Bases para um Curso de Design em Permacultura

A Permacultura vem crescendo na sua divulgação, e isso é muito bom de ver, afinal, queremos mais e mais permacultores agindo pelo mundo.

Este crescimento traz também alguns problemas, como pessoas usando o termo, dando cursos, sem a devida formação. Um curso de design em Permacultura, chamado pela sigla PDC é a base da formação de um permacultor, e aqui mesmo neste blog já publicamos sobre a seriedade desta formação. Queremos contribuir cada vez mais neste processo.

Com a propagação de cursos sem o devido cuidado e estrutura, o “Cuidado com as pessoas” fica absolutamente em segundo plano, e começam a aparecer problemas que vão desde cursos superficiais até casos extremos de assédios. Há um ano foi publicado um documento chamado Manifesto dos Aprendizes de Permacultura. Este documento mobilizou, em cada permacultor, quais ações poderíamos fazer para melhorar o aprendizado e as vivências em permacultura.

Os permacultores mais experientes, com história no Brasil, Marsha Hanzi, Claudio Sanchotene Trindade, Jorge Timmermann, Suzana Maringoni, André Soares, Lucy Legan, Peter Webb, João Roquete, Marcelo Bueno,  Carlos Miller, Skye, Ivone Riquelme, Sérgio Pamplona, preocupados com os fatos citados, formaram um grupo virtual e conversaram.

O resultado, foi que este grupo aí escreveu e publica hoje em conjunto, cada um nas suas redes sociais , sites ou blogs, um documento denominado Bases para o Curso de Design em Permacultura.

Ficamos felizes em compartilhar tal produção, fruto da maturidade deste grupo de permacultores que atuam há anos na formação das novas gerações. Esperamos contribuir com a divulgação e o crescimento da permacultura de forma responsável e consistente.

Bases para um Curso de Design em Permacultura

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Ecodesenvolvimento e Permacultura

Na postagem de hoje um artigo escrito por Jorge Timmermann, permacultor, biólogo, ecólogo, formado pela Universidade Nacional de Córdoba (Ar). Atuou como pesquisador e docente na  Universidad Nacional de Catamarca, Universidad Provincial de La Rioja. Também trabalhou como coordenador regional no Programa Nacional Algarrobo (desenvolvimento de áreas marginais), pesquisador e entomólogo no combate à doença de Chagas (Univ. Nacional de Córdoba), com participação no Serviço Nacional de Chagas (Gov. Argentino). Permacultor desde 1998, diplomado como Designer e instrutor de PDC por Bill Mollison em 2002. Participou da formação com David Holmgren para permacultores em 2007.Fundador do IPAB, da extinta Rede Brasileira de Permacultura, rede Permear, das estações de Permacultura de Yvy Porã e Waikayu em Santa Catarina.

 

 

Ecodesenvolvimento e Permacultura

Jorge Timmermann

O conceito Ecodesenvolvimento foi cunhado nos anos 70 como resposta ao marco polêmico que existia, entre os que queriam o desenvolvimento a qualquer preço e os ambientalistas. Isto acontecia na primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente em Estocolmo. Maurice Strong propôs este termo. Logo, foi ampliado pelo economista Ignacy Sachs, que o levou a outras dimensões: a econômica, a social, a cultural e a gestão participativa, além da preocupação com o meio ambiente.

Quando conheci a ecologia, nos idos anos 70, a questão fundamental a ser tratada, para resolver os problemas ambientais, era a diminuição imediata e/ou acabar com a “degradação ambiental” e a “poluição”. Estes dois conceitos eram cerne da questão ecológica. Toda a ciência ecológica, sua metodologia e ações eram orientadas a manter o mundo habitável, para nós e para as gerações futuras.

Com o passar dos últimos 50 anos, nunca deixou de me surpreender como os discursos vão mudando e as modas vão puxando os indivíduos para longe do objetivo principal (terminar com a degradação e a poluição) para levar-nos a infindáveis discussões, nos encaminhando para ações que, com muita sorte, serão meros paliativos ou simplesmente nos desorientam do que é realmente importante.

