“Simplesmente” viver a Permacultura!

Quando nos perguntam o que é permacultura sempre dá aquele branco, e brincando dizemos “quer a resposta curta ou a longa? Quanto tempo tens para ouvir a resposta?”. Brincadeiras á parte, na resposta curta dizemos que é ecologia prática, para criar ambiente humanos sustentáveis. A resposta longa implica em uma conversa mais longa sobre ética e ecologia, e um estímulo a fazer um PDC, de nove dias, ai fica bom! Também convidamos as pessoas a nos visitarem, seja pelo blog ou, pessoalmente.

Dizemos que a permacultura sem os permacultores simplesmente não existe , por este motivo seguimos dando um PDC por ano, em Yvy Porã, e colaborando na formação de instrutores de permacultura pelo Brasil. A permacultura não é religião, não é messianica, mas um conjunto de princípios, regidos por uma ética “cuidar do planeta, cuidar das pessoas, compartilhar excedentes e restringir consumo”. Esta é a zona zero da Permacultura, a área onde todas as nossas atenção e energia são colocadas, para depois passarmos a construir o espaço sustentável.

Em 2007, por ocasião da vinda de David Holmgren ao Brasil, organizada pela rede Permear, tivemos a honra e o prazer de convivermos durante dez dias com David e Su Dennet em nossa casa. Além do curso, foram muitas conversas à mesa ao longo dos dias.

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Permacultura democrática, endógena e social

No relato da história da Permacultura publicado neste blog, contamos um aspecto mais geral do Brasil. Hoje seguimos neste resgate. Pensamos que muitas vezes o papel dos mais velhos é trazer a história do que uma cultura viveu, para que os mais novos conheçam. Esta é nossa intenção hoje, nesta postagem que trará mais detalhadamente a permacultura em Santa Catarina, local onde vivemos e atuamos mais intensamente nestes quase 20 anos de permacultura.

Em muitos momentos a permacultura é rotulada como elitista, algo de classe média ou alta. Talvez esta visão seja pautada basicamente pelo fato de que a divulgação de cursos seja o que mais apareça nas redes socais e que realmente abarca este público. Questionamos profundamente esta visão, por que realmente acreditamos que muitos trabalhos com o foco da permacultura aconteçam por ai, em todos o país e poucos deles tem “tempo” para publicar isso no Facebook. Na nossa atuação como permacultores desde 1998, (Jorge) e 2002 (Suzana) participamos de processos e projetos sociais, que formaram muitos permacultores em âmbitos fora das cidades, semeando muitas possibilidades e trabalhos por ai.

Por isso, nesta postagem, que também conta mais um pouco sobre a história da Permacultura no Brasil, vamos resgatar projetos que participamos, em Santa Catarina.

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Inserindo-se na comunidade

A opção de construir um espaço coletivo, ou uma eco-vila em muitos momentos cai na ilusão de uma “ilha entre iguais”, todos com modos de agir e pensar no mínimo muito semelhante.Mas até que ponto isto é real? até que ponto este “ideal” não está idealizado demais? Até que ponto é possível, desejável, éticamente correto se chegar nos lugares achando que temos a “verdade para salvar o planeta”? E as pessoas que estão ali, o que sentem? O que pensam? O que vivem? O que sabem? O que acham elas de tudo isso?

Este tem sido mais um desafio vivido por nós em Yvy Porã: chegar a São Pedro de Alcântara e ir-nos inserindo nesta comunidade, ouvindo mais, falando menos e devagarinho mostrando que fazemos coisas estranhas…

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Foto da praça de São Pedro de Alcântara

Ouvir é fundamental…

Do prefeito Ernei ouvimos uma vez: ” os sitiantes vem aqui, não compram nada na cidade, pois trazem tudo de Florianópolis e deixam o seu lixo”… Puxa, que verdade! A partir daí não deixamos mais o lixo ali e passamos a comprar coisas na comunidade, como materiais de construção, manteiga do vizinho, queijo, e a contratar o pessoal local para qualquer tarefa necessária.

Depois, recebendo a visita da família do José Eugênio, passeamos e mostramos o que fazíamos, as frutíferas plantadas ouvimos “Nossa, vocês não vem aqui só para dormir, vocês trabalham!”… Outra visão do sitiante que nem imaginávamos existir e que íamos deitando por terra!

Neste final de semana, como o tempo constinuasse chuvoso e trabalhar em Yvy estava impossível, fomos à festa de Santa Filomena- bairro de São Pedro de Alcântara onde se localiza Yvy Porã. Na festa haviam umas 350 pessoas, com churrasco, galinha recheada, leilão de bolos para ajudar a paróquia, etc. Fomos recebidos pelos conhecidos com um entrusiamos e uma festa incomum! E neste clima de acolhimento fui apresentada pela D. Herna, esposa do Seu Walmor, como “minha futura vizinha”… Vejam que estamos lá há 4 anos, e apenas agora, quando passamos a interagir como pessoas do local, somos reconhecidos como “futuro vizinho”… Ou seja, alguém que vem morar aqui!

Bom, isto alimenta e se encaixa na recorrente discussão em listas e fóruns de permacultura com a questão de como levar a permacultura às comunidades, como fazer para que a permacultura seja democrática e chegue a quem precisa? O termo “desenvolvimento endógeno” vem do processo de desenvolvimento de dentro… Quer dizer, sai do modelito “veja, eu tenho algo a propor a esta comunidade, pois afinal eu sou o permacultor que estudou e sei o que é desenvolvimento e como se faz” e propõe um diálogo/ vivência:
– O que esta comunidade quer?
– O que VOCÊS acham que precisam?
Isto é difícil!
Primeiro por que os profissionais ( nós, urbanos) achamos nossa cultura melhor que a dos outros, temos uma IMENSA dificuldade em ouvir, outra maior ainda em admitir que nossas idéias não são as melhores! Poucas vezes conseguimos admitir facilmente que não somos fundamentais e poucas vezes sabemos ver a sabedoria local…

Aí as lições vem de pessoas especiais! David Holmgren (co-fundador da Permacultura) contou uma história SUPER ilustrativa do que é estar num espaço e dele fazer parte…Construindo a ecovila na VIDA…

Na foto abaixo a familia de David e Su, com o filho Oliver.

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Ele e Su, escolheram viver numa cidade de 20000 habitantes, a maioria na área rural e lá estão. Melliodora, seu sítio, está ao lado de uma parque da cidade e já há mais de 15 anos ele e um vizinho cuidam das águas deste parque. David conta que este vizinho não tem posturas políticas e pessoais em nada parecidas com ele, mas que ambos, embora diferentes, trabalham há anos ali, cuidando do espaço. Recentemente o tal vizinho “descobriu” que David era alguém importante, com livros escritos sobre “alguma coisa chamada permacultura”- ou seja, descobriu que seu parceiro no parque era famoso… E perguntou ao David o que era isso? E ele respondeu “nada não, é isso que a gente vem fazendo juntos há 15 anos”… E seguiram assim…Sem alarde, sem foguetes, sem um Ego feliz por ter sido reconhecido…
Quer dizer, escolher estar numa cidade e viver, conversar, negociar, trabalhar com seus iguais, ainda que pensem diferente é construir a sustentabilidade, deixando de ser EGOlogista, e sendo pessoa!

Uma possibilidade de se fazer ecovilas é ir morar em pequenas cidades, estar ali, relacionar-se com o local e VIVER BEM! Respeitando cada um destes espaços, as pessoas e fazendo diferença pelo modelo e não pelo discurso!