Nosso banho quente pode demorar !

Quem acompanha o blog deve estar estranhando o título desta postagem, não é? Bom, resolvemos escrever hoje sobre algo bastante cotidiano. Assim surgiu esta postagem!

Nos cursos, assim como em outras publicações aqui,  costumamos frisar bastante uma fala sobre os 3 “C”s:

  • Contexto: onde estou, o que o meio me mostra e me oferece, quem sou eu, etc.
  • Conceito: o que norteia minhas ações.
  • Conteúdo: que técnicas utilizo , de acordo com os dois pontos anteriores.

Então, vamos ao título da postagem… Estava no banho, pensando em um assunto para o blog. Entre outras coisas, havia também um sentimento de cansaço pelas chuvas que não dão tréguas a Santa Catarina nesta primavera de 2015. Ai surgiu a idéia de resgatar e exemplificar os 3″C”s. Em cada link nas palavras chave abaixo você poderá ver as postagens detalhadas sobre cada assunto.

Contexto

vivemos na mata Atlântica, em Santa Catarina. No mês de outubro as chuvas registradas foram de 387mm.

Conceitos

a Casa da Montanha tem como princípio a emissão zero de resíduos e uso de energias renováveis.

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Conteúdos:

Usamos exclusivamente água de chuva, guardada na cisterna.

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Para tratar as águas cinzas usamos os círculos de bananeiras que devolvem à natureza a água limpa, usando toda a matéria orgânica na alimentação destas plantas.

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O aquecimento da água para banho é feito usando lenha de poda de árvores, que é queimada num rocket stove.

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Assim, neste contexto de água em abundância, tratando a água usada com a responsabilidade de devolve-la ao ambiente  limpa, usando recurso local e renovável para esquentar a água, sim, posso tomar um banho demorado! O que seria completamente distinto em um outro contexto, por exemplo, quando vamos à regiões com menos água, ai o uso é distinto.

Isto é o que um permacultor faz: observa e interage, lê a paisagem e o contexto à sua volta, devolve os recusrso usados ao meio ambiente da mesma maneira que recebeu…

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Águas- de março, abril… de sempre

“São as águas de março fechando o verão, é promessa de vida no meu coração”, sábio Tom Jobim.

Finalmente nossa espécie, Homo urbanus, começa a se dar conta de que água é vida, e que recursos naturais são finitos. Mas ainda fica buscando bodes expiatórios, para culpar como partidos políticos, ou quem seja, e não vê que somos nós, cada um e todos juntos que estamos nos levando ao caos… que pena!

São várias coisas bem simples mas que parecem um imenso mistério:

  • sem florestas não tem água
  • não há crise hídrica, há uma crise civilizatória ( o planeta se regula e a vida seguirá, com ou sem o homem).
  • existe água, na grande parte deste nosso Brasil, o que falta é o manejo, o cuidado com ela.

Esta afirmações chocam… Hum bem, vamos ver! São Paulo é o exemplo mais gritante, tem falta de água e nas últimas semanas um caos por inundações… Paradoxo estranho! Que tal usar esta água, armazená-la para o uso cotidiano. A água de chuva é limpa, claro que em lugares muito poluídos, como o caso das grandes metrópoles, descarta-se os primeiros minutos de chuva, que limpam a atmosfera, e em seguida, voilá! Água!

Na foto abaixo a casa que tínhamos em Florianópolis, área urbana, com a cisterna no jardim.

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Manutenção do banheiro seco

A Casa da Montanha tem como proposta a emissão ZERO, quer dizer, cuidamos de usar os recursos naturais e devolver à natureza nossos efluentes tratados, entrando no ciclo natural, sem poluir. Assim, coletamos águas da chuva que usamos apenas para pia, banho, lavagem de roupas, ou seja, o que chamamos de águas cinzas. Estas águas servidas, com uso de apenas sabão neutro, sabão de coco, etc. vão diretamente para círculos de bananeira, onde os nutrientes são usados pelas plantas e a água é evaporada por elas.

Nosso banheiro seco funciona já há 2 anos, com o sistema de bombonas de plástico. Somos duas pessoas, e sempre com visitantes em casa, mas com um uso descontínuo; já que ficamos , em geral, 4-5 dias por semana em Yvy e 2-3 fora.

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Detalhes

Nas nossas muitas postagens muitos assuntos foram sendo tratados e alguns detalhes sempre ficam faltando… Alguns amigos nos pedem informações, mas como nem sempre as pessoas sentem-se à vontade, fizemos esta postagem com alguns detalhes que sempre nos perguntam e seus respectivos links. Assim, aqui vão detalhes, tão pequenos e tão significativos, explicativos, esclarecedores, esperamos nós…

Captação de água de chuva

Duas das dúvidas das pessoas são em relação ao descarte da primeira água, que limpa o telhado, e também sobre como instalar o filtro de folhas e potencializar a captação das águas de chuva, dúvida esta manifestada pelos amigos Mônica e Sérgio.  Na foto abaixo o sistema visto num ângulo que permite visualizar bem estes detalhes.

Toda a água que vem do telhado passa pelo filtro das folhas, um cone de tela de metal, colocado sobre uma bandeja que encaminha a água para a bombona. Pela gravidade da água caindo as folhas e pequenos galhos são empurrados pela força da água para fora do processo.

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Fechando ciclos- o composto do banheiro seco e as plantas

Ao fazer um projeto em permacultura (o design) um dos princípios é a busca de fechar ciclos, ou seja, que o fluxo de  energia transite por muito tempo no sistema e que a matéria  faça os seus ciclos na propriedade. Quando planejamos nossa casa e decidimos que ela seguiria o princípio de emissão zero no que se referia a efluentes, ou seja, não poluir e cuidarmos dos nossos resíduos, ciclando-o no sistema, por isso decisão da construção do banheiro seco.