Na década de 1980 (em 1987), a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – CMMAD, adotou o conceito de Desenvolvimento Sustentável em seu relatório Our Common Future (Nosso Futuro Comum). Nós, os ecólogos de campo, presenciamos estarrecidos como o establishment conseguia um novo triunfo negando o claro, comprometido e proativo conceito de ‘Ecodesenvolvimento” pelo moderno, estético, vago e obscuro “Desenvolvimento Sustentável”.

O que todos entendíamos como um compromisso irredutível, desde o ponto de vista ecológico, era como se deviam desenvolver os projetos ligados ao ambiente, sempre sustentados num tripé metodológico, com seu foco nas questões: ambientais, sociais e econômicas, definidas no Ecodesenvolvimento. Ou seja, com ações que priorizem a conservação ambiental (que reduzam a degradação e evitem a contaminação) que sejam socialmente justas (sem discriminação, segregação e igualando as oportunidades) economicamente viáveis (que gerem benefícios sem destruir o capital natural). Estes pontos claríssimos e inconfundíveis do Ecodesenvolvimento, transformou num obscuro justificar a sustentabilidade de um projeto pela simples sustentabilidade econômica, relegando a questão ambiental e social a um segundo plano ou esquecendo delas.

Passados os anos e salvando as distâncias observo como ainda não abordamos a questão principal com o devido cuidado. Continuamos desenvolvendo a nossa cultura, num contexto finito, provocando degradação e poluição

Fomos induzidos a acreditar que: “sempre os problemas foram criados por outros”. Que são as diferenças políticas, econômicas e/ou as duas juntas “o poder” que são os responsáveis pelo estado calamitoso da nossa gestão ambiental (ecossistemas e humanidade).

Falamos que o maior impacto ambiental (medido em porcentagem planetária de degradação de ecossistemas, perda de solos, erosão genética, etc.) foi provocado nos últimos duzentos anos. Então a culpa é da “revolução industrial”, da “revolução verde”… E se isto não for suficiente apelaremos a culpar os Impérios…

Estes cenários exemplificados, e muitos outros possíveis, são fatores concretos que levam, objetivamente, ao desfecho da crise ambiental; só que a situação atual requer de uma nova abordagem.

O nosso gênero, homo, vem transitando o planeta Terra há milhões de anos. Na sua passagem deixou um rastro permanente de degradação e/ou poluição, é só lembrar-se da salinização dos campos irrigados da mesopotâmia pelos Babilônios; a domesticação de espécies animais e vegetais que reduziu nossa dieta farta e variada a poucas variedades de espécies únicas, em prol da eficiência econômica ou diminuição de esforço com a consequente destruição e degradação de ecossistemas prístinos e criando assentamentos humanos massivos e altamente impactantes; etc.

Assim, o nosso impacto permanente e contínuo, foi se agudizando na medida em que o crescimento populacional acontecia. Há relativamente pouco tempo, algumas décadas, que somos conscientes dos “limites ao crescimento” (livro publicado pelo Club de Roma, 1972); então, já é hora de assumir esta nova realidade (que nossos antecessores não tinham) e começar a agir coerentemente com ela. Este agir é individual, intransferível e cotidiano.

Então, quando conheci à Permacultura (e lá se vão 20 anos), fiquei muito animado ao conhecer o contexto ideológico e ético da proposta da permacultura. Ela nos remete a esta ação individual, com responsabilidade e autonomia.

A sua ideologia é embasada na ecologia, e às vezes falamos que Permacultura é ecologia prática, proativa; seus princípios de ação e sua metodologia promovem, continuamente, a criação de uma cultura humana permanente.

Sua ética reflete fielmente a base do ecodesenvolvimento citadas neste texto.

