Permacultura democrática, endógena e social

No relato da história da Permacultura publicado neste blog, contamos um aspecto mais geral do Brasil. Hoje seguimos neste resgate. Pensamos que muitas vezes o papel dos mais velhos é trazer a história do que uma cultura viveu, para que os mais novos conheçam. Esta é nossa intenção hoje, nesta postagem que trará mais detalhadamente a permacultura em Santa Catarina, local onde vivemos e atuamos mais intensamente nestes quase 20 anos de permacultura.

Em muitos momentos a permacultura é rotulada como elitista, algo de classe média ou alta. Talvez esta visão seja pautada basicamente pelo fato de que a divulgação de cursos seja o que mais apareça nas redes socais e que realmente abarca este público. Questionamos profundamente esta visão, por que realmente acreditamos que muitos trabalhos com o foco da permacultura aconteçam por ai, em todos o país e poucos deles tem “tempo” para publicar isso no Facebook. Na nossa atuação como permacultores desde 1998, (Jorge) e 2002 (Suzana) participamos de processos e projetos sociais, que formaram muitos permacultores em âmbitos fora das cidades, semeando muitas possibilidades e trabalhos por ai.

Por isso, nesta postagem, que também conta mais um pouco sobre a história da Permacultura no Brasil, vamos resgatar projetos que participamos, em Santa Catarina.

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Uma breve história da Permacultura no Brasil- 1992 a 2007

De tempos em tempos as pessoas nos pedem, como permacultores mais velhos, que contemos a história da permacultura no Brasil. Já demos entrevistas, fizemos breves relatos, mas, desta vez, decidimos sentar e escrever. Não existe relato isento, toda história tem a ver com o olhar e sentimento de quem a viveu. E ainda assim, cada um vive de uma maneira a mesma situação. Então, aqui fazemos apenas um relato daquilo que vivemos, entre os anos 1998 e 2007, de forma mais detalhada.

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Por que somos permacultores

Muitas vezes nos perguntam o que é Permacultura? Ou o por que fazemos permacultura?

Dizemos que permacultura é mais um modo de vida, permeado por uma filosofia de cuidado com o outro, com o planeta e compartilhando excedentes. Para isso se usam muitas e muitas técnicas, adaptadas ao seu contexto e ao seu modo de ser.

Há vinte anos, quando falávamos a palavra permacultura, a pergunta vinha de imediato: “perma o quê?”… Hoje em dia, há diferentes correntes e vozes pelo mundo todo, que de uma ou de outra forma, apontam a princípios de cidadania planetária. Nesta direção também aponta a ética da Permacultura, que é a necessidade de restringir consumo e compartilhar excedentes. Independente de ser permacultura ou outros movimentos, como o de decrescimento, a ideia de fundo é a mesma: deixar condições de vida para as futuras gerações, cuidando da nossa casa- o planeta Terra.

Assim, a postagem de hoje é um pequeno video, muito bom, explicando nossa crise atual, que não é apenas econômica, social, cultural, é isso e tudo o mais, dizemos que é uma crise civilizatória. Entendemos que este video explica plenamente o por que fazemos permacultura… São apenas 6 minutos para pensar! Aproveitem!

 

Permacultura em Cuba- uma publicação livre

Permacultura é uma ciência relativamente nova, assim, a bibliografia sobre o tema é um tanto quanto restrita, ainda mais em português, isto explica a nossa alegria em publicar neste blog, inteiramente livre para download, um belo livro sobre a exepriência com Permacultura em Cuba, traduzido por Jorge Timmermann, que escreve o prefácio à edição brasileira, transcrito abaixo.

Agradecemos o despreendimento  da Fundación Antonio Núñez Jiménez de la Natureza y el  Hombre, na pessoa de María Caridad Cruz Hernández, na condição de autora principal da obra original em castelhano “Permacultura Criolla” , pela cessão dos direitos autorais e autorização para esta publicação livre neste blog.

