Publicado em Cursos, Cursos PDC

Cuidando das pessoas num curso PDC

A permacultura propõe princípios éticos irredutíveis, e que norteiam ações para a construção de uma cultura permanente:

  • Cuidar da terra
  • Cuidar das pessoas
  • Restringir consumo e partilhas excedentes

Uma vez por ano, paramos nossos trabalhos nos projetos Yvy Porã e Waikayu Raízes, para nos dedicarmos à  formação de novos permacultores, com a realização do Curso de Design em Permacultura (PDC), ou seja, uma dedicação exclusiva durante os nove dias do curso.

Desde 2012 fazemos um PDC em Yvy Porã, na semana Santa, somente para um grupo pequeno, de no máximo 16 pessoas. A proposta de acolher este grupo durante  tantos dias, seguindo a ética da Permacultura,  isto  traz toda uma preocupação e ações concretas para esta acolhida.

Nove dias é muito tempo, neste período dizemos que é importante o dormir bem, tomar um bom banho, e uma alimentação orgânica, onívora, farta e variada. Estes ítens fazem  que as pessoas possam assimilar tanto o que se discute no curso, como passar bem na experiência de convívio com um grupo de desconhecidos em uma mesma casa. Na foto abaixo, a turma do primeiro PDC em Yvy, em 2012.

Escrevemos esta postagem com base nas avaliações dos grupos que por aqui passaram, e vamos tentar desmistificar algumas coisas sobre a vivência de um PDC, sugerimos também a leitura da postagem “afinal, o que é um PDC?” que explica o currículo do curso. Também sugerimos a leitura do documentos elaborado pelos pioneiros da Permacultura no Brasil sobre as Bases para o PDC.

Com a experiência de muitos anos em educação e escolas, Suzana traz a ideia de que tudo que é comunicado ANTES, e que se deixa claro como e o que vai ser, é mais fácil para que as pessoas se preparem, com base no real. Assim, as correspondências antes do curso vão dizendo o que viveremos no PDC, dando dicas de vestimenta, alimentação e alojamento.

Em Yvy, todos ficam alojados na Casa mãe, uma construção de 1929, restaurada, mostrada na foto acima. O famosos discurso sobre auto-gestão, que às vezes tem até cursos sobre este assunto,  é vivenciado pelos cursantes ali: 15 pessoas, que recebem a casa limpa, e são responsáveis pela sua manutenção durante os dias do curso. Temos 3 quartos para casais ou famílias que venham para o PDC, mais um quarto com 3 camas e o grande sótão que abriga quem desejar, com colchões. Fora isto, quem quiser, pode montar sua barraca. Temos visto que cada grupo se organiza de uma maneira, e ainda que pareça incrível, as pessoas ficam felizes em estar 9 dias numa casa com outros 15 desconhecidos, partilhando barulhos, limpeza, banheiro, etc. É sempre uma surpresa e um aprendizado. A casa Mãe também funciona com banheiro seco e aquecimento para água com um Rocket stove, o que propicia a aprendizagem concreta de como, numa rotina, se faz para tratar seus efluentes, cuidar da água, etc.

A alimentação é sempre um ítem fundamental- pessoas bem alimentadas são pessoas felizes. Nossa alimentação é onívora, orgânica, em sua maioria e comprada de parceiros no local. A ordem das compras de alimentos começa pelo que conseguimos produzir na escala do curso: algumas hortaliças, bananas, caquis. Logo vem os vizinhos, Ilse (que também ajuda na cozinha durante o curso) fornece leite, queijo, manteiga, nata, doces, biscoitos, galinhas, ovos e faz os pães todos os dias. Pedro Marcos, do Raízes fornece mel, suco de uva, frutas.  De Cerrito vem também a carne, do açougue do Tochão, que abate animais que pastam. Ai vamos para o  Xisto Besen, produtor orgânico de Antonio Carlos, comprar todas as verduras e frutas que ainda faltem. Em seguida o fornecedor de grãos e farinhas orgânicas, e finalmente, para os ítens finais, vamos aos grandes atacadistas. Ou seja, a lógica é outra: produtos locais e limpos, sejam verduras, frutas, grãos, ovos e carne de procedência conhecida, de animais criados soltos, pastando. A opção de vegetarianismo é pessoal, e não misturamos carnes com as verduras, assim respeitamos as opções de cada um.

