Vacas e pastagens numa cultura permanente

Em geral, todo permacultor começa seu trabalho pela zona 1, 2, o que poderíamos definir como a moradia, de onde vem grande parte dos seu alimento, sua habitação, etc. O mais comum é este trabalho, começando com a horta, espiral de ervas, construção/ reforma da casa, tratamento de efluentes, etc. Como boa parte dos permacultores tem origem urbana e pouca prática de manejo com animais, estes elementos são introduzidos com calma e cuidado, em geral minhocas, galinhas, pequenos animais são os que acabam fazendo parte do design. Concretamente, seja pelas áreas pequenas, seja pela pouca experiência, temos um certo receio dos impactos de grandes animais.

Nas formações, no PDC , sempre que trabalhamos com grupos de agricultores , não há um design sem uma porca e seus filhotes e uma ou duas vacas. Já nos exercícios com pessoal mais urbano, aparecem as vacas, talvez por que a maioria das pessoas goste de um queijo, mas sempre com muitas dúvidas e incógnitas. Por isso nossa postagem de hoje fala sobre vacas e seu manejo num sistema permanente. Esta foto mostra 3 áreas distintas: em primeiro plano as bracatingas de um ano e a pastagem nativa, em segundo plano o piquete de aveia onde as vacas estão pastando, e ao funda a área de floresta, na beira do rio.

Vacas pastam! Isso é incrível, ironicamente, hoje o agronegócio descobriu isso, para vender carne mais cara! Ironias à parte, vacas precisam de pasto, água e sais minerais. Vivem em bando, se deslocam todas juntas, como seus primos selvagens, os búfalos. E um pasto, com diversidade, é o grande alimento delas. Mas vacas tem paladar e são seletivas ao comer. Ou seja, num sistema extensivo, elas comem o que gostam, e vão deixando o que é duro, ou menos palatável de lado, “sujando o pasto” com espécies menos gostosas. Na foto abaixo a variedade de gramíneas nativas na área de manejo.

Com estas observações, André Voisin, francês, cuidando da propriedade da família no pós segunda guerra, desenvolveu o chamado sistema Voisin, ou pastoreio rotativo. A ideia é deixar que as vacas pastem em piquetes pequenos, intensamente, o que reduz a seletividade, ou seja, elas comem tudo que tem ali, e também faz com que elas esterquem na área, adubando a pastagem. Os animais voltarão a este piquete passados muitos dias, idealmente até 30 dias. Isto dá trabalho? Sim, o homem pastoreia os animais, que trocam de piquetes diariamente. A infraestrutura é cara? Cercas elétricas, ao invés de cercas permanentes, tornam os custos viáveis.

No projeto Waikayu- Raízes estamos tratando de trabalhar de várias maneiras o manejo de grandes animais, usando os princípios do pastoreio rotativo com piquetes pequenos, criando pastagens nativas, usando gramíneas e pastagens arbóreas, incrementando a pastagem nativa com aveia, ervilhaca, nabo forrageiro, trevo, etc. Os animais são de pequeno ou médio porte, mestiços de limosin e charolês.

Nos piquetes de aveia, ou nas áreas com frutíferas, como as parreiras ( foto acima) , os animais ficam entre 3 e 4 horas, logo pela manhã. Assim os bichos “sabem” que ali é a hora de pastar, baixam a cabeça e comem. O que vem depois, as brincadeiras, o ruminar, a seletividade do paladar, é em outra área maior, constituída de pastagens nativas mais consolidadas e resistente ao pisoteio. Com isso se cria uma rotina e boas pastagens.

Nossa outra área em formação, é na região do plantio intensivo de bracatingas, como as árvores com um ano de idade ainda estão pequenas, simulamos o pastoreio não seletivo fazendo roçadas baixas. Estimamos que com mais um ano, as árvores estarão grandes o suficiente para piquetearmos para os animais mais jovens pastarem ali. Na foto abaixo as bracatingas de um ano, com as gramíneas roçadas agora no início da primavera.

Como dissemos , dá trabalho, leva tempo para implementar no seu equilíbrio das pastagens perenes, mas o resultado é impressionante. O que estamos vendo aqui, num sistema ainda em implementação é a proporção de uma vaca por hectare, quando num sistema extensivo, com degradação do solo, se fala de 3 hectares por animal.

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