Manutenção da Horta

A maioria das pessoas não pensa em como a comida chega à nossa mesa, que processo foi necessário para que aquela verdura esteja ali. Mas é preciso alimentar esta terra, cuidar dela, preservar os bichinhos que produzem alimento para as plantas! Ou seja, plantar e colher é uma parte, mas alimentar os solos é tarefa contínua e sutil. Foto do nosso canteiro há 3 anos.

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Mais ou menos a cada três ou quatro anos,  é hora de refazer a horta, numa ação de mais impacto, cuidar das bordas e limítes, retirar o material dos caminhos, aquela serragem que compostou e agora vira solo, cheio de minhocas para novos cultivos.

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Poda de parreiras no sítio Raízes

No final do inverno é hora de podar frutíferas, como já foi publicado aqui no blog. Temos a honra de compartilhar a vida e aprender com outros permacultores, e quem nos segue dando aulas sobre parreiras, entre tantas outras coisas é o Pedro Marcos, permacultor de São José do Cerrito, na serra catarinense. Assim, a postagem de hoje é uma aula detalhada sobre poda de parreiras.

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Parreiras necessitam de podas todos os anos, já que as frutas crescem nos ramos do ano. A forma da parreira é dada por esta poda. Depois de frutificar, no outono a planta perde todas as folhas e fica parecendo uma cabeleira de galhos.

Pode-se estruturar o parreiral em espaldeiras, como mostramos nas postagens de Yvy Porã, isto é, nesta estrutura as plantas formam uma estrutura vertical, como um candelabro.

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No parreiral do Pedro e Elusa, no sítio Raízes, as parreiras são latadas, isto é, a estrutura é horizontal, quer dizer, as plantas crescem e formam como um telhado afastado do chão.

Podar não é uma ciência exata, é mais intuitiva e prática, de observar e ir associando forma x função, assim, a cada tanto, é preciso uma poda mais radical, para corrigir erros de anos anteriores. assim foi a poda deste ano! Vamos à aula!

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Verão, vida e alegrias

Desde que começamos a publicar neste blog, o verão sempre se mostrou uma época atrapalhada, com férias, viagens etc. Este ano de 2015 não foi diferente! Além das visitas de amigos e familiares, estamos a mil com a obra do projeto Waikayu, na serra, que exigiu nossa presença mais constante por lá… Fora isso, foi um verão especialíssimo, com o nascimento da nossa primeira netinha, Mariana. Assim, a vida explodiu, e sobrou pouco tempo para publicar artigos neste blog.

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A construção na serra, que segue um padrão completamente distinto do que foi Yvy, já que estamos com uma equipe trabalhando lá, vai indo super bem e cada etapa está sendo publicada no blog Waikayu.

Assim, nosso verão segue, em Yvy as gramíneas explodem em verde, e o trabalho cotidiano é praticamente apenas cortar a grama e fazer as coroas com a palhada nos pés das frutíferas.

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Como na nossa zona um e dois plantamos cará moela, ou cará do ar ao lado de cada frutífera, este é o momento em que esta plantinha solta seus baraços, e cresce. Na foto acima os carás podem ser observados, são esta trepadeira de folhas na forma de um coração. Em breve em vários nós de inserção da folha,  irá começar a crescer os frutos ( que na verdade são caules reservantes), uma excelente opção alimentícia, que substitui batatas e é um cultivo super simples, numa estrutura vertical.

Nesta estação em que a vida explode em flor, em crianças que chegam, a reflexão vai mais fundo, junto com as emoções… E a convicção de que construir uma cultura permanente não é apenas uma moda, mas uma obrigação ética, de deixar um mundo sustentável e com opções, água boa, alimentos de verdade, ar, mato, etc para as Marianas que vem chegando! Que cada um e todos nós façamos as nossas partes!

 

 

A primavera e as uvas

Primavera é uma época linda! As plantas se enchem de folhas, o verde e as cores explodem… Frutinhas como amoras, pitangas, e os pêssegos de variedades precoces começam a dar seus frutos em Yvy.