O processamento dos alimentos é feita por Ilse e Suzana, incluindo 5 refeições: café da manhã, almoço, jantar e dois lanches nos meios períodos. As frutas são liberadas para consumo o tempo todo e os paẽs , cucas e bolos, feitos diariamente. Claro, sem esquecer a pizzada da sexta-feira, momento cultural e de celebração.

O curso de Design em Permacultura é um curso teórico, com muito conteúdo, em Yvy colocamos várias práticas, mas são ilustrativas, de um conteúdo que já foi dado, ou um que ilustra algo que virá. Ou seja, quem vem fazer o curso, sabe que as práticas não são o foco do curso, e nem nós, como proponentes, esperamos que um curso seja para realizar uma grande obra, assim, muitas vezes, o planejado nem é todo ele realizado, depende do grupo. Por exemplo: fazer uma paredinha de taipa: um grupo pode fazê-la inteira, outro não… E este não é o objetivo do PDC, o objetivo é formar bons permacultores, com embasamento para as aprendizagens que virão depois.

Entendemos que a postura de cuidar das pessoas , cuidar da terra, restringir consumo e partilhar excedentes traz em sí uma grande dose de espiritualidade, e é nela que nos embasamos e damos um PDC para toda e qualquer religião, incluímos e respeitamos a todas, por isso não temos NENHUM ritual de nenhuma religião. Também somos rigorosos na proibição de qualquer aditivo alterador de consciência- nenhuma destas substâncias é aceita em Yvy. O curso, por sí só, já traz muitos elementos desestabilizadores e muitos momentos de encontro em volta da fogueira, onde pode rolar músicas, histórias, ou uma boa conversa…

Então, ficou curioso? Converse com quem já fez um curso em Yvy Porã, pergunte, tire suas dúvidas. Vamos buscar soluções para mudanças pessoais e que levem à construção da sustentabilidade…

Em 2019, como excessão, daremos dois PDCs, um em Yvy Porã, entre 13 e 21 de abril, e outro em Waikayu, entre 15 e 23 de junho. Inscreva-se, pois em ambos, as vagas são limitadas!

 

 

 

 

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Publicado em Espaço Waikayu, Zona 3 - cultivos em escala

Manejo da floresta de bracatingas

Em duas postagens anteriores sobre o espaço Waikayu relatamos o projeto de pastagens e árvores no nosso espaço. O tempo passa, e acabamos deixando de publicar no blog como vem se desenvolvendo as bracatingas e qual o manejo que elas vem recebendo. Na foto abaixo a caçamba com 3.000 bracatingas, mudas feitas pelo Joel, da Terra Pinus , de Lages.

Em setembro de 2018 plantamos nosso terceiro hectare com 6.000 bracatingas, seguindo o mesmo padrão  relatado na postagem sobre madeiras e sustentabilidade. Então, em fevereiro de 2019 temos plantas no primeiro crescimento de verão, outras com dois anos e as mais velhas no seu terceiro verão de crescimento. Na foto abaixo, as mais novinhas, que plantamos em setembro. Várias delas já com 70cm de altura.

 

É incrível ver o desenvolvimento das plantas, lembrando que elas estão plantadas numa grande densidade, num espaçamento de 1m por 1,5m cada planta.

No inverno de 2018, fizemos, em família, a poda de condução das plantas antes do terceiro estirão de crescimento. A poda florestal tem como objetivo a condução das plantas para a utilização da madeira, assim, prioriza-se o crescimento vertical, podando as bifurcações e cortando-se os galhos laterais. Nesta foto as plantas antes da poda.

E nesta imagem, a mesma área depois da poda. A entrada de luz muda, não é? Como nesta época ainda não tínhamos ovelhas, os galhos e as folhas, excelentes pastagens arbóreas, ficaram no chão para adubação.

Entender que o manejo de uma propriedade familiar compete, sempre que possível, à família, faz parte do ser sustentável. Assim, o trabalho foi feito em família: Jorge e Suzana, Lola e Fernando, acompanhados do Thomy, e com a ajuda do parceiro Pedro Marcos. Este trabalho de podar as quase 6.000 plantas demorou 3 dias. Vamos dizer que não foi tanto…

Depois da poda, feita com tesouras e serrotes de poda, a luz que entra ali, possibilita o crescimento das pastagens.Estimamos que ainda no frio de 2019, as ovelhas comecem a pastar entre as bracatingas maiores.

