Saber “cientificamente comprovado”

 

Na postagem de hoje, mais uma reflexão do Jorge Timmermann, sobre o cientificismo da sociedade em que vivemos.

Muitas vezes, seja em conversas informais, em cursos, ou mesmo por mail e aqui no blog, me deparo com a seguinte pergunta:

“Entendo o que o senhor disse, porém, poderia tirar uma dúvida? Tem como provar cientificamente que a melhor época do ano, para poda, corta de árvores ou manejo de bambu, seria no inverno quando há menos atividade e circulação de seiva. É que estou fazendo um trabalho, ou pesquisa, ou TCC, Mestrado ou Doutorado, sobre o assunto.”

Esta questão do conhecimento que é “cientificamente comprovado” é alimentado pelo paradigma social, urbano e acadêmico que propicia que o único conhecimento validado é aquele que se gera nas universidades pelos autodenominados cientistas e pesquisadores.
Logo de uma vasta atuação acadêmica e de pesquisa de campo (de 1970-2018) cheguei à conclusão de que é arrogância demais achar que só se sabe no seio da academia.
O conhecimento se gera em todo lugar e a toda hora pelo simples acúmulo de experiência (dados) advindas das observações e ações feitas com intenção; que alias, é o primeiro passo do método científico.
Logo, analisar os dados obtidos com intenção (quer dizer: obtidos tendo um modelo descritivo dos fatos a acontecer) e transformá-los em informação é só um passo metodológico que pode ser realizado numa nova fase empírica do processo de produção de conhecimento auto gerenciado que foi promovido por Descartes, e amplamente difundido no meio acadêmico (não sempre muito explícito nem bem conhecido pelos próprios pesquisadores), como o Método Científico.
Nesta fase, logo de gerada a hipótese correspondente, a confrontação dos dados/informação obtidos (que geram um modelo operacional que dará resposta à hipótese) poderão ser modelados em base estatística (previa definição do universo de amostra e a validade da amostra mínima para este universo em referência ao evento a comprovar).
Mas, veja bem, o método de Descartes não faz mais que relatar em forma de “Método” a forma em que sabemos; a nossa capacidade de aquisição de conhecimento, no caso auto gestado, o que fazemos nós os seres humanos.
Toda pessoa que pensa e processa informação (teoria do conhecimento/epistemologia) passa espontaneamente pelos passos do método científico.

Então, o único a discutir é a universalidade de este saber.

Sim, o conhecimento/saber obtido empiricamente por gerações e gerações num determinado lugar é válido só no contexto gerado….
Só que, a resposta a essa pergunta do saber respeito à melhor época de corta e manejo de madeiras é de difusão e consenso mundial!!!!
Todas as culturas vernáculas relacionam o manejo de espécies vegetais (plantação, corta, poda, etc.) a épocas do ano e a fases da lua.
Será que nenhuma delas sabe do que está falando, ou o que estão fazendo?
Deveremos perguntar e promover pesquisas nas universidades para que validem ou neguem esse saber?

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