micro Capalp2   As obras já traduzidas de permacultura para o português, em geral, são os manuais de introdução, que abastecem a primeira leitura e embasam no sentido do que é a permacultura, sua proposta de metodologia e ações. Receber um livro de relatos com embasamento sobre a prática da permacultura, por si só já foi um belo presente, ainda mais especial por estar num contexto social histórico e cultural tão especial como é Cuba nas últimas décadas. O livro parte do contexto urbano em Cuba, nas décadas de embargo, usa conceitos de sustentabilidade e a permacultura, para criar soluções à crise, reinventando o modo de viver, de abastecer, de ser solidário e socialmente responsável. Vemos que é possível, em todos os contextos, a construção de alternativas sadias e viáveis à contaminação e à degradação ambiental e humana. Havia, já há alguns anos, muitas informações, por vezes bastante desencontradas, sobre o que se passava em Cuba após a queda do campo socialista e a desintegração da antiga URSS no que diz respeito à produção de alimentos e a Permacultura. Sabíamos que alguma solução estava sendo encaminhada, mas não sabíamos a quantidade, nem a intensidade, das ações desenvolvidas pelo povo cubano. O livro “Permacultura Criolla”, nome original em castelhano, esclarece uma série de inconsistências sobre estas informações e nos leva a desvendar um pouco os caminhos trilhados pelos seus habitantes, sobretudo, os urbanos. Tanto assim que achei por bem propor, como um dos nomes para a versão em português, o título de  “Permacultura Urbana, uma experiência Cubana”. O texto é excelente e encorajador, talvez um dos mais concretos e viáveis que eu já li. Os relatos vão contando as experiências do dia a dia, seja nas famílias, sejam nos bairros, mostrando como com boas idéias e afinco é possível resolver os problemas para a satisfação das necessidades básicas das pessoas. A partir da iniciativa muito bem representada na primeira imagem do livro, a chegada dos permacultores da ” Brigada da solidariedade ―Cruzeiro do Sul” procedente da Austrália e Nova Zelândia, muita coisa aconteceu num denso e fecundo lapso de dez anos nessa terra tão querida para todos os latinoamericanos. O livro, escrito a muitas mãos, nos traz na diversidade de práticas e pontos de vista, um enorme acervo de experiência e ações concretas. Isto nos mostra a viabilidade da permacultura praticada num contexto de tempo e espaço, envolvendo em um diálogo profundo os atores locais e companheiros de outros países. Como indica um dos princípios propostos por David Holmgren, “integrar ao invés de segregar!”, a vivência cubana, relatada nesta obra, mostra como é possível, a partir da integração das culturas e de saberes distintos, chegar ao design de assentamentos humanos sustentáveis aproveitando o contexto natural e histórico. As experiências permaculturais em Cuba trazem, para todos nós, uma abordagem da permacultura na prática, num contexto absolutamente real tanto no aspecto local como na necessidade e na preeminência histórica onde estas se desenvolveram. Isto deve encorajar a todos nós, permacultores ou não, a agir e reagir frente ao que nos questionamos em relação a valores, sociedade, comunidade, alimentação, etc. Depois de muitos anos de espera… vem à público esta obra traduzida há nove anos. Inicialmente o livro sairia por uma editora paulista, mas frente a muitos problemas, a empresa acabou não publicando a obra. Foram muitas as idas e voltas do material sem chegar a seu destino, que não é outro que a sua pronta publicação. Em 2015, numa gestão direta, encaminhada por mim, fez-se contato com a Fundação Antonio Núñez Jiménez da Natureza e o Homem, na pessoa de María Caridad Cruz Hernández, na condição de autora principal da obra original em castelhano “Permacultura Criolla”. A conseqüência desta gestão foi a cessão de direitos autorais para a publicação e difusão gratuita do livro, agora titulado “Permacultura-UmaExperienciaCubana”, na sua versão em português. Esta publicação será livre para download no site http://YvyPorã.wordpress.com. Jorge Timmermann Dipl.Perm.Des. (tradutor).

Um novo projeto- permacultura na serra catarinense

Andamos meio “sumidos” deste blog, ou no mínimo, as postagens tem demorado um tantinho mais a aparecer! Por um lado, talvez, seja a rotina de viver no campo, as coisas não nos parecem assim tão “relevantes” para uma postagem… Um tatu que revira a horta, o adubar as frutíferas,  fazer placas de “rua se saída” para evitar um erro do GPS, etc.

Outro fator, é que estamos envolvidos em uma outra frente, que neste momento, nos demanda atenção e energias. Já há alguns anos começamos o projeto Waikayu, lá na serra, em São José do Cerrito, juntamente com os amigos Pedro Marcos e Elusa- que já apareceram aqui em várias postagens, como a produção de suco de uva, ou na colheita de pinhões.

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Bem, já havíamos feito um grande plantio de frutíferas em 2013, e em junho de 2014, finalmente começamos a construção da casa lá. Desta vez a obra está sendo feita com a equipe do Juliano, uma moçada nova, natural e residentes em Cerrito, onde tem grande prática em construções convencionais, que toparam o desafio desta obra e vem trabalhando super bem, aprendendo sobre construções naturais.

