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CONTEXTO CONCEITO CONTEÚDO

Os 3 Cs,  de onde vieram? O que são?

Falamos que a permacultura não é um conjunto de técnicas, mas muito mais uma proposta de ética, que para ser aplicada usa princípios de design e finalmente, escolhe técnicas apropriadas a este ou aquele contexto. A partir deste olhar, junto a minha história de vida como educadora surgiu a proposta dos três “C”:

Contexto- Conceito- Conteúdo

Disso falamos muito nos cursos, em conversas com permacultores e também neste blog. Mais de uma vez nos pediram referências de onde saiu esta síntese. É disto que se trata esta postagem, da origem dos “Três Cs”.

Há alguns anos, que remontam à década de 2000, começamos a trazer para as formações de permacultores educadores e posteriormente para as formações de instrutores de curso de design em permacultura ( PDC) embasamentos de educação, com estudos que propunham um diálogo entre Paulo Freire, Vygostki, Piaget, Fernando Hernández, Phelippe Perrenoud, Pichon Rivière; e os criadores da permacultura Bill Mollison e David Holmgren. A proposta era embasar e instrumentalizar permacultores com ferramentas básicas da pedagogia, manejo de grupos, etc. Assim aconteceram várias reuniões da Rede Permear e, posteriormente, outros cursos.

Na foto abaixo a formação de instrutores 2011 , na escola Autonomia em Florianópolis.

Cada um destes cursos propostos e mediados por mim, traziam o fazer cotidiano aprofundado nos 25 anos de atuação na Escola Autonomia, de Florianópolis e também a atuação na educação de jovens e adultos do campo no PRONERA UFSC, I-Terra RS e no projeto Saberes da Terra.

Na foto abaixo, atividade do projeto Transdisciplinar na Escola Autonomia de Florianópolis,ano 2009.

 

Falar um pouco da minha atuação na Autonomia se faz necessário, por fazer parte da minha história e construção, amadurecimento e engajamento na educação, foi ali que “nasceu” a síntese dos 3Cs. Nesta escola, além da atuação em sala de aula, também fazia assessoria com professores mais jovens sobre como trabalhar com projetos de aprendizagem, o que era uma proposta diferenciada da escola. A síntese dos três Cs se fez com base no construtivismo, isto é, que as crianças traçassem o caminho de questionar-se, construir um conhecimento, mais do que decorar e simplesmente reproduzir os conteúdos curriculares.

Explicando: a escola chamada tradicional ensina conteúdos, raramente explica a ideia, o conceito por trás dos mesmos, e mais raramente ainda dá a resposta aos educandos quando eles perguntam “onde e quando vou usar isso?”, principalmente à medida em que os conteúdos se tornam mais complexos.

Como um educador planeja sua atuação, tendo em vista a realidade da década de 2000, dos tempos escolares (200 dias letivos), carga horária e conteúdo curricular da disciplina? Bem, pensar sobre o tripé educando (quem são estes sujeitos, faixa etária, interesses, contexto social, etc), educador (quem sou, interesses, familiaridade, etc), e finalmente conteúdos (o que o social e historicamente a sociedade espera que eu ensine à esta nova geração neste momento, nesta disciplina) traz a ideia de pensar um problema para propor ao grupo, que leve à necessidade de uma determinada ferramenta para a sua solução (conteúdo).

Na foto abaixo, a construção de uma mini oca, com o primeiro ano  da professora Gi, em 2012. Esta oca era a tenda dos livros num projeto de alfabetização.

Para trabalhar com projetos a ideia é justamente partir de um problema significativo para os sujeitos envolvidos, o que não quer dizer um espontaneísmo, ou deixar o grupo num compasso de espera para decidir o que pesquisar. Os projetos de pesquisa tem como base um problema proposto para que o grupo desenvolva pesquisas e soluções, e neste caminhar acontece a aprendizagem. O problema a ser proposto tem como base no tripé formado educando- educador- conteúdos e nesta interação acontece a construção de conhecimentos.