O cuidado com a Terra e O cuidado com as pessoas responde ao imperativo de não degradar. Assim, nossas atividades de cunho puramente econômico, sem reconhecer o ambiente, e os indivíduos, só fazem tremer as bases ambientais, que são os ecossistemas e as pessoas que o habitam. A degradação dos ecossistemas conleva à degradação humana.

E o terceiro princípio ético, Limites ao consumo e à reprodução, e redistribuição dos excedentes? Considero a poluição ligada intimamente à quantidade, quer dizer: não é só a qualidade de um produto (veneno, adubo, etc.) ou de uma ação (despejar, não tratar, etc.) o que polui; é a quantidade deles que pode afetar de forma irreversível aos ecossistemas. Por isto a questão dos limites é tão clara e importante, nos remete à ações concretas, vivenciadas diariamente por todo e qualquer humano, esteja ele em que contexto estiver. Em relação à redistribuição dos excedentes, estamos frente a questão da igualdade de oportunidades e isto tem a ver com discriminação, exclusão, exploração, e todas as formas injustas de toma de poder.

Citei anteriormente meu entusiasmo, como ecólogo, ao conhecer a Permacultura. Esta alegria me contagiou e levou a abraçar esta ciência, filosofia e prática, por reconhecer que ela trazia respostas concretas à crise civilizatória que vivemos, e o mais interessante, ao alcance das mãos de qualquer pessoa. E o ponto que norteia toda a gama de ações da permacultura na sua concepção e na sua expressa declaração de princípios éticos, responde aos imperativos ecológicos declarados há décadas e nunca bem resolvidos: acabar com a “degradação ambiental” e a “poluição”.

A proposta de solução à crise dada pela permacultura, nos seus princípios éticos e princípios de design, pode reverter atitudes da cultura atual que priorizam o bem estar individual e o ter, que se define em prol de interesses mesquinhos.

Compreendamos o que David Holmgren e Bill Mollison pretenderam com o enunciado dos “Princípios Éticos da Permacultura”, eles propõem com clareza e concretude filtros de ações para que o homo sapiens consiga reverter o processo suicida da humanidade e construir uma cultura permanente; basta ter:

-Cuidado com a Terra

-Cuidado com as Pessoas

-Limites ao consumo e à procriação, e redistribuição dos excedentes.

Revista Permacultura Brasil

Os permacultores Suzana e Jorge vem participando do projeto PERMAFORUM, que quer ser um espaço de materiais para estudo de artigos, tese, etc sobre permacultura.
No permaforum, juntamente com Sérgio Pamplona, do sítio Nós na Teia,  estamos publicando a revista Permacultura Brasil, e achamos importante compartilhar aqui no blog de Yvy Porã tal iniciativa.
Abaixo o texto de divulgação da revista.
Estamos orgulhosos desta divulgação, semana a semana, e esperamos contribuir para a divulgação deste importante material, que faz parte da história da permacultura no Brasil. Por isso, seguimos publicando o texto introdutório deste material: um reconhecimento às pessoas que fizeram a revista circular entre os anos de 1998 e 2004.
Com uma tiragem pequena de apenas 1000 exemplares, distribuição limitada, trabalho voluntário, mas conteúdo de primeira, ela ainda hoje surpreende aqueles que folheiam um exemplar pela qualidade da informação.
Era para ser trimestral, mas nunca conseguiu. Foram ao todo 16 edições, que fizeram muito pela divulgação da permacultura entre nós, em um tempo em que ela ainda era uma ilustre desconhecida.
Há pouco tempo, alguns jovens permacultores se deram ao trabalho de digitalizar todas essas edições, por acharem que essa informação deveria estar disponível para todos. Não temos como discordar. A partir deste momento, vamos publicar todas essas 16 edições da Permacultura Brasil neste PermaForum.
Queremos com isso, além de divulgar boa informação, fazer um reconhecimento e homenagem a todos os que deram seu tempo e energia para que ela viesse a existir, e que, por isso mesmo, fazem parte da história da permacultura no Brasil.
Ali Sharif (in memoriam), que viu a necessidade de uma publicação e bancou a revista com recursos da PAL (Permacultura America Latina).
André Soares, que ajudou a criar e a dar o pontapé inicial na revista.
Lucy Legan, que propôs e escreveu uma sessão infantil para cada edição.
Fernando J. Soares, que pegou o bastão e editou sozinho as edições de 1 a 5.
Sérgio Pamplona, que editou as revistas de 6 a 12 sozinho, e co-editou da 13 à 16.
Nina Rodrigues, que editou as edições de 13 a 16.
Adriana Morbeck, que administrou a empreitada a partir da edição 6.
E a todos os colaboradores e colaboradoras que mandaram excelentes artigos e matérias que ao final formaram esse acervo de informação. Esperamos que a divulgação virtual e gratuita deste rico material sobre permacultura inspire e estimule muitas pessoas na construção da cultura de permanência que tanto precisamos.

