A química do processo de produção de Biodiesel

Cumprindo com o prometido na postagem anterior, que discute, energias:  uso e produção ,   a publicação de hoje traz a informação teórica que complementa o oferecido no post da “Produção caseira de Biodiesel”.

A ideia é que quem queira incursionar no processo químico que acontece, possa visualizá-lo e compreendê-lo na sua complexidade. Assim, cada um pode seguir seu estudo, tendo ciência  completa dos passos. Que cada experiência feita, leve à autonomia, e com o estudo, possa  ajustar ou melhorar o processo.

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Produção caseira de Biodiesel

A recente greve dos caminhoneiros no Brasil nos remete à  pergunta sobre energia, e nosso modo de viver baseado e dependente do petróleo. Coincidentemente, este estudo sobre fontes de energia estava “no forno”,  esperando para ser revisado e publicado. Sincronicidade, ou realmente uma reflexão mais do que urgente!

Muitas vezes discutimos  questões que tem a ver com o consumo de energia e/ou as formas de ser mais autônomo em energia. Isto está diretamente conectado com o contexto e as pessoas envolvidas. Diversas estratégias podem ser desenvolvidas.

Costumamos dizer que existem três caminhos troncais e talvez infinidade de outros a serem trilhados. Os caminhos, a nosso entender são:

  • Diminuir o consumo de combustíveis e serviços ambientais.
  • Produzir trabalho a partir de recursos energéticos locais ou próximos.
  • Otimizar os sistemas de aproveitamento energético.

No primeiro encaminhamento estaria o repensar o uso e diminuir a demanda de energia, seja esta local ou provida por alguma empresa. Atualmente o melhor exemplo é a substituição das luzes por lâmpadas led.

O segundo se refere a todas as iniciativas de produção de combustíveis (sejam sólidos, líquidos ou gasosos), o aproveitamento das energia em fluxo na natureza (como vento, água corrente, energia solar radiante, etc.),  ou qualquer outra forma que nos ajude a cumprir as tarefas diárias.

No terceiro estão as ações que visam melhorar o sistema fazendo-o mais eficiente (exemplo os queimadores rocket que otimizam a combustão aumentando a temperatura e diminuindo o consumo de lenha) ou aproveitar os excedentes do trabalho, em geral calor, como uma fonte para gerar mais trabalho – pensemos em aproveitar o calor que se dissipa numa chaminé, para aquecer água ou para produzir energia elétrica, etc.

Nesta postagem estamos apresentando uma das formas de aproveitar recursos próximos para satisfazer a necessidade de combustível na propriedade. No caso o aproveitamento de óleo vegetal usado, nos comércios e nas casas, para produzir Biodiesel, com o aproveitamento posterior dos excedentes ou subprodutos.

Vamos a começar oferecendo um completo PowerPoint que, esperamos, provoque e encoraje à produção caseira de combustível; como assim também defina uma atitude de consciência ambiental, combativa e libertária frente ao atropelo e descaso dos grandes distribuidores de energia.

Na próxima postagem,  virão outras duas publicações. a primeira  para quem queira se aprofundar no embasamento químico da produção deste combustível. a segunda sobre o uso de um subproduto deste processo: a Glicerina.

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A horta e o reboco da paredinha feitos no III PDC

No III PDC de Yvy Porã, realizado na semana Santa, propomos algumas práticas que ilustrem os conteúdos propostos por Bill Mollison para este curso. Na postagem de hoje iremos voltar a duas destas atividades: a horta e a paredinha de pau-a-pique duplo feitos lá na Casa Mãe…

Outro ponto desta postagem tem a ver com o vínculo feito com os novos permacultores, agora parceiros de caminhada. Por estarem mais perto, pois  muitos vivem em Santa Catarina, este grupo do III PDC tem voltado a Yvy Porã, para conversar, compartilhar e recarregar as baterias. Neste fim de semana, “a familinha” – Martina, Zeca, Marja e Zé – voltou para nos visitar e ajudar, compartilhando a vida  e comendo pinhão!

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Na postagem anterior explicamos como foi feita a horta como prática do cultivo de alimentos na zona 1, e vejam como é fácil e lindo transformar seu gramado em um jardim de alimentos! Menos de 40 dias depois, colhemos com os amigos uma bela alface plantada por eles durante o curso. Até a Martina se espantou com a explosão de vida da horta!

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Manutenção- cuidados com a horta e a casa

Verão chegando, época em que a grama cresce, tudo explode em verde, lindo, mas… trabalhoso, pois a grama também toma conta dos caminhos. Um problema e uma oportunidade! Este excedente de biomassa da roçada dos caminhos é um excelente material para refazer os canteiros, abastecendo-os de palhada. Canteiros pertinho da casa são espaços  para cultivo de alimentos, mas também são espaços de embelezamento, de contato com a terra, de viver os tempos e os ciclos da natureza! Aproveitamos a presença e disposição dos nossos estagiários argentinos, e fizemos uma força tarefa para este trabalho.

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Rebocando a Oficina do Jorge

Nossa oficina tem toda uma história, desde a geodésica, até a construção nova, que já vem funcionando a mil. A nova obra foi feita com alicereces de tijolos, estrutura de eucaliptos roliços e paredes de palha, barro, presas em uma tela de alambrado. Por fora foi colocada uma tela de pinteiro, de plástico, presa ao barro com grampos de ferro. É mesmo incrível que a palha com barro tenham resistido um ano recebendo chuva e estavam praticamente impecáveis! Durante o PDC de 2013, chegamos a fazer o reboco da parede sul, uma das que recebe mais chuva, mas reconhecemos que estávamos meio “preguiçosos” para fazer o resto.