Por que ovelhas nos piquetes? São animais menores, pesando no máximo 60 quilos, são dóceis, aproveitarão as pastagens, mantendo a grama cortada, e estercam a área. Obviamente, também fornecem lã e carne dos filhotes machos.

Antes do crescimento de verão também fizemos as medições das plantas com 2 anos: medimos diâmetro da base (DAB), diâmetro na altura do peiro (DAB) e altura.

Para isso, Jorge e Suzana mediram todas as árvores das duas diagonais aproximadas do talhão. As anotações do caderno foram passadas para uma planilha, onde analisamos o desenvolvimento das bracatingas. Isso será repetido ano a ano e indicará o raleio, poda e colheita da madeira.

Assim, nossas áreas vão seguindo o design feito lá em 2013, onde prevíamos que em toda área mais acidentada da propriedade faríamos o manejo agrosilvopastoril. Árvores demoram à crescer? Sim, mas investir na permanência e em renda na forma de árvores, traz mais rendas ainda – água, ar, solos, e basta plantar. Quem não investe em um empresa ou numa poupança pensando em 12 ou 15 anos para a frente?

Nós também pensamos, por isso plantamos árvores! Na foto acima, nossa poupança, para nós e para as futuras gerações, numa cultura permanente.

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Curso de Design em Permacultura 2019

Todo ano realizamos um, e apenas um Curso de design em Permacultura- PDC em Yvy Porã. Dizemos que é um curso acolhedor, já que trabalhamos com um grupo pequeno, de no máximo 16 cursantes, num regime de imersão, ou seja 24 horas juntos numa estação de permacultura onde se vive a permacultura há mais de 15 anos.

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Aqui no blog, na categoria Curso PDC temos o relato das vivências das pessoas que fizeram o curso nestes muitos anos.

Como diz Marsha Hanzi, este curso muda vidas. E dizemos que é uma bela ferramenta para construir a sustentabilidade! Em épocas de crise, buscar novos horizontes sempre é uma boa estratégia.

Na postagem “Afinal, o que é um Curso PDC ?”nexplicamos o que é o curso e seu currículo, reconhecido mundialmente.

As vagas estão abertas entre em contato e tire suas dúvidas!

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2018 – os aprendizados de Yvy Porã

Yvy Porã, teve um ano intenso com a vila se consolidando, se em 2017 foi o ano de formalizarmos a estrutura com novos integrantes, 2018 foi o ano de concretizar ao vivo e a cores o projeto. Começamos ano com duas famílias morando na Casa mãe e iniciando as obras dos seus respectivos espaços privativos.

Estar no espaço coletivo implica em solucionar problemas concretos, no coletivo, com tempos e visões de cada um. E trabalhar ombro a ombro vale mais do que anos de reuniões para debater ideias. Então, a convivência diária, com tarefas concretas de limpar a casa, rachar lenha, manejar a água, etc foram grandes ferramentas. E eleger investimentos, como a construção da cisterna para água de chuva da casa Mãe, congregou o grupo.

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2018 – aprendizados de Waikayu

O que aprendemos em 2018- Parte 2

Seguindo nossa reflexão sobre o que  vivemos e aprendemos neste ano, hoje falaremos do nosso projeto na serra catarinense.

Waikayu Raízes é um projeto de permanência, de 3 sítios vizinhos Raízes, Waikayu e Terra dos Ursos. A proposta deste grupo de famílias é a produção de alimentos sadios e limpos nos sistemas agrosilvopastoris, incluindo frutíferas, madeira, pastagens perenes, criação de pequenos, médios e grandes animais, laticínios, suco de uva e doces.

Em 2018 seguimos a rotina do plantio de um hectare de bracatingas e araucárias por ano, sendo 6000 bracatingas e 500 araucárias em consórcio por hectare. Como o primeiro talhão de árvores já tinha dois anos de crescimento, fizemos a poda de condução e a medição das plantas.