Na foto abaixo, a turma de 3º ano da professora Lucrécia,que tinha  um projeto de horta, e contou com a assessoria do Jorge. Neste projeto estudaram medidas,  seres vivos e alimentação.

Com isso se muda a perspectiva de processo, que não deve ter como prioridade apenas os conteúdos. A perspectiva é o CONTEXTO (sujeitos, sociedade onde vivem ) CONCEITO ( qual a ideia que o problema traz) e finalmente o CONTEÚDO ( a ferramenta que será usada na resolução do problema), e chagamos ao conhecimento e a uma aprendizagem significativa. Um dos exemplos para ilustrar é na matemática, o aprendizado da regra de três para crianças de 12 anos. A regra de três é a ferramenta, a técnica, o conteúdo: Se a/b = c/d então a.d = b.c. Qual o CONCEITO que dá origem a esta regra? É um dos conceitos mais importantes para o ensino de matemática, estatística, física, química, entre outras: o conceito de Proporção. Mas onde este conceito surge e onde faz sentido? Qual o CONTEXTO onde ele aparece? E qual o Contexto que faz sentido e desperte a curiosidade para crianças de 12 anos? %, densidade populacional, estatísticas sobre assuntos diversos, etc.

Nas fotos acima e  abaixo, Suzana numa saída de estudos  da escola Autonomia à São José do Cerrito, no projeto “Duas cidades diferentes, ou nem tanto” onde matemática, geografia e língua Portuguesa estudavam Florianópolis e Cerrito, com dados estatísticos e culturais. Este projeto com os sétimos anos aconteceu de 2002 a 2012, e teve variadas formas, mas o impactante era que pré adolescentes urbanos conhecessem a vida de uma cidade pequena e rural,  percebendo a diversidade do mundo, culturas, e a relação campo-cidade e a interdependência  entre todos.

O diagrama abaixo ilustra a ideia de quem “cabe” em quem: o conteúdo cabe no conceito, pois tem sua origem nele. O conceito cabe e tem sua origem num contexto, em determinando momento sócio-historico-cultural- ambiental.

Esta estratégia de repensar o conhecimento coloca o educador numa outra relação com seus saberes e pensar em como tudo faz sentido para o outro, numa:

Educação amorosa e altruísta, pensando sobre o pensar do outro.

Isto extrapola os limites das disciplinas escolares , e pode ser usado em qualquer contexto de aprendizagem, formal e informal.

Quando me construo como permacultora, após meu PDC com Jorge Timmermann, em 2002, passo a compartilhar os saberes de educadora no contexto de permacultores, seja no blog de Yvy Porã iniciado em 2007, seja nos encontros e cursos de formação de permacultores – educadores; também aqui os três Cs mostram-se super adequados, e passam a outro patamar, extra escolar.

Muitas vezes percebo, no blog ou em conversas, que as pessoas entendem a permacultura como conjunto de técnicas. Isto pode ser o como usar super adobe para fazer uma casa, sem sequer ter o terreno para a construção da mesma; ou querer plantar mirtilos na Bahia; ou pedem para fazermos cálculos para a cisterna, sem saber quanto chove no local. Talvez isso aconteça pela grande carência das pessoas em buscar receitas ou respostas imediatas e simples aos seus problemas. Para sair da armadilha das receitas, a volta aos 3Cs sempre ajuda, por exemplo, sobre a construção da casa: “onde você está? Qual o clima, qual o terreno? Qual a ideia para sua casa? Quem vai morar nela? Que material tens disponível? Isso leva a refletir sobre o CONTEXTO. Os CONCEITOS vem a seguir, e são construir com materiais locais, uma moradia adequada, confortável, design solar, emissão zero. Só então, e finalmente vem a técnica ou o CONTEÚDO: será de super adobe, ou taipa leve, vai ter banheiro seco ou com água, qual a melhor posição no terreno, etc.

