovens, pensando que o legado de uma vida e cultura humana sustentável  no planeta deve ser algo para todos, mas principalmente as futuras gerações. Assim acolhemos, conversamos, abrimos o espaço e, dentro de cada demanda, orientamos, caminhamos juntos, sendo parceiros da moçada que nos procura.

Em 2007 uma jovem estudante de jornalismo de Curitiba, Silvia Pugsley, nos contatou pois queria que seu Trabalho de Conclusão de Curso, TCC, fosse um livro apresentando a permacultura às pessoas. Ela mesma havia conhecido o termo através de uma colega e pouco sabia sobre o assunto.

Recebemos, discutimos e a proposta que acabou sendo realizada foi uma mostra de três estações de permacultura, Yvy Porã com os permacultures Jorge Timmermann e Suzana Maringoni, Sitio Curupira, dos permacultores Simone Dalcin e Gardel Silveira e Sítio Raízes, dos permacultores Eluza e Pedro Marcos Ortiz. Silvia ainda deu uma grande sorte, pois enquanto escrevia, recebemos a visita de David Holmgren, que deu uma deliciosa entrevista que faz parte do projeto.

Recebemos o livro em capa dura, na edição feita de 4 exemplares, unicamente como TCC. Passados os anos, pedimos autorização à Silvia e agora publicamos, aqui no blog da Casa da Montanha esta obra. Sem dúvida uma bela introdução para as pessoas que nunca ouviram falar do tema, ou que querem saber como as pessoas vivem a permacultura. Boa leitura!


Permacultura- a renovação da relação homem e natureza de  Silvia Pugsley

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capa_frente

capa_verso

Video da Casa da Montanha no início de 2012

A cada tanto fazemos uma postagem de como está a casa e é interessante ver como tudo mudou! Os primeiros são de 2008. Estes videos buscam mostrar como está a casa, e hoje, que já ocupamos a casa há exatos 2 anos, lembramos de fazer este registro.


Peguei a máquina e fui filmando, desde a chegada, nossa zona 2, zona 1 e zona zero. Bem vindo ao passeio! Esperamos que gostem! Para ver o video, basta clicar no link abaixo!

A casa da Montanha 2012

Drica e Rafa- outros permacultores viajantes

Nosso amigo e parceiro Tiago nos mandou um mail, apresentado o casal de permacultores cearenses Adriana e Rafael- ou Drica e Rafa. Depois dos contatos iniciais via mail ou telefone, recebemos a dupla para um final de semana em Yvy Porã.

Eles estão de viagem pela américa latina e começaram pelo sul do Brasil. As experiências , visitas e trabalhos da dupla estão sendo relatados num blog, que merece ser visitado.

Assim, encaminamos hoje esta postagem para este blog do casal, pois achamos que é interessante ler Yvy Porã  através dos realtos das pessoas que nos visitam.  Então, como vocês Yvy sob o olhar de Drica e Rafa. Boa leitura!

Rafaelle e Martin

Como um blog que fala de permacultura, em muitos momentos somos procurados por jovens, querendo saber mais, buscando ajuda para trabalhos acadêmicos e vivêcias como permacultores.

Desta vez não foi diferente! Fomos contatados pela Rafaelle, estudante de jornalismo em Curitiba para dar um apoio e ajuda ao seu TCC: o livro “PERMA o que?”, que deverá ficar pronto o ano que vem. Recebemos o casal num fim de semana bastante chuvoso, o que nos permitiu muitas conversas! Como em outros momentos, aqui segue o relato da Rafaelle e do Martin, enquanto aguardamos o livro!

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Do Ceará até a Casa da Montanha

Publicar coisas no blog, participar da comunidade de permacultura no Orkut ao memso tempo que compartilhamos o que fazemos, acabamos tendo contato com muitas pessoas… Algumas destas nos procuram e acabamos estreitando este conhecer ums aosoutros… Assim, já fizemos amigos de longe, que começaram “virtualmente” e acabaram vindo até aqui.

Em novembro de 2009, veio o Tiago, que trabalha com agroecologia e desenvolvimento social lá no Ceará… Esta visitas são antecedidas de muitas  conversas e trocas via mail, até que aconteça  “estagiar” em Yvy Porã por 5 dias. Neste post o relato do Tiago, o barbudo que aparece na foto entre Jorge, seu Zé e na ponta Rodrigo.


Yvy Porã– por Tiago Silva Bezerra

Poder vivênciar esses momentos foi muito gratificante. Conhecer Sr. José e Rodrigo (figuras fundamentais) foi muito enriquecedor. Ver pessoas (influentes em suas comunidades) se apropriando cada vez mais da simplicidade, da felicidade que é construir com barro é algo fortalecedor.

