Análise dos gastos na construção da Casa da Montanha

Esta análise abre-se explicitando a intenção da construção da casa. Por que fizemos esta casa, como fizemos ? O que nos levou a realizar este projeto não apenas por autogestão, mas colocando literalmente a mão na massa? Além do prazer e da necessidade da construção da Casa da Montanha, existe uma intenção nesta proposta, uma intenção de mostrar que é possível e levantar o aspecto de custos na construção de uma moradia, que na nossa cultura fica sempre vinculada a financiamentos, construtoras, etc.
Nossa intenção pode ser declarada assim: quanto custa uma casa? Que custos são estes?

Aprendemos, há algum tempo, que não existe nada “de grátis” como se diz. Toda ação leva implícito um custo, um preço, que não necessariamente deve ser visto em dinheiro,  aliás, o dinheiro serve só para representar o valor das coisas e dos trabalhos, não é o valor “real” dos mesmos. Alguém paga este custo, ou é outra pessoa, ou a sociedade e/ou o ambiente. Estes dois últimos costumam não ser considerados “custos” nas ações humanas que estão no cotidiano do nosso “estilo de vida”, por exemplo, qual o custo ambiental de um saco de cimento? Certamente é muito mais do que os R$17,50. Mas nossa sociedade costuma fazer de conta que “é de grátis”; e assim nos está indo, vento em popa,  tanto a destruição ambiental, como a exploração do próximo.

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Álbum de fotos: a casa desde o início…

É comum recebermos pedidos para ver como está a casa hoje… Ou então de como foi feito cada coisa! Ou ainda uma dificuldade de mostrar passo a passo como foi este processo, pois são muitas as postagens…

Assim como fizemos com a geodésica, resolvemos montar uma pequeno álbum com as imagens da casa em construção, desde o seu início. Para quem desejar se aprofundar em cada técnica ou etapa, basta buscar nas categorias correspondentes e ver a postagem inteira sobre o assunto.

Assim aqui vai um super resumo em imagens sobre a Casa da Montanha.

O projeto

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Video da Casa da Montanha – março 2010

De tempos em tempos fazemos um pequeno video de como está a casa,  e o último publicado foi em junho de 2009. Pensamos que agora, como estamos “acampando” lá, seria legal compartilhar aqui no blog como está o espaço, para além das fotos!

São dois videos, um olhando por dentro, a parte mais casa, e a outra mais oficina… Com as estantes provisórias, as roupas misturadas com ferramentas, e o Jorge trabalhando na estrutura da pia da cozinha…

O segundo video mostra a parte de fora da casa, hoje já revelando a integração entre zonas zero, um e dois, tratamento das águas cinzas, a oficina,  o início dos canteiros para produção de alimentos, a espiral de ervas, etc…

Esperamos que os visitantes gostem!

Divirtam-se!

Suzana e Jorge

Casa, planejamento, materiais, etc.

Muitas vezes nos perguntam sobre esta ou aquela técnica de construção. Qual a melhor?

Bem, fazer uma casa passa por vários pontos:

– quem são as pessoas que vão morar ali?

– quais os seus desejos e suas necessidades?

– qual o local e o que ele oferece?

– quem vai fazer esta casa?

Nossa casa na montanha teve no mínimo uns 12 projetos, muitos deles antes mesmo de ter a terra! E depois de escolher o local, pelo menos 3 desenhos.

Decidir os materiais e o sitema construitivo é outro trabalho de observação. O que o local me oferece? Nossa vizinha, D. Verônica, poderia construir facilmente com pedras, pois seu pasto tem muitos locais cheios de afloramentos de grandes seixos. Pedro Marcos e Elusa, permacultores de São José de Cerrito, fizeram a reforma da sua casa e construiram metade com super adobe (com a terra vinda da bacia de evapo-transpiração, e a parte de cima com fardos de palha, do arroz colhido nos anos anteriores e enfardado por eles…).

Bem decidir “como e com quê” vou fazer a minha casa é o trabalho do João de Barro, ou dos canários, que fazem o ninho com os materiais que encontram… Em seguida a escolher o material, vem a decisão sobre qual o sistema construtivo…Se escolho uma determinada técnica para fazer minha moradia, seja de cob, taipa, super adobe, pedras, ou fardos de palha, antes de olhar o que o local oferece é como comprar vacas de leite antes de ter um local para elas e como alimentá-las! É o famoso colocar o carro na frente dos bois!

Algumas técnicas, usando diferentes materiais, às vezes caem na graça da mídia, e ai, se torna “a receita”, ou seja, novamente a técnica acima da compreensão e da concepção sobre o que é o ecológico ( eco = casa e lógica = lógica) … Ecologia é observar, interagir, acatar e criar com o que o meio me oferece, não comprometendo gerações futuras.

Em Yvy não temos pedras, temos madeiras, sim, muitas, pois são 72 hectares de mata, e terra, sim, o solo…Para usar apenas madeira teríamos que cortar muitas árvores. Isto não nos agradava muito! Ainda que num manejo correto, isto seja possível.

Nossa opção, depois de viver por quase 3 anos o espaço, observar as estações, o frio, o quente, os ventos etc, foi pela construção com terra e ao sistema escolhido foi a taipa socada com pilares feitos com os eucaliptos locais. Esta escolha levou em conta o conforto térmico, o fato de ser uma técnica simples e de certa maneira leve, e também os nossos tempos para fazê-la! Como temos um solo argiloso e muita umidade, também optamos por fazer os alicerces de pedra, para isolar melhor as paredes do solo.

Escolhidos os materiais e o sitema construtivo, vamos fazer contas! Aqui não são de custos, mas de quantidade de terra. Como se calcula quanta terra vai numa construção?