Outra pergunta recorrente, que pode ajudar a exemplificar os 3 Cs é sobre saneamento, por exemplo: banheiro seco ou banheiro com água? Banheiro com ou sem água são opções e para cada uma podem ter mais de uma técnica, um conteúdo. O conceito que vem antes é o princípio de não poluir. Quem deveria definir que banheiro será feito é o contexto , ou seja, local, clima, oferta de água, pessoas que utilizarão as instalações.

Ou seja, sintetizando:

Contexto– é o que norteia suas ações e decisões… Onde está, quais os princípios éticos que vai seguir, quem você é e em qual ambiente se encontra, o que o meio te oferece?

Conceito– os princípios mais detalhados, ou seja, o “por que” fazer algo de uma ou outra forma. Qual a ideia fundamental que será o crivo? Como permacultores: leitura de paisagem, segurança, busca de fechar ciclos, conectar elementos, baixíssimo impacto ambiental, não desperdiçar, etc.

Conteúdo– aqui entram as técnicas e materiais que são muitos, variados e fáceis de se achar na internet.

Então, este é o relato de como uma síntese feita numa educação amorosa e respeitosa com as novas gerações, dialogou com o ser permacultora e vem ajudando nos diálogos produtivos com educadores e permacultores. Minha alegria é enorme e para mim, fica demostrado, mais uma vez que, seja nas aulas de matemática na Escola Autonomia, ou numa resposta no blog de Yvy a ética de CUIDAR DAS PESSOAS permeando nossas ações sempre rendem bons frutos.

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O grande medo ao terceiro princípio da permacultura

Nesta postagem, mais uma reflexão do Jorge Timmermann, sobre a ética da Permacultura.

A permacultura desde sua origem, na de David Holmgren e Bill Mollisonn, propõe suas ações em uma ética clara, objetiva e  francamente declarada. Sem dúvida  a ética da permacultura propõe muitas reflexões e base para ações concretas. Nestas reflexões, aparecem artigos e ponderações de permacultores ao redor do mundo.

Em referência ao artigo publicado como “The Controversial Third Ethic of Permaculture” no site do Permaculture Research Institute (PRI) da Austrália, e outras iniciativas de protelar o importante para discutir o espúrio,  como é o artigo “Cuidar do Futuro” do autor, Milton Dixon, publicado originalmente no site Permaculture Pruductions LLC, é que escrevo esta postagem.

Resultado de imagem para Ethic of Permaculture”

Discutir interpretações e oferecer diferentes orientações respeito ao referido terceiro princípio ético da permacultura é, no mínimo, uma perda de tempo… ou o que eu penso, uma forma de tirar o foco do que é fundamental para nos desgastarmos no que é supérfluo.

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Bases para um Curso de Design em Permacultura

A Permacultura vem crescendo na sua divulgação, e isso é muito bom de ver, afinal, queremos mais e mais permacultores agindo pelo mundo.

Este crescimento traz também alguns problemas, como pessoas usando o termo, dando cursos, sem a devida formação. Um curso de design em Permacultura, chamado pela sigla PDC é a base da formação de um permacultor, e aqui mesmo neste blog já publicamos sobre a seriedade desta formação. Queremos contribuir cada vez mais neste processo.

Com a propagação de cursos sem o devido cuidado e estrutura, o “Cuidado com as pessoas” fica absolutamente em segundo plano, e começam a aparecer problemas que vão desde cursos superficiais até casos extremos de assédios. Há um ano foi publicado um documento chamado Manifesto dos Aprendizes de Permacultura. Este documento mobilizou, em cada permacultor, quais ações poderíamos fazer para melhorar o aprendizado e as vivências em permacultura.

Os permacultores mais experientes, com história no Brasil, Marsha Hanzi, Claudio Sanchotene Trindade, Jorge Timmermann, Suzana Maringoni, André Soares, Lucy Legan, Peter Webb, João Roquete, Marcelo Bueno,  Carlos Miller, Skye, Ivone Riquelme, Sérgio Pamplona, preocupados com os fatos citados, formaram um grupo virtual e conversaram.

