Árvores e sustentabilidade

Muitas vezes nos perguntam sobre o que a permacultura acha das agroflorestas, e do cultivo com árvores. E a resposta é sempre: não existe sustentabilidade sem árvores, todo e qualquer manejo, desenho, projeto, só funciona com árvores, muitas árvores.

Todas as culturas e impérios que acabaram com suas florestas, acabam sucumbindo, quem não se lembra das aulas de história sobre a mesopotâmia, o vale rico entre o Tigre e Eufrates? Primeiro grande desastre antrópico, de fim das florestas e salinização dos solos por irrigação?

Pois então… A permacultura, quando de sua origem, tem dois pais, David Holmgren e Bill Mollison. David Holmgren, um grande e meticuloso estudioso, cita algumas das suas bases de estudo para a permacultura , Howard  e Eugene Odun com as questões relativas à organização dos sistemas ( energia, economia e ecologia),  Yeomans com a linha chave, Fukuoka com a agricultura natural. Ao propor o Design em permacultura, trazendo o projeto de sistemas humanos sustentáveis,  David e Bill bebem destas fontes, e no design, as árvores tem papel principal.

A agroecologia é a produção de alimentos usando a ecologia como base, modelo e princípios. Ainda que mudem e inventem nomes e nomes, onde a necessidade de cunhar o “novo” toma fôlego, a agricultura com árvores e usando a favor a energia dos sistemas já é algo falado e refalado, seja pelos irmãos Odum, por Gliessman, Fukuoka e tantos outros como Ernst Götsch.  Sem árvores, não há vida! Não há agricultura.

Nos projetos de Yvy Porã e  Waikayu, o elemento árvore aparece de diversas maneiras, como na restauração da mata nativa, no plantio de espécies comestíveis, perenes e de espécies madeireiras. Na postagem de hoje, vamos falar sobre o manejo de espécies madeireiras.

Estas árvores requerem cuidados e manejos, como a roçada das pastagens no verão, enquanto são pequenas e os animais não podem entrar para pastar entre elas. E algumas podas de inverno dos galhos baixos, durante os primeiros anos de crescimento. Algumas delas, por distintos fatores, podem crescer muito “desordenadamente”, o que determina o uso para lenha ou para madeiras para construção (tábuas, caibros, etc).

Em Waikayu temos talhões, de mais ou menos um hectare cada um, de diferentes espécies madeireiras, como bracatingas, eucaliptos e pinus que nasceram espontaneamente.  O mais antigo, com quatro anos, é de eucaliptos Dunii e Bentami, espécies de madeira vermelha, dura, resistentes ao frio,   usadas para construção.

Estas plantas, agora com 4 anos , e algumas que precisaram ser repostas, com dois anos, estão indo muito bem, como mostra a foto acima (em primeiro plano as plantas com dois anos, atrás a grande, com 4 anos). E agora,  neste inverno, tiveram a poda dos galhos baixos. Na foto abaixo, as mesmas três plantas depois da poda.

Esta poda produz  um fuste mais reto, e permite maior entrada de luz, deixando assim, que a pastagem nativa cresça e que possamos ter animais de pequeno ou médio porte pastando entre as árvores. Assim, de serrote e tesoura de poda em punho, o trabalho começou, na lua minguando, no início de agosto (meses sem R) e deve seguir por alguns dias.

O bosque vai se abrindo e a poda fica no chão, para se decompor e alimentar o solo. Depois do primeiro dia de trabalho, a entrada de luz já é bem significativa, como mostra a foto abaixo.

 

 

 

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4 comentários sobre “Árvores e sustentabilidade

  1. Olá! Sempre acompanhado as postagens. Fui indicada por uma amiga, a cristiane de sao pedro de alcantara.

    Gostaria de saber as novas datas de cursos. Já possui?

    Obrigada Lisiê

    • Oi, Lisiê
      Como já respondemos para Ivone, “o PDC de Yvy Porã acontece uma vez por ano, sempre na Semana Santa. As aulas acontecem durante nove dias, e o grupo fica alojado em Yvy Porã. As inscrições são abertas logo nos primeiros dias de janeiro.

  2. Bom dia!Gosto muito dos seus posts. Realmente inspiradores! Tenho uma propriedade rural junto ao meu pai em Joinville, Estrada Mildau, Pirabeiraba, e adoraria que viessem nos visitar, para um projeto da Associação de Pais Reluz, de escola de ensino fundamental e, futuramente, médio. Será de grande valor para nós e nossas crianças!  Abraço fraterno,      Diogo Vinicius Kroetz

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