Publicado em Contando a história

2018 – os aprendizados de Yvy Porã

Yvy Porã, teve um ano intenso com a vila se consolidando, se em 2017 foi o ano de formalizarmos a estrutura com novos integrantes, 2018 foi o ano de concretizar ao vivo e a cores o projeto. Começamos ano com duas famílias morando na Casa mãe e iniciando as obras dos seus respectivos espaços privativos.

Estar no espaço coletivo implica em solucionar problemas concretos, no coletivo, com tempos e visões de cada um. E trabalhar ombro a ombro vale mais do que anos de reuniões para debater ideias. Então, a convivência diária, com tarefas concretas de limpar a casa, rachar lenha, manejar a água, etc foram grandes ferramentas. E eleger investimentos, como a construção da cisterna para água de chuva da casa Mãe, congregou o grupo.

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Para a família Lima Santos, com dois filhos em idade escolar, foi todo um desafio a mudança e a integração à cidade. Todos tivemos que nos adaptar e compartilhar concretamente espaços diários, ainda mais nesta etapa inicial de vida comunitária da casa mãe.

Nas palavras da Margô

A gente mudou para Yvy Pora no começo do ano 2018 depois de 5 anos de preparações.O ponto de partida foi um dia de novembro de 2013 que a gente conheceu o Jorge e a Suzana descobrindo  que a permacultura parecia a melhor proposta que a gente achou para criar uma coerência entre nossa ética e nossa vida do dia dia.
Em outra palavras : dar vida a uma sonho.
Então esse ano  2018 foi para nos o ano da realização de nosso projeto e  para ser sincera, foi muito intenso no sentido que  grandes momentos  de dúvidas e de medo profundo se alternaram com emoções muitos fortes de grande felicidade e de satisfação.
Falar que mudar é uma coisa fácil é uma mentira, porém se eu contrabalanço minhas dúvidas  frente ao sentimento de liberdade que ganhei transformando minhas convicções em ações concretas, eu saio com saldo superpositivo, sem duvida nenhuma.
Em fim, estou reconquistando minha existência criando na minha escala, o contexto que eu quero para mim e para meus filhos.”.
 Toninho, companheiro da Margô complementa:

“Depois de 5 anos de espera, organização e preparação , nosso projeto de instalação em Yvy Porã começou a se concretizar em fevereiro de 2018. Os primeiros 3 meses foram os mais ” energívoros”( perdão pelo neologismo), com as questões administrativas, inicio da escola para as crianças e a adaptação da família numa casa comunitária. Foi como se tivéssemos deixado a nossa zona de conforto mas um pouco dela tivesse vindo nas bagagens… tudo isso com o PDC para canalizar a energia e as ideias do nosso projeto de vida.

A etapa seguinte foi mais dinâmica e produtiva com a integração na rotina do modo de vida que escolhemos para a nossa família: ida e volta até o ônibus escolar, cuidado da horta, círculo de ervas, manejo de bananeiras, corte de lenha de aquecimento, compostagem, troca de banheiro seco, etc. Esta pode parecer a parte menos romântica da permacultura, porém considero primordial para uma transição sólida estável para um modo de vida embasado na ética que escolhemos. Os meses passados na Casa Mãe estão ajudando a construir os anos futuros.”

 

Esta percepção do Toninho, do tempo de aprender com o cotidiano, a ter que resolver problemas de água, estradas enlameadas ou trancadas com uma árvore caída, ou  coisas concretas de um cotidiano novo e desconhecido tem sido uma aprendizagem e tanto,  nem sempre a horta, por exemplo, é prioridade… Afinal são muitas frentes para dar conta.

Na foto abaixo um Happy Hour na casa da família Lima Santos (Margo, Toninho, Tiago e Luisa).  aproveitar os bons momentos e a companhia uns dos outros é uma das coisas que vamos incorporando à rotina.

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Na fala do casal Cibeli e Jair,  a avaliação também reflete outro aspecto, o da construção da casa :

“Em 2018, começamos a construção da nossa casa em Yvy Porã, nossa 2a pele, onde estamos vivendo plenamente há 20 dias. Sim, construir é um processo ambivalente: flui de dentro para fora e de fora para dentro…é um diálogo permanente com nossos melhores desejos e nossos melhores aprendizados. Mas a grande magia se dá ao construir a Zona Zero. Sentir sua própria identidade na obra, ver e tocar seus sonhos e, em reciprocidade, receber feedbacks maravilhosos da própria obra. É o auto empoderamento. E para 2019, temos a convicção de que o processo continuará, e novos feedbacks chegarão naturalmente.”.

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Na foto  acima, a mesma parede da moradia do casal Cibeli e Jair, durante a obra e agora, pronta,  .

O aprendizado de todos nós com este processo foi incrível, e sem o romantismo de que tudo são flores… Estar em grupo e construir algo é desafiador e deliciosamente educativo. Houve dor, conflito, houve ceder espaço, houveram risadas, parcerias, celebração, respeito e diálogo. Houve diversidade! Todos querendo fazer o melhor, e pondo nossas energias para que a vila aconteça. Interessante ver e viver o estar em grupo, entendendo que numa vila o equilíbrio também vem da diversidade, alguns serão amigos, outros serão parceiros de projeto. Ou seja, nas relações humanas, com ética e respeito, a possibilidade de relações diversas também faz parte de manter o equilíbrio.

Hoje somos 9 famílias no projeto Yvy, 4 delas morando permanentemente lá, 11 pessoas, com pessoas de 2 a 69 anos, mais uma casa pronta e outra subindo as paredes e uma terceira em processo de início de obra. Assim, o projeto iniciando idealmente em 2003, formalizado em 2016, termina 2018 com grandes passos de concretude e realidade. Sem dúvida nenhuma, uma alegria para todos, sejam os pioneiros do projeto, sejam os que vem chegando agora.

E como respondemos quando muitas pessoas nos perguntam “e como se faz?”, dizemos que nosso DNA é de animais gregários, estar em grupo é bom, é desafiador e é o sentido de compartilhar. Fácil? Não… Mas longe de ser impossível. E como tudo começou? Com um curso PDC. Agende-se!

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Autor:

Um casal de permacultores participantes de um projeto coletivo, construindo sua casa, seu espaço e a sustentabilidade..

2 comentários em “2018 – os aprendizados de Yvy Porã

  1. Buenas que tal ? Somos cecilia guilhem y la perritA uva.hemos llegado a curitiba hoy.vamos viajando por brasil visitando comunidades ptponiendo talleres(oficinas)proyecciones.y aprendiendo mucho.Nos llamo la atencion vuestro proyecto y nos gustaria invorporarnos como voluntarios una o dos semanas.
    Aqui compartimos con uds.nuestro recorrido de talleres, en esta pagina fb: colectivo inti Raymi.y nuestra plataforma i formativa tambien en fb: Inti Raymi Lovaina. Les dejamos un fuerte abrazo y este numero whatsapp por si desean comunicarse
    +32 489 034274

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