O resultado, foi que este grupo aí escreveu e publica hoje em conjunto, cada um nas suas redes sociais , sites ou blogs, um documento denominado Bases para o Curso de Design em Permacultura.

Ficamos felizes em compartilhar tal produção, fruto da maturidade deste grupo de permacultores que atuam há anos na formação das novas gerações. Esperamos contribuir com a divulgação e o crescimento da permacultura de forma responsável e consistente.

Bases para um Curso de Design em Permacultura

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Ecodesenvolvimento e Permacultura

Na postagem de hoje um artigo escrito por Jorge Timmermann, permacultor, biólogo, ecólogo, formado pela Universidade Nacional de Córdoba (Ar). Atuou como pesquisador e docente na  Universidad Nacional de Catamarca, Universidad Provincial de La Rioja. Também trabalhou como coordenador regional no Programa Nacional Algarrobo (desenvolvimento de áreas marginais), pesquisador e entomólogo no combate à doença de Chagas (Univ. Nacional de Córdoba), com participação no Serviço Nacional de Chagas (Gov. Argentino). Permacultor desde 1998, diplomado como Designer e instrutor de PDC por Bill Mollison em 2002. Participou da formação com David Holmgren para permacultores em 2007.Fundador do IPAB, da extinta Rede Brasileira de Permacultura, rede Permear, das estações de Permacultura de Yvy Porã e Waikayu em Santa Catarina.

 

 

Ecodesenvolvimento e Permacultura

Jorge Timmermann

O conceito Ecodesenvolvimento foi cunhado nos anos 70 como resposta ao marco polêmico que existia, entre os que queriam o desenvolvimento a qualquer preço e os ambientalistas. Isto acontecia na primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente em Estocolmo. Maurice Strong propôs este termo. Logo, foi ampliado pelo economista Ignacy Sachs, que o levou a outras dimensões: a econômica, a social, a cultural e a gestão participativa, além da preocupação com o meio ambiente.

Quando conheci a ecologia, nos idos anos 70, a questão fundamental a ser tratada, para resolver os problemas ambientais, era a diminuição imediata e/ou acabar com a “degradação ambiental” e a “poluição”. Estes dois conceitos eram cerne da questão ecológica. Toda a ciência ecológica, sua metodologia e ações eram orientadas a manter o mundo habitável, para nós e para as gerações futuras.

Com o passar dos últimos 50 anos, nunca deixou de me surpreender como os discursos vão mudando e as modas vão puxando os indivíduos para longe do objetivo principal (terminar com a degradação e a poluição) para levar-nos a infindáveis discussões, nos encaminhando para ações que, com muita sorte, serão meros paliativos ou simplesmente nos desorientam do que é realmente importante.

Na década de 1980 (em 1987), a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – CMMAD, adotou o conceito de Desenvolvimento Sustentável em seu relatório Our Common Future (Nosso Futuro Comum). Nós, os ecólogos de campo, presenciamos estarrecidos como o establishment conseguia um novo triunfo negando o claro, comprometido e proativo conceito de ‘Ecodesenvolvimento” pelo moderno, estético, vago e obscuro “Desenvolvimento Sustentável”.

O que todos entendíamos como um compromisso irredutível, desde o ponto de vista ecológico, era como se deviam desenvolver os projetos ligados ao ambiente, sempre sustentados num tripé metodológico, com seu foco nas questões: ambientais, sociais e econômicas, definidas no Ecodesenvolvimento. Ou seja, com ações que priorizem a conservação ambiental (que reduzam a degradação e evitem a contaminação) que sejam socialmente justas (sem discriminação, segregação e igualando as oportunidades) economicamente viáveis (que gerem benefícios sem destruir o capital natural). Estes pontos claríssimos e inconfundíveis do Ecodesenvolvimento, transformou num obscuro justificar a sustentabilidade de um projeto pela simples sustentabilidade econômica, relegando a questão ambiental e social a um segundo plano ou esquecendo delas.