Mas podemos dizer que 2018 foi o ano em que perdemos os medos de termos animais.Todo permacultor, que tem origem urbana, tem bastante receio de introduzir animais, talvez pela ciência da nossa ignorância no trato de bichos. Em geral optamos por pequenos animais, como galinhas e peixes, e ousando pouco no restante. Sempre observamos nos PDCs que ministramos para agricultores, não existe um design sem porcos, galinhas, abelhas, peixes, patos, minhocas e vacas. Já nos cursos com público urbano, aparecem abelhas, minhocas, galinhas e peixes , quando muito uma cabra… Bem, 2018 foi o ano de experimentarmos, para além dos animais do Pedro Marcos e Eluza, do sítio Raízes, trazermos animais para nossos cuidados.

Neste caminhar Lola, Fernando e Thomas, da Terra dos Ursos, depois de um primeiro “laboratórios” com 4 galinhas, retomaram e aumentaram o projeto com elas, para ter ovos sempre fresquinhos. Hoje são 10 galinhas e 9 franguinhas que cumprem as funções de dar ovos, capinar, produzir esterco para canteiros e frutíferas, e limpar a borda da casa de aranhas, escorpiões e pequenos animais.  Também tiveram, no segundo ano do cultivo,   a primeira colheita das amoras, que até aqui deram 25kg e seguem frutificando. Além disso começamos o aprendizado de cultivo de cogumelos, com substrato de bananeiras.

Os primeiro talhões de árvores madeireira, sejam os eucaliptos plantados em 2014, e as bracatingas de 2016 já poderiam receber animais de médio porte para pastarem ali.

Avaliamos com Pedro, se seria o caso de soltarmos bezerros desmamados. Estes animais teriam que ficar apenas umas 3 horas por dia, para apenas pastar e sair, e isso exigiria um manejo trabalhoso. Decidimos então optar por um bicho menor  e assim introduzimos as ovelhas.

Para não errar, trouxemos uma adulta, prenha, que deve criar em um mês, e um macho, filhote, de outra origem, que será o reprodutor.

Fizemos a instalação mínima: um piquete com cerca elétrica, um telhado para acolher os bichos  no frio, no calor e longe da unidade, aǵua e um belo pasto.

Logo notamos que o piquete de uns 5000m² era pasto demais, para ovelhas de menos. Assim separamos o primeiro piquete em três, ainda menores, que estamos rotacionando a cada 15 dias. Ainda assim, sobra pasto! Mas logo teremos novos habitantes…

Para completar, foi o ano onde voltamos a acolher um curso por estas bandas, numa parceria de todos- Raízes, Terra dos Ursos e Waikayu. A experiência foi tão boa, que decidimos que em 2019 daremos também um PDC aqui na serra. Um bom ano se aproxima, buscando soluções à crise? A Permacultura segue sendo uma grande ferramenta.

 

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2018 -ano de muito aprendizado – Parte 1

 

Pedimos desculpas à todos que seguem o blog, pois sabemos que ultimamente falhamos demais em publicar artigos. Na verdade, a vida anda nos presenteando com tantas coisas, projetos, etc, que acabamos falhando no quesito divulgação.

2018 foi um ano de coisas boas e importantes acontecendo. Nos nosso dois projetos, Yvy Porã com sua característica de acolhimento e transição de famílias que desejam viver no campo, e em Waikayu com sua proposta de produção, incluindo todas áreas de um design em Permacultura muitos aprendizados e realizações. E, englobando todos os projetos, vem a nossa atuação na formação e divulgação da Permacultura.

Para “colocar a conversa em dia”, iniciamos hoje uma sequência de 3 postagens sobre o ano que passou. A primeira dela terá o enfoque mais geral da divulgação da permacultura, cursos e ações em que participamos. A segunda falará sobre o projeto Waikayu e finalmente a terceira sobre Yvy Porã.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, nuvem, céu, planta, atividades ao ar livre e natureza

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Formação de Instrutores 2018

A permacultura é uma ferramenta importante, que aparece na década de 70, quando Bill Mollison e David Holmgren fazem uma grande síntese de ecologia prática, propondo a criação de sistemas humanos sustentáveis. Até hoje, os passos e a metodologia proposta seguem sendo um caminho de desenhar e projetar sustentabilidade. Mollison propôs uma ferramenta básica para iniciar a formação de um permacultor, num curso chamado Permaculture Design Course – PDC. Este curso tem um currículo proposto num documento chamado Syllabus, publicado pela primeira vez em 1983.

