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Waikayu- paredes de pau-a-pique +taipa leve

Depois de um breve intervalo, voltamos à casa de Waikayu, com o preenchimento das paredes.

Paredes de pau-a-pique + palha leve

Com a estrutura e telhado feito, chegou a hora de fazermos as paredes. Esta era uma grande novidade e desafio para o Juliano e sua equipe, afinal, era paredes de barro!

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Estamos numa região de serra, com temperaturas que variam entre –4°C e 32°C no verão, assim, para o conforto térmico da casa é necessário um material que seja bom isolante. Nossa opção foi fazer um pau-a-pique duplo,  de 15cm de espessura, com barro e palha, quase uma palha leve.  Como esta etapa da obra chegou na primavera, as pastagens e culturas que poderiam nos fornecer palha, ainda não haviam crescido, ai, achar palha não estava muito fácil. Temos, a menos de 2km da casa, a madeireira Fazenda Nova, dos amigos Alemão e Pablo, que poderia nos oferecer serragem e maravalha, materiais que fazem a mesma função da palha, que é formar uma esponja com o barro, preenchendo as paredes de forma a isolar tanto calor, como frio.

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O pau-a-pique é feito normalmente com bambu, mas não temos bambus aqui. Assim, novamente fomos á madeireira conversar com o Alemão, e negociar outro descarte dele: as sobras de madeiras. Este material é chamado aqui na região de “espetos”, são ripinhas finas, de 2×2,5cm, de comprimento entre 1 e 1,3m, quase lascas. Este material substituiu o bambu, com vantagens, pois racham menos, e tem mais uniformidade.

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As madeiras estruturais do nosso enxaimel tinham 15cm de largura, o que seria a largura da parede acabada. Ou seja, o preenchimento com barro e maravalha deveria ser menor que esta medida. Então pegamos todas as sobras de pontas de madeira da obra e fizemos o apoio de 10cm de largura  que foi pregado nas madeiras da estrutura. Estas madeiras de 10cm  é onde seriam pregadas as ripas, deixando 2,5cm de cada lado para o reboco.

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Juliano foi pregando os espetos na casa toda, mas apenas de um lado de cada parede, e a casa ficou como com um lambri. WP_20141023_001altAvQUODo8g2sPkymD8PSRh7GypNucPgOcfQK2DLzQZ9kW

 

Estava tão linda e caprichada, que deu vontade de deixar assim mesmo…

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Depois era hora de começar a preencher as paredes, para isso íamos pregando os espetos do outro lado da parede, a cada 60cm mais ou menos e preenchendo com uma mistura de maravalha e barro, na mesma proporção ( 1 de barro, para 1 de maravalha bem socada no balde), esta mistura era feita na betoneira, praticamente sem água, já que nossa terra aqui é praticamente apenas silte e argila, e sua umidade natural já era o suficiente para grudar e fazer a massa.

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Assim as paredes foram sendo preenchidas,  socando a massa com uma madeira, deixando o barro aparecer entre os espetos de madeira, sujando tudo com o barro- o que permitirá que depois o reboco possa aderir sem problemas.

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Parede a parede, foi subindo o preenchimento.  No caminhar deste trabalho, quando as paredes externas já estavam feitas, começaram os calores do verão, e Juliano percebeu a diferença entre o dentro e fora da casa- o quente fora e o agradável dentro.

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3 comentários em “Waikayu- paredes de pau-a-pique +taipa leve

  1. Olá! Parabéns pelo belo trabalho, adorei seu blog, acompanho vocês desde o tempo do orkut… Aquele grupo de permacultura dá saudades! Estou começando a pensar na construção da minha casa, não tenho nenhuma experiência e praticamente nenhum dinheiro também… rsrsrs Mas estou decidida a fazer minha casa! Minha idéia primeiramente seria fazer a casa hexagonal com estrutura de madeira do mato (tem muita madeira aqui no terreno, não consideradas muito “boas” pra construção) ou comprar o mínimo possível de madeira para a estrutura e paredes de pau a pique. O terreno é bem inclinado e tem bastante pedra e argila daquela bem clara (meio amarela). Escrevo pra saber se vocês podem me dar uma luz, se essa minha idéia é viável (casa hexagonal de pau a pique). A maior dificuldade é que não tem bambu por aqui nem sei como conseguir a palha, além da inclinação do terreno. Se puderem me passar alguma dica ou algum material didático para ajudar (vídeos, pdf, etc) agradeceria imensamente!! Ah, se ajuda, estou no Vale do Capão, na Chapada Diamantina, Bahia. Micro-clima (por vezes muita chuva e por vezes muito seco e bem fresco à noite, no inverno pode chegar a 7 graus e verão 30 graus e bastante vento também).
    Muito grata desde já!
    Sandra

    • Oi, Sandra , obrigada pelo seu comentário. Olha, para quem não tem experiência,nosso conselho é consultar um arquiteto, engenheiro ou construtor experiente.
      Alicerces de pedra, estrutura de madeira e paredes de barro são um bom projeto. Sem bambu, use galhos de árvores finos, eles tem apenas o papel de fazer uma malha para o barro ( veja que em Waikayu usamos madeirinhas finas, e não bambus).
      O viável ou não de um projeto, depende do terreno, claro! Por isso é fundamental conversar com alguém com experiência e critério na construção.

  2. Só posso dizer M A R A V I L H O S O

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