Passados os anos e salvando as distâncias observo como ainda não abordamos a questão principal com o devido cuidado. Continuamos desenvolvendo a nossa cultura, num contexto finito, provocando degradação e poluição

Fomos induzidos a acreditar que: “sempre os problemas foram criados por outros”. Que são as diferenças políticas, econômicas e/ou as duas juntas “o poder” que são os responsáveis pelo estado calamitoso da nossa gestão ambiental (ecossistemas e humanidade).

Falamos que o maior impacto ambiental (medido em porcentagem planetária de degradação de ecossistemas, perda de solos, erosão genética, etc.) foi provocado nos últimos duzentos anos. Então a culpa é da “revolução industrial”, da “revolução verde”… E se isto não for suficiente apelaremos a culpar os Impérios…

Estes cenários exemplificados, e muitos outros possíveis, são fatores concretos que levam, objetivamente, ao desfecho da crise ambiental; só que a situação atual requer de uma nova abordagem.

O nosso gênero, homo, vem transitando o planeta Terra há milhões de anos. Na sua passagem deixou um rastro permanente de degradação e/ou poluição, é só lembrar-se da salinização dos campos irrigados da mesopotâmia pelos Babilônios; a domesticação de espécies animais e vegetais que reduziu nossa dieta farta e variada a poucas variedades de espécies únicas, em prol da eficiência econômica ou diminuição de esforço com a consequente destruição e degradação de ecossistemas prístinos e criando assentamentos humanos massivos e altamente impactantes; etc.

Assim, o nosso impacto permanente e contínuo, foi se agudizando na medida em que o crescimento populacional acontecia. Há relativamente pouco tempo, algumas décadas, que somos conscientes dos “limites ao crescimento” (livro publicado pelo Club de Roma, 1972); então, já é hora de assumir esta nova realidade (que nossos antecessores não tinham) e começar a agir coerentemente com ela. Este agir é individual, intransferível e cotidiano.

Então, quando conheci à Permacultura (e lá se vão 20 anos), fiquei muito animado ao conhecer o contexto ideológico e ético da proposta da permacultura. Ela nos remete a esta ação individual, com responsabilidade e autonomia.

A sua ideologia é embasada na ecologia, e às vezes falamos que Permacultura é ecologia prática, proativa; seus princípios de ação e sua metodologia promovem, continuamente, a criação de uma cultura humana permanente.

Sua ética reflete fielmente a base do ecodesenvolvimento citadas neste texto.

O cuidado com a Terra e O cuidado com as pessoas responde ao imperativo de não degradar. Assim, nossas atividades de cunho puramente econômico, sem reconhecer o ambiente, e os indivíduos, só fazem tremer as bases ambientais, que são os ecossistemas e as pessoas que o habitam. A degradação dos ecossistemas conleva à degradação humana.

E o terceiro princípio ético, Limites ao consumo e à reprodução, e redistribuição dos excedentes? Considero a poluição ligada intimamente à quantidade, quer dizer: não é só a qualidade de um produto (veneno, adubo, etc.) ou de uma ação (despejar, não tratar, etc.) o que polui; é a quantidade deles que pode afetar de forma irreversível aos ecossistemas. Por isto a questão dos limites é tão clara e importante, nos remete à ações concretas, vivenciadas diariamente por todo e qualquer humano, esteja ele em que contexto estiver. Em relação à redistribuição dos excedentes, estamos frente a questão da igualdade de oportunidades e isto tem a ver com discriminação, exclusão, exploração, e todas as formas injustas de toma de poder.

Citei anteriormente meu entusiasmo, como ecólogo, ao conhecer a Permacultura. Esta alegria me contagiou e levou a abraçar esta ciência, filosofia e prática, por reconhecer que ela trazia respostas concretas à crise civilizatória que vivemos, e o mais interessante, ao alcance das mãos de qualquer pessoa. E o ponto que norteia toda a gama de ações da permacultura na sua concepção e na sua expressa declaração de princípios éticos, responde aos imperativos ecológicos declarados há décadas e nunca bem resolvidos: acabar com a “degradação ambiental” e a “poluição”.