Há anos, a discussão sobre o rigor e qualidade dos PDCs permeia a discussão dos permacultores, e neste ano de 2018, foi publicado um documento importante , assinado pelos pioneiros da permacultura no Brasil, com parâmetros importantes para cursos PDCs no Brasil. Este documento não busca uma reserva de mercado, apenas dar orientações para quem busca este curso sobre o que deve procurar e esperar deles, pontuando também o que não faz parte desta formação.

Entendemos que o Brasil é enorme e merece muitos bons instrutores de cursos de permacultura no modelo proposto por Mollison no PDC. E um bom instrutor é , sem dúvida, um bom permacultor, com alguns anos de prática e muito estudo. Existem permacultores espalhados, trabalhando nos interiores do país, com comunidades locais, muitos envolvidos em projetos sociais, outros se dedicando à espaços familiares, outros dentro das urbes, atuando em periferias,  etc. Como instrumentalizar estas pessoas neste caminhar?

Na foto acima o grupo de permacultores na formação para instrutores em Cerrito- 2018. Esta sempre foi uma preocupação nossa, e há tempos, a cada dois ou três anos,  nos dedicamos a uma formação específica para estes permacultores, num curso onde o foco é como ensinar permacultura , tanto na parte de instrumentos pedagógicos, como um aprofundamento e estudo do Syllabus de Bill Mollison. Este é o curso “PDC, medos, instrumentos e desafios”, que busca respaldar e dar ferramentas para instrutores de curso PDC. O grupo que se forma é composto exclusivamente por permacultores convidados, por nós, ou permacultores sérios e conhecidos que devem estar dentro dos critérios estabelecidos:  ter feito um PDC reconhecido ( com currículo do Syllabus), ter pelo menos dois anos de trabalho e prática em permacultura. Na foto abaixo Pedro Marcos explicando os cultivos de verão e inverno ao grupo.

O curso propõe 20 horas on line, na modalidade EAD, com atividades e fóruns, e depois mais 80 horas presenciais, onde o estudo e as discussões sobre os conceitos fundamentais de cada bloco do Syllabus vão ampliando a visão do curso PDC. O grupo de instrutores organiza , planeja, e desenvolve os trabalhos coordenados por Suzana e Jorge, e contando com a participação de Gardel Silveira e Pedro Marcos Ortiz. Na foto abaixo aula de aquicultura do Gardel.

A realização da parte presencial do curso é em Cerrito, onde temos, na parceria entre os sítios Raízes e Waikayu, dos permacultores Eluza e Pedro Marcos Ortiz, Suzana Maringoni e Jorge Timmermann,  a prática de permacultura, numa área de 60 hectares, com todas as zonas propostas num design acontecendo há 20 anos: desde a zona 1, com suas construções, passando por manejo de pequenos e grandes animais, pomares em escala, e implementação de exploração de madeira e pastoreio arbóreo.

Na foto abaixo a turma de instrutores formada em Cerrito, gente fazendo permacultura em MS, SP, RJ, RS, SC e CE:  em pé da esquerda para a direita Suzana, Adriana , Andressa, Waldomiro, Mateus, Wilson, Robson, Jorge, Otávio e Pedro Marcos. Sentados, Ciçô, Rogério, Marjory, João Ricardo, Luiz Felipe, Carlos Augusto e  André.

No anos de 2018, como absoluta exceção, tivemos duas destas formações uma aqui no espaço de Waikayu Raízes, em São José do Cerrito, SC, e outra no Crato, Ceará. A exceção ocorreu pois ao fazermos a lista dos possíveis permacultores a serem convidados, nos deparamos com um número bastante representativo de gente atuando há tempos e com muita seriedade no Ceará. Na foto abaixo, Jorge conversando com Marcelo, Paulo e Nagoy Sol na chapada do Araripe.

Então, em diálogo com alguns destes atores locais, decidimos que respaldar este movimento no Ceará, e alguns outros estados nordestino era uma coisa importante. Assim tivemos a formação no Cariri, organizada endogenamente pelo grupo e liderada pelos permacultores Paulo Campos, Luciana Medeiros, Marcelo Casimiro  e Francisco Eli Briseno. Na foto abaixo, Suzana acompanhando os trabalhos em pequenos grupos para  planejar blocos do PDC.