Penso que essa seja a verdadeira mudança! Quando pessoas simples, conservadora, “desconstroem” toda sua visão, que deveria ser o certo, e a partir da reconstrução de seu passado conseguem fazer grandes transformações em si e nos outros.

Acho que com as pessoas que passam em Yvy Porá acontece isso. Através da ética e bom senso de Jorge, Suzana e os outros parceir@s podemos nos dar o prazer de ousar e ser mais felizes.

O tempo foi curto, mas o aprendizado foi está sendo longo. Sempre pensei que viver feliz depende muito da simplicidade e realmente pude perceber isso nessa terra abençoada. Trouxe para o Ceará muita energia boa dessas terras férteis de amor, compaixão… Levo comigo sentimento de mudança…

Não deu para desejar os parabéns pessoalmente para meu amigo Jorge, mas passei o dia do “nosso” aniversário pensando o quanto estaria se divertindo com essas boas pessoas.

Nessas redes de amizades existe muita coisa estranha, mas é um local muito bom para se conhecer excelentes pessoas.

Abraços

Feliz em conhecê-l@s.

Há!!!!!!! Toda vez que olho qualquer artesanato de barro daqui me lembro de você. Vamos ver essa possibilidade de enviar…

Thiago Gonçalves do Paraná

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E a casa vai se firmando, entre punhados de terra e areia, esculturalmente e sem pressa. E quantas mãos vão a fazendo… e com quanta força e calma!

E há sempre tempo, de saber onde brota água e de sentar onde deita a sombra da Figueira e de ficar onde o alimento é farto e a conversa é boa..!

Assim a gente sabe, a gente senta, a gente fica. E chega a hora de partir, e a gente vai, e quer voltar…

Terra boa é assim

Mucho gusto

Abraços

Thiago

Renata e Walfrido

No final de agosto recebemos a visita ddo Wal e da Renata. Suzana conheceu o Wal via Orkut, e ele ajudou a dar fôlego a Karen, e, realizarem o primeiro curso PDC em Curitiba com o Jorge.

Agora depois do curso, Wal e Renata vieram conviver conosco num final de semana prolongado. Esperamos que tenha sido o primeiro de muitos…

Na foto abaixo o gracioso tucano que ficou pousando, esperando Wal ir pegar a máquina no carro que estava lá na casa mãe!

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Yvy Porã tem um ar meio mágico da natureza retomando seu espaço. Uma mistura de plantas pioneiras com árvores centenárias. Do renascimento em um lugar que já tem muita história.
A permacultura se aprende na vivência.

Não só na construção orgânica ou fazendo um canteiro,
mas na convivência positiva com as árvores, ervas, flores, corujas, tucanos e outras pessoas, que animam o trabalho durante o dia e uma fogueira de noite.

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Obrigado Jorge, Suzana, Cecília e André. Esperamos não ter estragado a parede.
Um grande abraço,
Walfrido e Renata.

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Esta linda camélia mostra a capacidade de recuperação das plantas! O pé desta flor é uma “árvore” de 4m de altura ou mais e durante anos teve vacas e bois pisoteando suas raízes, por isso seus botões não abriam e estava coberta de Barba de Velha. Há 4 anos tiramos os bois e fomos limpando a barba de velha. De dois anos para cá as folhas verdes passaram a dominar e agora, já contamos até agora, 5 flores abertas, como esta da foto!

Yvy Porã de plantar, de pensar, de agir

Seguindo nos Relatos dos caminhantes, aqui fica registrado a visita do Révero, em julho de 2007. Ele é  parceiro do PRONERA, educador, ator teatral. Foi uma surpresa sua vontade em ir para Yvy Porã, e mais agradável ainda foi viver o seu ânimo nestes 4 dias de trabalho.

Ao pedir seu relato, ele me devolve dizendo que a escrita não é seu forte, mas acaba nos brindando com este leve e delicioso texto.

Na foto abaixo Révero com as primeiras fôrmas da “sua parede”- a mais linda e caprichada! No primeiro dia ele e Jorge fizeram algum alicerce e colocaram as madeiras da porta de entrada…

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Estar em Yvy Porã foi a concretização de uma vontade que tenho desde quando conheci a permacultura como possibilidade de vida. Foi praticar, sentir, por a mão na terra, andar no barro e se divertir… As conversas na cozinha, a amizade da Suzana e do Jorge faz sentir-se em família, como amigos de muitas estradas.

A construção da casa é um exemplo de como é possível quebrar com a lógica das grandes indústrias, do lucro, da exploração, da propaganda do desenvolvimento (que ao mesmo tempo nos afasta cada vez mais da humanidade…). Lembrei do apagão quando ficamos 3 dias sem energia elétrica em Floripa e com mais convívio humano. Não negar as tecnologias e avanços da sociedade, mas utilizar de forma racional e consciente. Um diretor de teatro chamado Grotovsky propôs o teatro pobre, ritualizado, onde cada elemento deve ser realmente necessário. A permacultura também me aponta este caminho. Ao socar a terra boa, dizemos sim! E tem um som metálico, forte, profundo… ritualizado também.