A proposta de solução à crise dada pela permacultura, nos seus princípios éticos e princípios de design, pode reverter atitudes da cultura atual que priorizam o bem estar individual e o ter, que se define em prol de interesses mesquinhos.

Compreendamos o que David Holmgren e Bill Mollison pretenderam com o enunciado dos “Princípios Éticos da Permacultura”, eles propõem com clareza e concretude filtros de ações para que o homo sapiens consiga reverter o processo suicida da humanidade e construir uma cultura permanente; basta ter:

-Cuidado com a Terra

-Cuidado com as Pessoas

-Limites ao consumo e à procriação, e redistribuição dos excedentes.

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Revista Permacultura Brasil

Os permacultores Suzana e Jorge vem participando do projeto PERMAFORUM, que quer ser um espaço de materiais para estudo de artigos, tese, etc sobre permacultura.
No permaforum, juntamente com Sérgio Pamplona, do sítio Nós na Teia,  estamos publicando a revista Permacultura Brasil, e achamos importante compartilhar aqui no blog de Yvy Porã tal iniciativa.
Abaixo o texto de divulgação da revista.
Estamos orgulhosos desta divulgação, semana a semana, e esperamos contribuir para a divulgação deste importante material, que faz parte da história da permacultura no Brasil. Por isso, seguimos publicando o texto introdutório deste material: um reconhecimento às pessoas que fizeram a revista circular entre os anos de 1998 e 2004.
Com uma tiragem pequena de apenas 1000 exemplares, distribuição limitada, trabalho voluntário, mas conteúdo de primeira, ela ainda hoje surpreende aqueles que folheiam um exemplar pela qualidade da informação.
Era para ser trimestral, mas nunca conseguiu. Foram ao todo 16 edições, que fizeram muito pela divulgação da permacultura entre nós, em um tempo em que ela ainda era uma ilustre desconhecida.
Há pouco tempo, alguns jovens permacultores se deram ao trabalho de digitalizar todas essas edições, por acharem que essa informação deveria estar disponível para todos. Não temos como discordar. A partir deste momento, vamos publicar todas essas 16 edições da Permacultura Brasil neste PermaForum.
Queremos com isso, além de divulgar boa informação, fazer um reconhecimento e homenagem a todos os que deram seu tempo e energia para que ela viesse a existir, e que, por isso mesmo, fazem parte da história da permacultura no Brasil.
Ali Sharif (in memoriam), que viu a necessidade de uma publicação e bancou a revista com recursos da PAL (Permacultura America Latina).
André Soares, que ajudou a criar e a dar o pontapé inicial na revista.
Lucy Legan, que propôs e escreveu uma sessão infantil para cada edição.
Fernando J. Soares, que pegou o bastão e editou sozinho as edições de 1 a 5.
Sérgio Pamplona, que editou as revistas de 6 a 12 sozinho, e co-editou da 13 à 16.
Nina Rodrigues, que editou as edições de 13 a 16.
Adriana Morbeck, que administrou a empreitada a partir da edição 6.
E a todos os colaboradores e colaboradoras que mandaram excelentes artigos e matérias que ao final formaram esse acervo de informação. Esperamos que a divulgação virtual e gratuita deste rico material sobre permacultura inspire e estimule muitas pessoas na construção da cultura de permanência que tanto precisamos.
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“Simplesmente” viver a Permacultura!

Quando nos perguntam o que é permacultura sempre dá aquele branco, e brincando dizemos “quer a resposta curta ou a longa? Quanto tempo tens para ouvir a resposta?”. Brincadeiras á parte, na resposta curta dizemos que é ecologia prática, para criar ambiente humanos sustentáveis. A resposta longa implica em uma conversa mais longa sobre ética e ecologia, e um estímulo a fazer um PDC, de nove dias, ai fica bom! Também convidamos as pessoas a nos visitarem, seja pelo blog ou, pessoalmente.