Fora os dez dias on line, onde o grupo foi se conhecendo e realizando as atividades na modalidade EAD, estivemos juntos os dez dias no  Crato, dias de intensas trocas, com núcleos de trabalho fortes em permacultura, no Cariri, em Fortaleza e no noroeste cearense, incluindo os velhos amigos de Sobral e Jijoca. Além deles, outros dois polos, fora do Ceará, um em Rio de Contas, na Bahia, e outro se iniciando em Pernambuco.

Ao final, uma grande alegria, de ter contribuído para um permacultura séria e consistente, de atores locais fortes e animados. Abaixo a foto do grupo na visita à Floresta Nacional do Araripe.

E a foto oficial com o certificado do curso. Da esquerda para a direita, de pé  Mário,  Maria Eugênia, Suzana, Nagoy Sol, David, Jorge, Cláudia Rejane e Brisa. Abaixados Paulo, Clarice, Luciana, Jasmim, Emanuelle, Eli, Edurado, Marco George, Sarah, Marcelo, Elis, Paulo Sérgio, Mariana e Alice.

Bora, gente, vamos permaculturizar este Brasil, com Abertura, Rigor e Tolerância. Gente boa, fazendo o bem e bem feito!

Publicado em Espaço Waikayu, Zona 3 - cultivos em escala

Árvores e sustentabilidade

Muitas vezes nos perguntam sobre o que a permacultura acha das agroflorestas, e do cultivo com árvores. E a resposta é sempre: não existe sustentabilidade sem árvores, todo e qualquer manejo, desenho, projeto, só funciona com árvores, muitas árvores.

Todas as culturas e impérios que acabaram com suas florestas, acabam sucumbindo, quem não se lembra das aulas de história sobre a mesopotâmia, o vale rico entre o Tigre e Eufrates? Primeiro grande desastre antrópico, de fim das florestas e salinização dos solos por irrigação?

Pois então… A permacultura, quando de sua origem, tem dois pais, David Holmgren e Bill Mollison. David Holmgren, um grande e meticuloso estudioso, cita algumas das suas bases de estudo para a permacultura , Howard  e Eugene Odun com as questões relativas à organização dos sistemas ( energia, economia e ecologia),  Yeomans com a linha chave, Fukuoka com a agricultura natural. Ao propor o Design em permacultura, trazendo o projeto de sistemas humanos sustentáveis,  David e Bill bebem destas fontes, e no design, as árvores tem papel principal.

A agroecologia é a produção de alimentos usando a ecologia como base, modelo e princípios. Ainda que mudem e inventem nomes e nomes, onde a necessidade de cunhar o “novo” toma fôlego, a agricultura com árvores e usando a favor a energia dos sistemas já é algo falado e refalado, seja pelos irmãos Odum, por Gliessman, Fukuoka e tantos outros como Ernst Götsch.  Sem árvores, não há vida! Não há agricultura.

Nos projetos de Yvy Porã e  Waikayu, o elemento árvore aparece de diversas maneiras, como na restauração da mata nativa, no plantio de espécies comestíveis, perenes e de espécies madeireiras. Na postagem de hoje, vamos falar sobre o manejo de espécies madeireiras.

Estas árvores requerem cuidados e manejos, como a roçada das pastagens no verão, enquanto são pequenas e os animais não podem entrar para pastar entre elas. E algumas podas de inverno dos galhos baixos, durante os primeiros anos de crescimento. Algumas delas, por distintos fatores, podem crescer muito “desordenadamente”, o que determina o uso para lenha ou para madeiras para construção (tábuas, caibros, etc).

Em Waikayu temos talhões, de mais ou menos um hectare cada um, de diferentes espécies madeireiras, como bracatingas, eucaliptos e pinus que nasceram espontaneamente.  O mais antigo, com quatro anos, é de eucaliptos Dunii e Bentami, espécies de madeira vermelha, dura, resistentes ao frio,   usadas para construção.

Estas plantas, agora com 4 anos , e algumas que precisaram ser repostas, com dois anos, estão indo muito bem, como mostra a foto acima (em primeiro plano as plantas com dois anos, atrás a grande, com 4 anos). E agora,  neste inverno, tiveram a poda dos galhos baixos. Na foto abaixo, as mesmas três plantas depois da poda.