Comprimento x altura x espessura das paredes.

Mas cuidado ( dica de professora de matemática): transforme todos os dados em uma única unidade ( o metro) antes de fazer as contas! Quer dizer, a espessura, se é de uma parede de 30cm, deverá entrar na contas na unidade metro, ou seja, 0,30m…

Assim calculamos quanta terra iria na nossa casa:

30 metros lineraes de paredes x 2,10m de altura x 0,15m de espessura nos dá aproximadamente 9,5 metros cúbicos de parede. Como assim metro de parede? A taipa trabalha compactando a terra quando ela é socada, assim, ela diminui o volume “original” e apiloada dentro da forma adquire a rigidês estrutural. Então para fazer as paredes devemos ter o dobro de volume de terra porque vamos compactá-la para estabilizar a argila. Então precisamos de uns 20 m³.

E esta terra vem de onde? Tirar isto cavando um buraco, daria uma piscina de 5 x4 m e um metro de profundidade. Mas… não pretendíamos fazer uma piscina!

Uma casa já é um impacto num terreno, então fizemos a escolha por um impacto inicial maior, fazendo um certo movimento de terra para separar este material para as paredes. Assim decidimos “cortar o cucuruto do morro”, e esta foi a única entrada de máquina no terreno. Este trabalho acabou tirando mais terra do que os 20m³ previstos, o que não foi um problema, já que temos no design planejado a construção de uma oficina, ao lado da casa, que também será construída com terra, talvez pau-a-pique…

Na foto abaixo o terreno em seguida à entrada da máquina. O monte à direita é um dos dois montes de terra separados para a obra. O solo superficial, mais rico, foi separado em outro monte para ser usado posteriormente, em canteiros.

terra.jpg

Bem, muitos perguntam pelo uso do super adobe, parece que esta técnica, graças os Globo Repórter sobre construções ecológicas, caiu na moda da mídia, e muitos “descobriram” que se pode construir com terra! Que bom abrir novos horizontes, mas que ruim cairmos no mito da técnica pela técnica! Nesta construção o volume de terra é muito maior, pois a largura é dada pelo tamanho do saco usado, que fica entre 45 ou 60cm de largura! É uma construção sólida, sem dúvida, mas pesada de ser feita e que usa muita terra! Na nossa casa usando este sistema o volume seria facilmente multiplicado por 3 ou 4, ou seja, estaríamos entre entre 60m³ ou 80m³ de terra… é terra, heim!

Sistemas construtivos com terra existem muitos: adobe, cob, taipa socada, pau-a-pique, tijolos de solo cimento…

A escolha é que deve ser uma ação complexa, e usando Basaarab Nicolescu, no “Manifesto da transdiciplinariedade” a complexidade exige “amplitude, tolerância e rigor”.

Amplitude para olhar o entorno e pensar soluções corretas e adequadas.

Tolerância para poder fazer concessões quando estas sejam possíveis e sem consequências para as gerações futuras.

Rigor, para saber recusar, dizer não, ainda que isto nos ponha a ter que decidir e começar planejar tudo de novo!

Se usarmos estes critérios para pensar, planejar e construir nossas moradas ecológicas, estaremos num bom caminho!

A planta baixa

Para que trabalha em escolas, o final do semestre é sempre corrido, muitas coisas a “fechar”… Ainda juntamos PRONERA e cursos, ai a coisa fica complicada mesmo!

Neste junho ainda tivemos dois cursos que Jorge está dando- um PDC em Curitiba, que acabou hoje, outro em Botucatu, de Bio Cosntrução, onde ele vai ministrar uma oficina de biodiesel, que começou hoje!

Assim, nossa casa ficou esperando… E a vontade de estar lá, ainda mais…

Então, como uma maneira de fazer algo, brinquei com o sketchup… Coloquei na perspectiva olhando do teto para baixo e tirei o telhado da casa para poder ser visualizada como será  por dentro!

Então ai está… Com direito a alguns móveis para se ter uma idéia das proporções e de como pretendemos ocupar este espaço!

Em breve retomaremos a obra e ai teremos mais novidades, fotos e processo no blog.

planta-baixa.jpg

O projeto

casaketchup.jpg

Uma das perguntas que me fazem é “E a planta da casa?”.

Bom, este é um projeto que andou, amadureceu muito… Desenhamos, rabiscamos, fizemos mil plantas, até chegarmos à simplicidade da cabana que estamos fazendo.

Estamos na fase da vida que a casa diminui, pois as filhas saem de casa, alçam seus voos. Então, aparece a simplicidade e o singelo, de viver a dois, num espaço gostoso, cômodo, nosso!

O que é desejo: uma bela cama, uma grande cozinha, pois a vida se dá ao redor do alimento, um banheiro com um bom banho e um cantinho para o computador… Ah, e uma varanda é essencial para estar com os amigos numa tarde de sol…

E assim é nossa casa. O projeto é de um ambiente todo integrado, sala, cozinha e quarto, o octógono de 4m de raio. Para um lado puxamos a varanda. Para o outro aparece o reservado do banheiro ( seco, obviamente), com o box dando para a mata, medindo 2x3m. Ele cria os dois “cantos” trapézios, que formam o escritório de um lado, e a lavanderia do outro- para não entrar com botas sujas em casa.

O projeto acima foi feito nas férias forçadas do Jorge, usando um programa chamado sketchup. Aquelas coisas de computador, que se pode entrar, caminhar, etc…

Salvei este ângulo, a face norte, onde se chega na casa, para que se possa ter uma idéia da “cara da casa”… Logo que eu procurarei salvar a planta baixa como JPEG e coloco no blog.