Dizemos que a permacultura sem os permacultores simplesmente não existe , por este motivo seguimos dando um PDC por ano, em Yvy Porã, e colaborando na formação de instrutores de permacultura pelo Brasil. A permacultura não é religião, não é messianica, mas um conjunto de princípios, regidos por uma ética “cuidar do planeta, cuidar das pessoas, compartilhar excedentes e restringir consumo”. Esta é a zona zero da Permacultura, a área onde todas as nossas atenção e energia são colocadas, para depois passarmos a construir o espaço sustentável.

Em 2007, por ocasião da vinda de David Holmgren ao Brasil, organizada pela rede Permear, tivemos a honra e o prazer de convivermos durante dez dias com David e Su Dennet em nossa casa. Além do curso, foram muitas conversas à mesa ao longo dos dias.

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Permacultura democrática, endógena e social

No relato da história da Permacultura publicado neste blog, contamos um aspecto mais geral do Brasil. Hoje seguimos neste resgate. Pensamos que muitas vezes o papel dos mais velhos é trazer a história do que uma cultura viveu, para que os mais novos conheçam. Esta é nossa intenção hoje, nesta postagem que trará mais detalhadamente a permacultura em Santa Catarina, local onde vivemos e atuamos mais intensamente nestes quase 20 anos de permacultura.

Em muitos momentos a permacultura é rotulada como elitista, algo de classe média ou alta. Talvez esta visão seja pautada basicamente pelo fato de que a divulgação de cursos seja o que mais apareça nas redes socais e que realmente abarca este público. Questionamos profundamente esta visão, por que realmente acreditamos que muitos trabalhos com o foco da permacultura aconteçam por ai, em todos o país e poucos deles tem “tempo” para publicar isso no Facebook. Na nossa atuação como permacultores desde 1998, (Jorge) e 2002 (Suzana) participamos de processos e projetos sociais, que formaram muitos permacultores em âmbitos fora das cidades, semeando muitas possibilidades e trabalhos por ai.

Por isso, nesta postagem, que também conta mais um pouco sobre a história da Permacultura no Brasil, vamos resgatar projetos que participamos, em Santa Catarina.

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Uma breve história da Permacultura no Brasil- 1992 a 2007

De tempos em tempos as pessoas nos pedem, como permacultores mais velhos, que contemos a história da permacultura no Brasil. Já demos entrevistas, fizemos breves relatos, mas, desta vez, decidimos sentar e escrever. Não existe relato isento, toda história tem a ver com o olhar e sentimento de quem a viveu. E ainda assim, cada um vive de uma maneira a mesma situação. Então, aqui fazemos apenas um relato daquilo que vivemos, entre os anos 1998 e 2007, de forma mais detalhada.

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Por que somos permacultores

Muitas vezes nos perguntam o que é Permacultura? Ou o por que fazemos permacultura?

Dizemos que permacultura é mais um modo de vida, permeado por uma filosofia de cuidado com o outro, com o planeta e compartilhando excedentes. Para isso se usam muitas e muitas técnicas, adaptadas ao seu contexto e ao seu modo de ser.

Há vinte anos, quando falávamos a palavra permacultura, a pergunta vinha de imediato: “perma o quê?”… Hoje em dia, há diferentes correntes e vozes pelo mundo todo, que de uma ou de outra forma, apontam a princípios de cidadania planetária. Nesta direção também aponta a ética da Permacultura, que é a necessidade de restringir consumo e compartilhar excedentes. Independente de ser permacultura ou outros movimentos, como o de decrescimento, a ideia de fundo é a mesma: deixar condições de vida para as futuras gerações, cuidando da nossa casa- o planeta Terra.

Assim, a postagem de hoje é um pequeno video, muito bom, explicando nossa crise atual, que não é apenas econômica, social, cultural, é isso e tudo o mais, dizemos que é uma crise civilizatória. Entendemos que este video explica plenamente o por que fazemos permacultura… São apenas 6 minutos para pensar! Aproveitem!