“Simplesmente” viver a Permacultura!

Quando nos perguntam o que é permacultura sempre dá aquele branco, e brincando dizemos “quer a resposta curta ou a longa? Quanto tempo tens para ouvir a resposta?”. Brincadeiras á parte, na resposta curta dizemos que é ecologia prática, para criar ambiente humanos sustentáveis. A resposta longa implica em uma conversa mais longa sobre ética e ecologia, e um estímulo a fazer um PDC, de nove dias, ai fica bom! Também convidamos as pessoas a nos visitarem, seja pelo blog ou, pessoalmente.

Dizemos que a permacultura sem os permacultores simplesmente não existe , por este motivo seguimos dando um PDC por ano, em Yvy Porã, e colaborando na formação de instrutores de permacultura pelo Brasil. A permacultura não é religião, não é messianica, mas um conjunto de princípios, regidos por uma ética “cuidar do planeta, cuidar das pessoas, compartilhar excedentes e restringir consumo”. Esta é a zona zero da Permacultura, a área onde todas as nossas atenção e energia são colocadas, para depois passarmos a construir o espaço sustentável.

Em 2007, por ocasião da vinda de David Holmgren ao Brasil, organizada pela rede Permear, tivemos a honra e o prazer de convivermos durante dez dias com David e Su Dennet em nossa casa. Além do curso, foram muitas conversas à mesa ao longo dos dias.

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Permacultura democrática, endógena e social

No relato da história da Permacultura publicado neste blog, contamos um aspecto mais geral do Brasil. Hoje seguimos neste resgate. Pensamos que muitas vezes o papel dos mais velhos é trazer a história do que uma cultura viveu, para que os mais novos conheçam. Esta é nossa intenção hoje, nesta postagem que trará mais detalhadamente a permacultura em Santa Catarina, local onde vivemos e atuamos mais intensamente nestes quase 20 anos de permacultura.

Em muitos momentos a permacultura é rotulada como elitista, algo de classe média ou alta. Talvez esta visão seja pautada basicamente pelo fato de que a divulgação de cursos seja o que mais apareça nas redes socais e que realmente abarca este público. Questionamos profundamente esta visão, por que realmente acreditamos que muitos trabalhos com o foco da permacultura aconteçam por ai, em todos o país e poucos deles tem “tempo” para publicar isso no Facebook. Na nossa atuação como permacultores desde 1998, (Jorge) e 2002 (Suzana) participamos de processos e projetos sociais, que formaram muitos permacultores em âmbitos fora das cidades, semeando muitas possibilidades e trabalhos por ai.

Por isso, nesta postagem, que também conta mais um pouco sobre a história da Permacultura no Brasil, vamos resgatar projetos que participamos, em Santa Catarina.

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Uma breve história da Permacultura no Brasil- 1992 a 2007

De tempos em tempos as pessoas nos pedem, como permacultores mais velhos, que contemos a história da permacultura no Brasil. Já demos entrevistas, fizemos breves relatos, mas, desta vez, decidimos sentar e escrever. Não existe relato isento, toda história tem a ver com o olhar e sentimento de quem a viveu. E ainda assim, cada um vive de uma maneira a mesma situação. Então, aqui fazemos apenas um relato daquilo que vivemos, entre os anos 1998 e 2007, de forma mais detalhada.