DSCN2244O parreiral, mostrado no momento da sua poda de inverno, se pintou de verde e, como resultado dos dois últimos anos de manejo mais cuidadoso, já dá mostras de recuperação. Explodindo em um verde lindo, e cheio de cachinhos de uva!

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Quando da frutificação, logo no início da primavera, crescem as folhas e os pequenos frutos. Ai quando estes tomam forma, e as pontas das parras começam a se enrolar demais com sua vizinha, fazemos a poda verde. Nesta poda se contam 3 folhas depois do último fruto e se corta. Assim a planta fica mais forte para nutrir aqueles frutos.

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Agora é ir acompanhando o amadurecimento dos frutos, diz-se que os grãos se enchem, e vão ficando doces- não se engane, a cor nem sempre indica a madurez dos frutos… Aqui usamos o tradicional “paladar” a partir de ver as uvas gordinhas e escuras, vamos experimentando…  servido?

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Formigas não são todas iguais!

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Um dos grandes visitantes indesejados em uma casa e um canteiro são as formigas, na foto acima um formigueiro de lava-pés, aquelas formiguinhas vermelhas e pequenas, moradoras dos nossos pomares. Ou não! Não somos especialistas em formigas, um ser fascinante, e que existem muitas. Como horticultores distinguimos as formigas apenas por seus hábitos alimentares: carnívoras ou herbívoras.

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O grande temor de um horticultor ou agricultor são as cortadeiras, que são herbívoras vorazes.  Ainda que se saiba que elas estão fazendo um grande favor a longo prazo, já que estão depositando no subsolo muita matéria orgânica, as cortadeiras competem conosco pelo alimento da nossa horta ou pomar… O que fazemos com elas? Descobrimos que onde tem algumas outras formigas, as cortadeiras não aparecem. Ou seja, onde temos formigas carnívoras, como as lava-pés e outras, as cortadeiras não ficam. Bem… é necessário cuidado, pois não é brincadeira pisar num ninho de lava-pés, mas atrair estas formiguinhas para perto da horta foi uma boa experiência de manejo (“controle biológico”) de espécies indesejadas!

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Outro fenômeno muito interessante é a “Correção”, que é um momento em que o formigueiro inteiro sai da toca, e varre uma região, mostrado nas duas fotos desta postagem. Já vimos isto acontecer aqui em Yvy várias vezes, e não deixa de ser assustador e lindo! As formigas carnívoras saem em bando e limpam o local, não sobram grilos, baratinhas, aranhas, etc. Elas literalmente fazem uma limpeza! Aqui também, não fique no caminho, pois elas irão picar e é bem dolorido!

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Assim, bem vindas as formigas, bem vindo o equilíbrio e o mutualismo cooperativo… Que sigamos observando e aprendendo com a natureza!

Manutenção- cuidados com a horta e a casa

Verão chegando, época em que a grama cresce, tudo explode em verde, lindo, mas… trabalhoso, pois a grama também toma conta dos caminhos. Um problema e uma oportunidade! Este excedente de biomassa da roçada dos caminhos é um excelente material para refazer os canteiros, abastecendo-os de palhada. Canteiros pertinho da casa são espaços  para cultivo de alimentos, mas também são espaços de embelezamento, de contato com a terra, de viver os tempos e os ciclos da natureza! Aproveitamos a presença e disposição dos nossos estagiários argentinos, e fizemos uma força tarefa para este trabalho.

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Zona 1- fartura na produção de alimentos

Na permacultura o conceito de moradia inclui a casa, seu saneamento básico, coleta de água, e produção de alimentos. Alguns permacultores se nomeiam jardineiros, pois olham o seu quintal como uma grande possibilidade de produção de alimentos, com horta, algumas pequenas frutíferas, o que leva à noção de fartura que pode-se ter um quintal. Nesta postagem, buscamos ilustrar um pouco como as conecções entre ações na casa podem gerar fartura, bonito de ver, gostoso de comer e esteticamente lindo.