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Optamos por montar um novo blog, por entender que cada um dos projetos tem alma própria e pode seguir com sua página distinta. Yvy Porã, Waikayu e o sítio Raízes, estão sob o guarda-chuva chamado VOLVITARE, como uma proposta de exemplos de vida sustentável.volvitare laranja

Assim, para quem queira acompanhar o que andamos fazendo em permacultura lá na serra, seja bem vindo ao Projeto Waikayu. Neste momento as postagens estão bem focadas na construção da casa, com etapas bem distintas e explicativas! Vamos navegar?

A Casa da Montanha no programa Atitude

Há algumas semanas entrou em contato conosco a equipe da produção do programa Atitude, da TV da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. A proposta do programa é mostrar atitudes que façam a diferença conciliando desenvolvimento e preservação ambiental. Então, na data marcada recebemos a equipe, Deluana Buss e Luis Guilherme Sella, em Yvy Porã, numa bela tarde de sol de outono.

Muita conversa, muitas imagens, vencer a timidez  e lá foi a gravação. Agora, ai vai o link do programa sobre Yvy Porã, que foi ao ar no dia 7 de maio de 2013. A equipe toda do programa, o nosso muito obrigado, e esperamos outras visitas, para um chá ou pizza, ou apenas ver o céu estrelado nas noites de inverno!

Multiplicando a Permacultura por ai…

Nos Cursos PDC que ministramos por ai encontramos e interagimos nove dias com muitas pessoas. Cada um seguirá seu caminho, aplicando o que achou importante! Somos rigorosos frente a este compromisso,  pois nos sentimos responsáveis pela formação como permacultor de cada uma destas pessoas, isto já foi inclusive assunto de postagem anterior.

Muitas vezes, depois de um bom tempo, as pessoas retomam contato com a gente, ou recebemos notícias de excelentes trabalhos feitos por estes permacultores que fizeram o curso conosco. Isto é um orgulho, e uma enorme recompensa, posso mesmo dizer que é uma energia que nos abastece e nos deixa bem feliz.

Há dois anos, no PDC de Cerrito de 2011, uma turma jovem veio lá de Santa Maria, RS. Eram 4,  apertados num chevete, com uma barraca que entrava água, e um colchão que precisava ser inflado novamente no meio da noite… Fizeram o curso com seriedade, deixaram desenhos, um filtro dos sonhos, e boas lembranças. Era uma turma alegre, os mais jovens do curso, com um astral super legal!  Na foto abaixo, Tânia Mara e a dupla de Santa Maria, Tiago e Greice, plantando uma alface.

O tempo passou, e tivemos pouco contato com eles, alguma mensagem via Facebook, mas pouca coisa! Ai, há uns 2 meses, retomaram contato, e soube do excelente trabalho do Tiago Rossi, Greice Perske e Adriano Figueiró, no TCC para a Universidade de Santa Maria.  Com muito orgulho, publicamos aqui o link em PDF do trabalho deles, com crianças, usando o livro “Lendas do Saber- permacultura e histórias para cuidar da Terra e das pessoas”. Cada vez mais, ficamos orgulhosos dos jovens que seguem espalhando a permacultura com seriedade e responsabilidade! Parabéns, amigos!

COMPREENDENDO OS PADRÕES DA NATUREZA: PRÁTICAS DE PERMACULTURA E EDUCAÇÃO
AMBIENTAL EM UMA ESCOLA RURAL

Análise dos gastos na construção da Casa da Montanha

Esta análise abre-se explicitando a intenção da construção da casa. Por que fizemos esta casa, como fizemos ? O que nos levou a realizar este projeto não apenas por autogestão, mas colocando literalmente a mão na massa? Além do prazer e da necessidade da construção da Casa da Montanha, existe uma intenção nesta proposta, uma intenção de mostrar que é possível e levantar o aspecto de custos na construção de uma moradia, que na nossa cultura fica sempre vinculada a financiamentos, construtoras, etc.
Nossa intenção pode ser declarada assim: quanto custa uma casa? Que custos são estes?

Aprendemos, há algum tempo, que não existe nada “de grátis” como se diz. Toda ação leva implícito um custo, um preço, que não necessariamente deve ser visto em dinheiro,  aliás, o dinheiro serve só para representar o valor das coisas e dos trabalhos, não é o valor “real” dos mesmos. Alguém paga este custo, ou é outra pessoa, ou a sociedade e/ou o ambiente. Estes dois últimos costumam não ser considerados “custos” nas ações humanas que estão no cotidiano do nosso “estilo de vida”, por exemplo, qual o custo ambiental de um saco de cimento? Certamente é muito mais do que os R$17,50. Mas nossa sociedade costuma fazer de conta que “é de grátis”; e assim nos está indo, vento em popa,  tanto a destruição ambiental, como a exploração do próximo.

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