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Por que somos permacultores

Muitas vezes nos perguntam o que é Permacultura? Ou o por que fazemos permacultura?

Dizemos que permacultura é mais um modo de vida, permeado por uma filosofia de cuidado com o outro, com o planeta e compartilhando excedentes. Para isso se usam muitas e muitas técnicas, adaptadas ao seu contexto e ao seu modo de ser.

Há vinte anos, quando falávamos a palavra permacultura, a pergunta vinha de imediato: “perma o quê?”… Hoje em dia, há diferentes correntes e vozes pelo mundo todo, que de uma ou de outra forma, apontam a princípios de cidadania planetária. Nesta direção também aponta a ética da Permacultura, que é a necessidade de restringir consumo e compartilhar excedentes. Independente de ser permacultura ou outros movimentos, como o de decrescimento, a ideia de fundo é a mesma: deixar condições de vida para as futuras gerações, cuidando da nossa casa- o planeta Terra.

Assim, a postagem de hoje é um pequeno video, muito bom, explicando nossa crise atual, que não é apenas econômica, social, cultural, é isso e tudo o mais, dizemos que é uma crise civilizatória. Entendemos que este video explica plenamente o por que fazemos permacultura… São apenas 6 minutos para pensar! Aproveitem!

 

Permacultura em Cuba- uma publicação livre

Permacultura é uma ciência relativamente nova, assim, a bibliografia sobre o tema é um tanto quanto restrita, ainda mais em português, isto explica a nossa alegria em publicar neste blog, inteiramente livre para download, um belo livro sobre a exepriência com Permacultura em Cuba, traduzido por Jorge Timmermann, que escreve o prefácio à edição brasileira, transcrito abaixo.

Agradecemos o despreendimento  da Fundación Antonio Núñez Jiménez de la Natureza y el  Hombre, na pessoa de María Caridad Cruz Hernández, na condição de autora principal da obra original em castelhano “Permacultura Criolla” , pela cessão dos direitos autorais e autorização para esta publicação livre neste blog.