Esta poda produz  um fuste mais reto, e permite maior entrada de luz, deixando assim, que a pastagem nativa cresça e que possamos ter animais de pequeno ou médio porte pastando entre as árvores. Assim, de serrote e tesoura de poda em punho, o trabalho começou, na lua minguando, no início de agosto (meses sem R) e deve seguir por alguns dias.

O bosque vai se abrindo e a poda fica no chão, para se decompor e alimentar o solo. Depois do primeiro dia de trabalho, a entrada de luz já é bem significativa, como mostra a foto abaixo.

 

 

 

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Saber “cientificamente comprovado”

 

Na postagem de hoje, mais uma reflexão do Jorge Timmermann, sobre o cientificismo da sociedade em que vivemos.

Muitas vezes, seja em conversas informais, em cursos, ou mesmo por mail e aqui no blog, me deparo com a seguinte pergunta:

“Entendo o que o senhor disse, porém, poderia tirar uma dúvida? Tem como provar cientificamente que a melhor época do ano, para poda, corta de árvores ou manejo de bambu, seria no inverno quando há menos atividade e circulação de seiva. É que estou fazendo um trabalho, ou pesquisa, ou TCC, Mestrado ou Doutorado, sobre o assunto.”

Esta questão do conhecimento que é “cientificamente comprovado” é alimentado pelo paradigma social, urbano e acadêmico que propicia que o único conhecimento validado é aquele que se gera nas universidades pelos autodenominados cientistas e pesquisadores.
Logo de uma vasta atuação acadêmica e de pesquisa de campo (de 1970-2018) cheguei à conclusão de que é arrogância demais achar que só se sabe no seio da academia.
O conhecimento se gera em todo lugar e a toda hora pelo simples acúmulo de experiência (dados) advindas das observações e ações feitas com intenção; que alias, é o primeiro passo do método científico.
Logo, analisar os dados obtidos com intenção (quer dizer: obtidos tendo um modelo descritivo dos fatos a acontecer) e transformá-los em informação é só um passo metodológico que pode ser realizado numa nova fase empírica do processo de produção de conhecimento auto gerenciado que foi promovido por Descartes, e amplamente difundido no meio acadêmico (não sempre muito explícito nem bem conhecido pelos próprios pesquisadores), como o Método Científico.
Nesta fase, logo de gerada a hipótese correspondente, a confrontação dos dados/informação obtidos (que geram um modelo operacional que dará resposta à hipótese) poderão ser modelados em base estatística (previa definição do universo de amostra e a validade da amostra mínima para este universo em referência ao evento a comprovar).
Mas, veja bem, o método de Descartes não faz mais que relatar em forma de “Método” a forma em que sabemos; a nossa capacidade de aquisição de conhecimento, no caso auto gestado, o que fazemos nós os seres humanos.
Toda pessoa que pensa e processa informação (teoria do conhecimento/epistemologia) passa espontaneamente pelos passos do método científico.

Então, o único a discutir é a universalidade de este saber.

Sim, o conhecimento/saber obtido empiricamente por gerações e gerações num determinado lugar é válido só no contexto gerado….
Só que, a resposta a essa pergunta do saber respeito à melhor época de corta e manejo de madeiras é de difusão e consenso mundial!!!!
Todas as culturas vernáculas relacionam o manejo de espécies vegetais (plantação, corta, poda, etc.) a épocas do ano e a fases da lua.
Será que nenhuma delas sabe do que está falando, ou o que estão fazendo?
Deveremos perguntar e promover pesquisas nas universidades para que validem ou neguem esse saber?

Publicado em Energia

A química do processo de produção de Biodiesel

Cumprindo com o prometido na postagem anterior, que discute, energias:  uso e produção ,   a publicação de hoje traz a informação teórica que complementa o oferecido no post da “Produção caseira de Biodiesel”.

A ideia é que quem queira incursionar no processo químico que acontece, possa visualizá-lo e compreendê-lo na sua complexidade. Assim, cada um pode seguir seu estudo, tendo ciência  completa dos passos. Que cada experiência feita, leve à autonomia, e com o estudo, possa  ajustar ou melhorar o processo.

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