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Desde que estamos vivendo o tempo todo aqui em Yvy, a rotina de visitantes tem sido bem mais intensa, já que nossa disponibilidade para receber  tem sido bem maior. Bem, recebemos uma proposta de voluntariado de um pequeno grupo de jovens argentinos, que estão fazendo uma longa viagem de bicicleta, os irmão Santiago, Lucas, Martin e Gisele, companheira de Santiago. Depois de muitas conversas, conhecendo as regras do local, etc, a turma chegou aqui, sim , em bikes, no sábado à noite.  No dia seguinte, começamos o trabalho.

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Queimador de álcool para aquecer água para banho

Depois do êxito do aquecedor de água com lenha na Casa da Montanha, seguindo em parte a teoria do rocket stove, decidimos realizar o mesmo na casa mãe. Tudo foi quase igual: a estrutura básica de tijolos, assentados com barro e açúcar, grade e porta de ferro fundido e boiler de aço inóx reutilizado.

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Só que não consideramos um dos aspectos fundamentais na construção de um fogão, que é o dimensionamento da chaminé. Explicando melhor. Usamos um boiler que havíamos comprado nos inícios do sitio Yvy Porã. Este tinha um diâmetro muito pequeno na saída da chaminé (5-7 cm), uma saída adequada  para queimar gás, mas não para queimar lenha. Porém só percebemos este erro com o tempo.

Instalamos o aquecedor e com apenas alguns dias de uso ele entupiu, começando a jogar fumaça pela porta. Imaginamos que poderia ser um  problema de lenha molhada, ou mau uso… No entanto, durante o PDC de 2013, verificamos que ele entupiu, ficando cheio de uma fuligem muito densa e dura que inviabilizou o seu uso.

Como sempre, aprendemos através de erros e sua correção. Agora sabemos, na prática, que uma chaminé para um queimador a lenha, ainda que seja um rocket, que queima melhor, precisa de uma vazão determinada e esta não pode ser menor do que 12 cm de diâmetro.

Para um queimador de gás, por exemplo, que queima sempre com chama azul e não cria fuligem, podemos usar uma chaminé com uma vazão bem menor e assim aproveitar melhor o calor gerado na combustão.

O que fazer com o sistema de aquecer água para banho na casa mãe? A alternativa de usar gás, no caso propano/butano, não é coerente com a nossa visão de diminuição no uso e queima de combustíveis fósseis. Frente a estes fatos ficou a compreensão de que teríamos que trocar o boiler e reformar a instalação de água (possivelmente para adaptá-la ao novo recipiente) com o consabido desânimo que isto produz. Mas… vejamos o contexto em que estamos, será que nele não existe outra solução para o problema?

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Porta do forno de pizza

Numa casa, mesmo com tudo planejado, o uso nos leva a novas demandas e adaptações visando o melhor funcionamento de uma ou outra coisa. Depois de usarmos muitas vezes o forno de pizza, e utilizarmos muitas coisas, tais como pedras, madeiras, lâminas de galvanizado,  para fechar a porta do mesmo, decidimos que era hora de fazer uma porta definitiva.

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A porta do forno é imprescindível para seu funcionamento, visto que ele deve queimar lenha por cerca de uma hora , ou mais, a fim de atingir a temperatura adequada. Neste tempo ele fica fechado, apenas com uma pequena fresta na parte de baixo, para permitir a entrada de ar.

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Terminação para Chaminés

Sputnic

Quem não sofreu com o vento e a fumaça retornando para dentro de casa? Às vezes as melhores intenções de design e planejamento de chaminés, ao serem colocadas em prática não funcionam, já que a fumaça decide retornar.

Um dos melhores soluções para este problema são os três “T”s, que permitem que a fumaça saia, independente de onde vem o vento. Se o vento vem por cima, a fumaça sai por baixo, e vice-versa, como mostra o esquema abaixo.

3 TS 1

Esta proposta foi aprimorada, pensando em surtir o mesmo efeito, porém de forma radial. Assim surgiu o modelo chamado Sputnik, já que lembra um foguete e puxa a fumaça como tal… Este modelo parta da forma do chapéu chinês, tradicional e popular.

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Brincando com a energia

Aproveitando os HD velhos, jogados como lixo tecnológico, podemos fazer uma série de engenhocas que podem fazer a diferença. Por um lado reciclamos materiais, por outro, nos beneficiamos, obtendo materiais de uma tecnologia de ponta, como os imãs, estes supermãs de neodímio, que serão usados para armar pequenos geradores elétricos, além de outra série de peças, que podem ser bem usadas…

Na postagem de hoje, usando peças de HD mostramos a construção de um motor de combustão externa o “motor Stirling”. Foi um frade, de nome Stirling, quem descreveu este tipo de motor que poderíamos chamar de ciclo Stirling. O grande diferencial dele é que não troca gases com o exterior, ele aproveita e usa a força da dilatação e contração sucessiva do ar que se encontra no seu interior. O ar é aquecido desde o exterior, por isto se diz que é de combustão externa.

Mas, vamos por partes, primeiro vamos abrir um HD e separar os seus componentes.

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Começaram as engenhocas! Catavento de sucatas.

Entre as coisas que sempre foram um sonho estava a criação e produção de engenhocas com sucata e/ou restos de materiais usados em outras atividades. Engenhocas para melhorar a vida, engenhocas para a sustentabilidade.
Nos últimos anos estive juntando um monte de tralhas, para desespero da Suzana…

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Acho que hoje já começa a ficar claro que esta atitude estava diretamente ligada a nova etapa da nossas vidas que passa por viver integralmente em Yvy Porã e de dispor do tempo para processar esse material transformado-o em coisas úteis.

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