Na foto abaixo a bombona que foi retirada em novembro e que ficou compostando ao sol desde então.

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Manutenção do banheiro seco

Este blog relata a construção da casa… Mas como a casa está praticamente pronta,  daqui para frente, a cada dia, mais e mais vamos contar como estamos vivenciando o estar neste espaço, seu uso e os problemas que aparecem no dia-a-dia. Inauguramos nosso banheiro seco em fins de abril e agora, no meio de outubro decidimos fazer a primeira intervenção de manutenção. De lá para cá fomos avaliando questões como funcionamento da rampa, cheiro, quantidade de serragem, etc.

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Água para a Casa da Montanha

Quando pensamos em sobrevivência o primeiro ponto é a água… Yvy Porã é um lugar com muitas pequenas nascentes- pequenas pois estamos no alto dos morros, temos várias micro-bacias, com pequenos correguinhos que abastecem o rio Imaruim. Estas nascentes podem ser usadas, mas a Casa da Montanha fica bem no alto e, como se pode perceber nos nossos relatos, em São Pedro de Alcântara chove muito… Assim, desde o início do nosso projeto a proposta sempre foi colher água de chuva do telhado para uso na nossa casa- ainda que tendo como reserva estartégica, caso seja necessário, o uso das águas das nascentes.

Finalmente chegou a hora de construirmos nossa cisterna de ferrocimento.  Esta técnica não é invento de nenhum permacultor, embora muitos usem tal estratégia. Ela é uma publicação da Associação Brasileira de cimento portland, na apostila de Construções Rurais.

Na foto abaixo seu Zé fazendo o piso da nossa cisterna.

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O banheiro seco – parte interna

Na postagem anterior relatamos a parte externa da estrutura do banheiro seco, nossa opção para tratar nossos efluentes sólido do banheiro. O sanitário compostável parte do conceito de que misturando nitrogênio e carbono numa temperatura mais alta do que a temperatura ambiente, há uma aceleração do processo de compostagem, o que faz com que nossos dejetos possam transformar-se em adubo para plantas sem problemas e sem contaminar o meio onde vivemos.

Para isto se constrói uma estrutura onde estes resíduos serão acumulados e sob calor iniciem o processo. Mas é preciso não dar cheiro e ser cômodo. Nosso banheiro seco está no corpo da casa, e para que o cheiro não incomode é fundamental que exista uma chaminé que puxa os gases para fora da câmara de compostagem.

Na foto abaixo, enquanto Suzana passa cera no vaso, para impermeabilizar e deixar lisinho, Jorge vai colocando a rampa de aço inox. Esta rampa está fixada no vaso com parafusos e sua dobra lateral fica travando, prendendo a rampa ao vaso.

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O banheiro seco- parte externa

Quando se fala em casas ecológicas um ponto que sempre levanta questões e dúvidas é o tratamento de efluentes, principalmente sobre o sanitário. Na Casa da Montanha, desde o início planejamos a construção de um banheiro seco ou o chamado sanitário compostável. Este sanitário é uma proposta onde os resíduos (fezes e eventualmente urina) se misturam com serragem e na reação Carbono+ Nitrogênio ocorre a compostagem, transformando fezes em adubo.  Uma das questões que aparece é sobre os modelos e os custos da construção do banheiro, sua funcionalidade, se tem cheiro, etc etc… Bem, a Casa da Montanha tem como princípio a emissão Zero, ou seja, sermos responsáveis pelo lixo ou efluente que produzimos, isto é, devolver a natureza produtos limpos: esgoto vira composto- ou como dizem “COMBOSTO”…

Fizemos o banheiro no corpo da casa, para respeitar a questão de praticidade e conforto, e pensamos numa estrutura menor e mais simples do que as tradicionais, com duas câmaras para a compostagem. Fizemos uma câmara simples, com uma bombona de plástico dentro, que irá recolher o material. Mas um ponto é fundamental: a FUNCIONALIDADE. Para isto é preciso rigor no projeto: deve compostar, deve não ter cheiro e deve ser agradável esteticamente, porém nesta ordem! a estética segue a função e não o contrário!

Nosso banheiro seco fica no corpo da casa, na face oeste. Ele será um modelo simples, com uma rampa bem íngreme (mais de 45º) que cai numa câmara fechada, com paredes de tijolo maciço e tampa de metal pintado de preto. Desta cãmara sai uma chaminé que puxa os odores para cima. Na foto abaixo o começo do buraco, a tábua simula a rampa.

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O banheiro e as águas cinzas!

Desde o início a proposta da nossa casa é ser uma estação de permacultura… Ou seja um lugar para se viver a permacultura. Nesta ética, além de cuidar para que ela fosse construída usando materiais locais, tendo um design solar, mão de obra e materiais de menor impacto, teríamos sempre que planejar o tratamento de efluentes, pensando éticamente sempre em plicar o conceito de emissão ZERO!

Quando se fala em emissão, a pergunta sempre nos leva ao banheiro! Fonte de atenção pelos volumes e pelas qualidades do que põe para fora da casa! Na nossa casa separamos o que sai do banheiro:

  • água da pia
  • água do chuveiro
  • mictório
  • efluentes sólidos ( fezes).

Na foto abaixo a parede oeste da casa,  que limita o banheiro com o exterior da casa. Pode-se ver o círculo de bananeiras que trata as águas cinzas do banheiro, quem vem pelo cano branco que é a saída de águas cinzas do banheiro.

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