Publicado em produção de alimentos, Zona 1- canteiros

As “pragas” no design.

Hoje vamos falar sobre o chamado “Controle biológico de pragas”, um assunto sempre presente quando se tem uma horta ou qualquer produção de alimentos, e aparecem seres “indesejados”, as famosas “pragas”.

Como sempre, nossa postagem parte de uma vivência concreta seja em Yvy Porã , Waikayu ou nos parceiros. Esta aconteceu em Yvy.

Encontramos na nossa horta uma larva comendo as folhas dos tomateiros. Era uma enorme, assustadora e voraz lagarta verde, que faziam um belo estrago.

 

 

A primeira reação é a de sair matando todas as lagartas que se encontravam no cultivo. Arrancando aquela “praga” que está danificando o tomateiro.

 

Uma observação mais detalhada nos levou a perceber que algumas delas eram diferentes. Tinham uma capa branca nas costas… Foi só colocar os óculos e olhar com mais atenção para perceber que o branco nas costas da lagarta eram ovinhos brancos e que as lagartas com estes ovinhos estavam inativas.

Isso é o que naturalmente acontece.

Quando as populações de uma espécie aumentam de número os seus inimigos naturais as detectam e as atacam. Pode ser para comê-las diretamente ou para parasitá-las e que sirvam de alimento a seus descendentes. Neste caso estamos frente a um inseto, pequena vespinha, cuja fêmea depositou ovos na lagarta e as suas crias, larvas da vespa, vão se alimentar da lagarta do tomateiro.

Existem muitos insetos que depredam, parasitam ou matam outros insetos,e, às vezes,  até pequenos animais superiores. Estes seres são aliados nossos, já que nos libertam de outras espécies que competem com os nossos interesses, seja na produção de alimentos ou de outros produtos de origem animal ou vegetal.

Se tivéssemos seguido nosso instinto de matar todas as lagartas teríamos matado também o seu inimigo natural, no caso as vespinhas no seu lombo, e assim cortado o ciclo do parasitoide que tinha começado agora na nossa horta. Provavelmente não atingiríamos a todas as lagartas da mariposa que come tomateiros e, em poucos dias, teríamos outro ataque de lagartas do tomateiro… Agora livres de seu inimigo natural.

Por isso é que estamos publicando este post. Além de ser um interessante aspecto da vida natural, é importante perceber que qualquer ação impensada pode acarretar consequências desastrosas para o nosso objetivo de convivência com o ambiente.

Se frente a cada inseto que aparece na nossa frente reagimos matando… é mais provável que os nocivos aumentem e os úteis diminuam. A ação mais perigosa e fatídica é o uso de inseticidas… Eles cortam o ciclo de relação populacional de insetos “pragas” e “benéficos”, facilitando a reprodução dos primeiros e diminuindo os segundos.

Para ajudar na observação, aqui vai a identificação entomológica da praga “Lagarta do Tomateiro” e da “Vespa parasítica da lagarta do Tomateiro”

Lagarta do Tomateiro

Ordem: Lepidoptera

Família: Sphingidae

Gênero – espécie:

Manduca sexta (L, 1763)

 

Adulto da lagarta do tomateiro

 

E aqui a identificação da vespinha, nosso inseto benéfico:

Microhimenóptero parasítico da ”Lagarta do Tomateiro”

Ordem: Hymenóptera

Família: Braconidae

Gênero – espécie

Cotesia congregata (Say, 1836)

Como esta vespinha existem muitos outros himenópteros (vespas) que são úteis, são inimigos naturais de “pragas” de interesse para agricultura, florestas e saúde:

Da série de microhimenópteros parasíticos temos:

– Família Braconidae, atacam lagartas de lepidóptera(mariposas) e áfidos (pulgões).

– Família Chalcidoidea, atacam larvas de lepidóptera (mariposas) e áfidos.

– Família Scelionidae, o Telenomus fariaii (Costa Lima) atacam ovos de Triatoma Infestans (Klug) (Barbeiro).

Família Bethilidae, Parasierola nigrifemur (Ash.), ataca larvas de mariposas como a “lagarta rosada do algodão” a Pectinophora gossypiella e a “lagarta do ápice dos pinus” ou “gypsi moth” Rhyacionia buoliana.

– Família Ichneumonidae, ataca larvas e pupas de besouros que furam madeira, e larvas de lepidóptera (mariposas).

As moscas da família Taquinidae são todas parasitoides e são úteis como controle biológico. Parasitam coleópteros (besouros) e hemípteros (percevejos).

 

Então, cuidado pessoal. Nem todo inseto está destruindo seus cultivos, “observe e interaja”, diz um dos princípio de design.  Atrair insetos benignos aos cultivos é valorizar a diversidade e proteger suas plantações. Certamente, irá funcionar melhor do que qualquer inseticida.

Autor:

Um casal de permacultores participantes de um projeto coletivo, construindo sua casa, seu espaço e a sustentabilidade..

2 comentários em “As “pragas” no design.

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