Do círculo de bananeiras, que processa a água do banho, pia e bidê do banheiro, as bananas frutificam, dando um enorme cacho, doce, tivemos que escorar a bananeira, tamanho era o peso das frutas. Depois, foi compartilhar com amigos, já que é muita banana para uma família só consumir. Outra diferença é colher uma banana que começa a amadurecer no pé, o que é um sabor completamente distinto da fruta colhida verde e amadurecida a força nas bancas do supermercado.

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Colhendo abacaxi

Na permacultura dizemos que a zona 1, da casa, deve resolver problemas imediatos da vida de uma família, como moradia, água potável, saneamento básico e o mínimo da alimentação. No entorno da casa, a horta e as frutíferas, produzem alimento, temos ainda os círculos de bananeiras que tratam os efluentes, as águas cinzas. Estes círculos também são áreas de produção intensiva de alimentos, com bananas, taiobas e abacaxis.

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Quando fizemos a geodésica, a palha veio do CEASA, com muitas coroas de abacaxi, que foram plantadas no círculo em frente à casa, que recebe as águas cinzas do banheiro. As mudas devagar foram crescendo e levaram alguns anos para frutificar, visto que plantamos as coros do fruto, e não as mudinhas que vem junto a haste quando  a planta frutifica.

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Neste verão de 2013, colhemos o primeiro fruto: um delicioso abacaxi, no verão, como é bom no verão! E junto com o que colhemos, na mesma haste, vem as pequenas mudas, como mostra a foto acima.

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Cada pequena muda é separada e plantada, algumas no mesmo círculo onde a mãe seguirá dando frutos a cada ano. Outras, num outro canteiro, na borda da Casa da Montanha.

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E assim são feitos os pequenos grandes prazeres, que é plantas, ver crescer e colher um simples abacaxi! Afinal, não é assim também a vida?

Zona 3- cultivo de milho, feijão, fava

Na postagem anterior explicamos alguns pontos básicos do Design em Permacultura, falando sobre as zonas. Até hoje, em Yvy Porã, tivemos muitas experiências nas zonas 0, 1 e 2, com as construções, cultivos nos canteiros e com as frutíferas. Com a presença do Martin e da Rafa veio a proposta de fazermos uma pequena zona 3, no pequeno vale entre a Casa da Montanha e o terreno onde Bel e Mariani pretendem fazer sua moradia. Esta área de 5m por 50, na orientação Norte Sul, estava reservada para uma roça desde nossos primeiros estudos do espaço, por apresentar uma terra bastante fértil, ser protegida tanto de grandes ventos, como de excesso de sol.  Assim, com a disposição deste jovem amigo, resolvemos fazer nossa primeira roça.
Primeiro passo: roçar a área, retirando a vegetação, para poder limpar, e preparar os berços para o plantio.


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Cultivos e árvores – SAFs

A permacultura propõe a organização da propriedade através de uma metodologia de design, que nada mais é um projeto ao longo do tempo, considerando as características do local, como relevo, clima, orientação solar, etc, e também a energia do trabalho que as pessoas colocam, de acordo com isto, se organizam setores e zonas. A zona zero é a casa, a zona 1, o entorno da casa, com sua produção de alimentos, criação de pequenos animais, minhocário, etc. Nestas duas zonas é onde ficamos a maior parte do tempo e onde se gasta grande parte da nossa energia na forma de trabalho. A zona 2 são as frutíferas e algum cultivo de alimentos, também próximo à casa. Depois vem a zona 3, com cultivos anuais, as “roças” de grãos, criação de animais em maior escala, pastos, etc. Finalmente vem a zona 4, onde copiamos a floresta, recriamos as florestas, com diferentes manejos segundo seja o enfoque; podemos ter florestas de lenha, madeira, mães escolhidas para sementes, etc. Por último a zona 5, nossa sala de aula, a Floresta… Em muitas propriedades é apenas possível ter até a zona 2 ou 3, pelo seu tamanho. Na figura abaixo o design feito em 2006 para a casa da Montanha.

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