micro Capalp2   As obras já traduzidas de permacultura para o português, em geral, são os manuais de introdução, que abastecem a primeira leitura e embasam no sentido do que é a permacultura, sua proposta de metodologia e ações. Receber um livro de relatos com embasamento sobre a prática da permacultura, por si só já foi um belo presente, ainda mais especial por estar num contexto social histórico e cultural tão especial como é Cuba nas últimas décadas. O livro parte do contexto urbano em Cuba, nas décadas de embargo, usa conceitos de sustentabilidade e a permacultura, para criar soluções à crise, reinventando o modo de viver, de abastecer, de ser solidário e socialmente responsável. Vemos que é possível, em todos os contextos, a construção de alternativas sadias e viáveis à contaminação e à degradação ambiental e humana. Havia, já há alguns anos, muitas informações, por vezes bastante desencontradas, sobre o que se passava em Cuba após a queda do campo socialista e a desintegração da antiga URSS no que diz respeito à produção de alimentos e a Permacultura. Sabíamos que alguma solução estava sendo encaminhada, mas não sabíamos a quantidade, nem a intensidade, das ações desenvolvidas pelo povo cubano. O livro “Permacultura Criolla”, nome original em castelhano, esclarece uma série de inconsistências sobre estas informações e nos leva a desvendar um pouco os caminhos trilhados pelos seus habitantes, sobretudo, os urbanos. Tanto assim que achei por bem propor, como um dos nomes para a versão em português, o título de  “Permacultura Urbana, uma experiência Cubana”. O texto é excelente e encorajador, talvez um dos mais concretos e viáveis que eu já li. Os relatos vão contando as experiências do dia a dia, seja nas famílias, sejam nos bairros, mostrando como com boas idéias e afinco é possível resolver os problemas para a satisfação das necessidades básicas das pessoas. A partir da iniciativa muito bem representada na primeira imagem do livro, a chegada dos permacultores da ” Brigada da solidariedade ―Cruzeiro do Sul” procedente da Austrália e Nova Zelândia, muita coisa aconteceu num denso e fecundo lapso de dez anos nessa terra tão querida para todos os latinoamericanos. O livro, escrito a muitas mãos, nos traz na diversidade de práticas e pontos de vista, um enorme acervo de experiência e ações concretas. Isto nos mostra a viabilidade da permacultura praticada num contexto de tempo e espaço, envolvendo em um diálogo profundo os atores locais e companheiros de outros países. Como indica um dos princípios propostos por David Holmgren, “integrar ao invés de segregar!”, a vivência cubana, relatada nesta obra, mostra como é possível, a partir da integração das culturas e de saberes distintos, chegar ao design de assentamentos humanos sustentáveis aproveitando o contexto natural e histórico. As experiências permaculturais em Cuba trazem, para todos nós, uma abordagem da permacultura na prática, num contexto absolutamente real tanto no aspecto local como na necessidade e na preeminência histórica onde estas se desenvolveram. Isto deve encorajar a todos nós, permacultores ou não, a agir e reagir frente ao que nos questionamos em relação a valores, sociedade, comunidade, alimentação, etc. Depois de muitos anos de espera… vem à público esta obra traduzida há nove anos. Inicialmente o livro sairia por uma editora paulista, mas frente a muitos problemas, a empresa acabou não publicando a obra. Foram muitas as idas e voltas do material sem chegar a seu destino, que não é outro que a sua pronta publicação. Em 2015, numa gestão direta, encaminhada por mim, fez-se contato com a Fundação Antonio Núñez Jiménez da Natureza e o Homem, na pessoa de María Caridad Cruz Hernández, na condição de autora principal da obra original em castelhano “Permacultura Criolla”. A conseqüência desta gestão foi a cessão de direitos autorais para a publicação e difusão gratuita do livro, agora titulado “Permacultura-UmaExperienciaCubana”, na sua versão em português. Esta publicação será livre para download no site http://YvyPorã.wordpress.com. Jorge Timmermann Dipl.Perm.Des. (tradutor).

Um novo projeto- permacultura na serra catarinense

Andamos meio “sumidos” deste blog, ou no mínimo, as postagens tem demorado um tantinho mais a aparecer! Por um lado, talvez, seja a rotina de viver no campo, as coisas não nos parecem assim tão “relevantes” para uma postagem… Um tatu que revira a horta, o adubar as frutíferas,  fazer placas de “rua se saída” para evitar um erro do GPS, etc.

Outro fator, é que estamos envolvidos em uma outra frente, que neste momento, nos demanda atenção e energias. Já há alguns anos começamos o projeto Waikayu, lá na serra, em São José do Cerrito, juntamente com os amigos Pedro Marcos e Elusa- que já apareceram aqui em várias postagens, como a produção de suco de uva, ou na colheita de pinhões.

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Bem, já havíamos feito um grande plantio de frutíferas em 2013, e em junho de 2014, finalmente começamos a construção da casa lá. Desta vez a obra está sendo feita com a equipe do Juliano, uma moçada nova, natural e residentes em Cerrito, onde tem grande prática em construções convencionais, que toparam o desafio desta obra e vem trabalhando super bem, aprendendo sobre construções naturais.

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Optamos por montar um novo blog, por entender que cada um dos projetos tem alma própria e pode seguir com sua página distinta. Yvy Porã, Waikayu e o sítio Raízes, estão sob o guarda-chuva chamado VOLVITARE, como uma proposta de exemplos de vida sustentável.volvitare laranja

Assim, para quem queira acompanhar o que andamos fazendo em permacultura lá na serra, seja bem vindo ao Projeto Waikayu. Neste momento as postagens estão bem focadas na construção da casa, com etapas bem distintas e explicativas! Vamos navegar?