Alicerces de Waikayu- a casa da Serra.

Há algum tempo comentamos numa postagem sobre nosso projeto na serra catarinense, chamado Waikayu. decidimos unir as postagens, de ambos os projetos, num único blog, o mais antigo, o de Yvy Porã. Assim iniciaremos uma sequência de postagens da construção da casa de lá.

Alicerces ciclópeos

Para iniciar nossa casa mãe do projeto Waikayu,  chamamos uma retro para retirar a primeira camada de terra. Esta camada, chamada horizonte A,  é rica em matéria orgânica, o que é ótimo para canteiros, mas péssimo para a construção.  Assim, veio a máquina e marcou a área da casa, fazendo um monte com a terra boa, que será usada, posteriormente nos cultivos da zona 1.

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Em seguida começamos os alicerces, verificando como era o solo, sua resistência, isto define a largura dos alicereces. Nosso solo é bastante sólido, terra dura, com casaclho por baixo, assim, nossos alicereces tem em alguns pontos 40cm de largura e em outros 30cm. Como nossas paredes serão de terra,  nossa opção foi pelo alicerce ciclópeo, que é simplesmente muita pedra, com uma massa de cimento e areia no meio. Este alicerece é muito sólido, aguentando o peso da estrutura e parede, e também impede a subida de umidade.

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Como o relevo do local da casa tem uma sela, ou seja, um bom desnível entre os cantos, a maior parte dos alicereces ficou para fora da terra, em uma caixaria de madeira. Na foto abaixo o início do preenchimento do ciclópeo, com as pedras colocadas diretamente no solo e a massa de cimento e areia (1 de cimento para 5 de areia). As pedras usadas no nosso caso foram lascões ( ou pedra pulmão).

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Para aguentar o peso neste preenchimento, colocamos lascões pelo lado de fora da caixaria, além de algumas mãos francesas de suporte, como pode-se ver na foto abaixo.

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Assim, camada a camada esta caixaria foi sendo preenchida de pedras (lascões) e massa, lembrando de deixar colocados os canos para saídas de esgoto e entrada de luz. No final a proporção entre pedra e massa deve ficar mais ou menos em 50% de cada uma.

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No final, colocamos os vergalhões nos locais onde teremos pilares de tijolos e também os pilares de madeira. Estes vergalhões tem pelo menos duas funções: ligar os alicereces,à estrutura e ao telhado, já que tais ferros serão amarrados aos caibros do telhado.

DSCN1587  Depois de preenchido o ciclópeo, vem a cinta de amarração da casa. Esta tem duas funções: dar uma unidade ao alicerece e isolar de qualquer umidade que ainda possa subir pelas paredes.

Para dar a unidade faz-se a armação de ferro ( calculada de acordo com o peso da casa), e este ficará dentro de uma viga de concreto com um traço de 4 de areia e 1 de cimento. Esta cinta de amarração passa por todas as paredes da casa, internas e externas.

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Nos cantos ou encontros de paredes, onde teremos pilares, sai o ferro que ficará dentro de cada pilar de madeira, a fim de que ele não se desloque lateralmente. Onde vão os pilares ainda colocamos uma alça de arame que irá segurar um cabo de aço que liga o telhado ao alicerece. Este é o detalhe da foto abaixo.

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Depois de alguns dias, hora de retirar a caixaria. Parece estranho, um alicerce mais fora do que dentro da terra… Este era o nosso relevo, problemas e soluções são parte importante de cada obra! Nossa solução foi  aterrar tanto dentro, como  fora da obra, Outro detalhe interessante é que o ciclópeo parece “carunchado”, mas é assim mesmo, é só a parte de fora!

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E assim foi, alguns dias depois, com a ajuda de uma retro que jogava a terra dentro de casa, preenchemos os alicerces, aproveitando que ele terá tempo de se compactar durante o caminhar da obra nas próximas etapas!

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4 comentários sobre “Alicerces de Waikayu- a casa da Serra.

  1. prezados Jorge e Suzana, muito obrigado por todos os compartilhamentos e dicas preciosas, acompanho o blog de vocês há um tempo e gosto muito. estamos começando um projeto de permacultura aqui na regiao, se me permitissem, gostaria de fazer umas perguntas sobre fundações, vocês utilizaram uma camada de pedras sem massa de cimento na base da fundação para evitar a capilaridade ? no caso da cinta, reparei que fizeram somente com cimento e areia, por que não a utilização de britas como tradicionalmente se faz em concretos ?
    mais uma vez obrigado pelos compartilhamentos riquíssimos.
    abraços
    Ricardo

    • Oi, Ricardo
      O alicerce ciclópeo (baldrame corrido) preenche todo o volume do alicerce até atingir o nível de piso da casa, ele feito de pedra, com ou sem cimento a água não sobe nele.
      Utilizamos massa de cimento e caixaria porque a maior parte do alicerce se construiu sobre o nível do solo. Se fosse um alicerce todo cavado no chão, num solo firme, não precisa de cimento; poderia ser só as pedras na vala.
      Respeito do traço da cinta de concreto armado, não colocamos brita para que possa facilmente ser furado com broca de vidia nos lugares em que fosse preciso colocar um ferro vertical para ancorar colunas ou marcos de portas. A cinta esta bem no nível de piso, ela perpassa os vãos das portas amarrando todo o alicerce da casa.
      A brita no concreto não é estritamente necessária… ela aumenta o volume, do concreto, mantendo a qualidade de resistência dele, e diminui o custo: já que um metro cúbico de brita é mais barato que um metro cúbico de areia e cimento.
      Grande abraço.
      Jorge

    • Olá, Rafael
      aqui usamos umas 350 pedras. Mas isto, obviamente, depende do tamanho das pedras e da casa. Em Yvy Porã foram 3 pedras por metro linear, e em Waikayu foram de 4 a 5 por metro.

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