A volta para a cidade causa um estranhamento interessante e revelador. A idéia de ter uma vida diferenciada, em espaços mais saudáveis e naturais é confrontada com o cotidiano, com o aqui e o agora. Estes dias me animaram e realimentaram o sonho de transformação e de um ideal socialista e solidário. Yvy Porã além de Terra Boa é um fruto doce que dá vontade de compartilhar.

Yvy Porã, por Daniel Monteiro Lacerda

Fazer uma casa assim, com as nossas mãos é uma experiência e tanto… Partilhar este processo, abrindo as portas para outros que querem ver, fazer, estar é também nossa proposta. Temos tido muitos amigos ajudando, mas todos conhecidos de outras caminhadas- Rodrigo, Cecília, Revero, Mariani e Isabel, Jorge André, Tadê, Carol, Marco Aurélio…
Daniel Monteiro Lacerda é o primeiro “voluntário desconhecido”, quer dizer, o primeiro que tivemos contato apenas por mail e que veio para estar e colocar as mãos na massa! Grandes expectativas, uma certa ansiedade: como será isto?

Foi muito, muito bom! Partilhamos o tempo, o alimento, o trabalho…E pedimos um relato destes dias em Yvy Porã. Então, esta postagem é deste relato do Daniel, que depois desta vivência virou mais um grande amigo!

Na foto abaixo, Daniel e Suzana na porta da casa Mãe de Yvy Porã.

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No princípio foi a tinta. Eu havia recém-pintado a minha casa com a terra do meu bairro, vermelha como a do projeto da casa de Suzana e Jorge em Yvy Porã, comentei a respeito na comunidade Permacultura do Orkut e ela fez contato.Daí à ida para lá foi um pulo.

Minha passagem por Yvy Porã ilustra como o tempo é relativo. Com três dias a menos do que o previsto, seriam apenas dois dias incompletos e tanto trabalho a se fazer… Após uma noite de conversas, a primeira manhã de trabalho, eu ansioso para ver como funcionava a taipa socada, levantei cedo e fui lá conferir a dureza da parede. Bati uma, duas, três vezes, aumentando a força. É firme mesmo.

Ansioso por receber as instruções e pôr mãos à obra, fiz a “troca de turno” com o Revero. Minha ansiedade foi por terra, quando, ao dar-me as instruções, Jorge deu-me uma aula em que falava não somente da técnica, mas do modo de fazer e da filosofia da permacultura.“Observe um trabalhador rural experiente. Ele parece lento, parece não estar fazendo esforço, mas gasta o tempo e a energia necessários para cumprir sua tarefa. Ele não se cansa à toa. Conhece seu ritmo. No final do turno de trabalho ele cumpriu o dever do dia.”.

Révero passando o pilão para o Daniel

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Falando sobre o fazer a sua casa: “Se a pessoa prefere pagar, tem à disposição bons profissionais que projetam e constroem uma bela ‘casa rústica’ com textura de taipa e acabamento perfeito em muito menor prazo. Ou então você decide que vai construir sua casa’, e a faz no tempo que der, como der, com imperfeições, diferenças na umidade e na socagem da massa…”, “Não precisa pagar 50, 100 mil para se fazer uma boa casa. É possível fazer com 5.”… “Mas essa casa só pode ser construída na zona rural; se fosse na cidade, o projeto nem seria aprovado, não receberia o ‘habite-se’, pois o uso de água pluvial e o sanitário seco fogem às normas sanitárias urbanas.”

Entendi que princípios norteadores da permacultura, como o de zoneamento, podem ser aplicados de acordo com as configurações do local e a sensibilidade dos ocupantes. Em Yvy Porã, a zona 1 do Jorge e da Suzana (residencial) se encontra vizinha à zona 5 (não-interferida), quase mescladas. Fomos visitar a reserva, onde reina uma figueira tricentenária, com seus portentosos galhos e raízes dominando o local e servindo de suporte para diversas espécies. Ao vermos como ela “constrói” seus galhos, podemos aprender sobre engenharia e arquitetura; e pela retenção de água, terra e nutrientes feita pelas raízes, aprendemos sobre manejo de solo.

Na foto abaixo, Jorge olhando a parede ao lado da porta, feita no capricho com a ajuda do Daniel.

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Partilhar a companhia de Jorge e Suzana é, ao mesmo tempo, prazeroso e instrutivo. Cada conversa com eles pode render material publicável, de grande proveito para todos os que se interessam pela construção de um mundo melhor.