Águas- de março, abril… de sempre

“São as águas de março fechando o verão, é promessa de vida no meu coração”, sábio Tom Jobim.

Finalmente nossa espécie, Homo urbanus, começa a se dar conta de que água é vida, e que recursos naturais são finitos. Mas ainda fica buscando bodes expiatórios, para culpar como partidos políticos, ou quem seja, e não vê que somos nós, cada um e todos juntos que estamos nos levando ao caos… que pena!

São várias coisas bem simples mas que parecem um imenso mistério:

  • sem florestas não tem água
  • não há crise hídrica, há uma crise civilizatória ( o planeta se regula e a vida seguirá, com ou sem o homem).
  • existe água, na grande parte deste nosso Brasil, o que falta é o manejo, o cuidado com ela.

Esta afirmações chocam… Hum bem, vamos ver! São Paulo é o exemplo mais gritante, tem falta de água e nas últimas semanas um caos por inundações… Paradoxo estranho! Que tal usar esta água, armazená-la para o uso cotidiano. A água de chuva é limpa, claro que em lugares muito poluídos, como o caso das grandes metrópoles, descarta-se os primeiros minutos de chuva, que limpam a atmosfera, e em seguida, voilá! Água!

Na foto abaixo a casa que tínhamos em Florianópolis, área urbana, com a cisterna no jardim.

Uma chuva de 100mm significa 100 litros de água por metro quadrado de telhado. Assim, numa casa de 100m² são , em apenas UMA chuva forte 10.000l de água, que abastece uma família por um bom tempo.

Onde guardar esta água? Numa cisterna de ferro cimento, que ocupa algo como 9m² do seu quintal. Por que numa cisterna? Para a água ficar potável por anos, é preciso que seja guardada num lugar sem luz e sem entrada de matéria orgânica, e esta é a construção mais simples e barata que conhecemos.

Em todas as casas onde moramos nos últimos 10 anos, sempre tivemos como estratégia ter duas fontes de água, uma delas sempre a colhida diretamente do nosso telhado a cada chuva, e afirmamos sem dúvida, é bom demais usar esta água, para tudo, para beber, para cozinhar, banho, etc.

Nesta foto o detalhe do filtro de folhas e a bombona de descarte das águas na casa de Yvy Porã.

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Neste dias, na construção de Waikayu fizemos novamente a cisterna de 15.000l, além de termos como fonte primária uma nascente, com águas limpas de uma nascente protegida por um caxambu que nos manda água limpa e potável. Nesta foto a fonte protegida dentro da mata: o arame farpado cerca e protege do pisoteio de grande animais,  um ninho de pedras coberto por cimento protege a nascente propriamente dita (sistema de proteção de fonte “caxambu”).

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Fazer uma cisterna com dois pedreiros experientes e dois ajudantes leva 3 ou 4 dias. O primeiro ou os dois primeiros, mais demorados, são para montar toda a ferragem. Para isso usa-se malha POP de 10cm da Gerdau, vergalhões de 4,2mm ( o mais fino, usado para fazer estribos), malha de pinteiro, pode ser de plástico ou metal, e arame recozido para amarrar.

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O cilindro que será a parede lateral recebe a tela de pinteiro, toda amarrada e sem pregas

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Faz-se a base e a tampa montada sobre ela, com os vergalhões fazendo a estrutura cônica da mesma, como mostra a foto abaixo, onde a base já está montada e iniciamos a construção da tampa. a mangueira preta está ali apenas para montar a cisterna bem circular, uma invenção do Juliano.

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A estrutura da tampa sendo montada e amarrada, um trabalho de paciência…

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Finalmente a tampa pronta!

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Depois da gaiola pronta, vem a etapa de preencher as paredes. O traço que sempre dá certo é um traço bastante forte, de 2 de areia média lavada por 1 de cimento, com pouca água, se não ele cai na hora em que se coloca.

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Este vai sendo colocado com a colher, um colocando por fora, e outro segurando uma placa de fórmica por dentro para dar suporte. Parece mágica e todo mundo se surpreende na primeira vez, mas funciona! Os cuidado: manter o traço, usar pouca água e FAZER TODA A CISTERNA NUM ÚNICO DIA.

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No dia seguinte a estrutura já estará bem dura e permite a cobertura com nova camada de massa, que segue o mesmo traço: 2:1 ( dois de areia média lavada e um de cimento).

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Esta camada será por dentro e por fora, cobrindo o ferro, a malha e todos o buracos. Assim que a massa puxar, passa-se a esponja, alisando bem todas as paredes. O grande segredo, molhar bem e proteger do sol por 24 horas e depois… encher de água! o cimento cura com a água! As paredes irão “chorar” por alguns dias, o que é normal, e isto faz com que os pequenos poros se fechem. Esta primeira água tem um gosto bastante acentuado de cimento, assim, usamos para limpeza geral, jardim, etc. A segunda carga de água já pode ser usada normalmente.

 

 

 

 

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8 comentários sobre “Águas- de março, abril… de sempre

  1. Pessoal, tenho dúvidas! O que protege da entrada de mosquitos? Estamos com surto de dengue na minha região, sul de Minas. E em relação a saída da água?!! Vocês colocaram uma bomba para mandar água para a caixa d’água?

    • Oi, Helga
      A cisterna é um sistema fechado à entrada de sujeira e luz do sol, tampouco entram mosquitos.
      Os nossos antepassados deixavam viver uma rã ou perereca, nos depósitos de água, para que mantiveram a água limpa.
      Abraço.
      Jorge

  2. Boa dia pessoal,

    Gostaria que detalhassem mais sobre o alicerce desta cisterna. Após a escolha do local e da terraplanagem da área da cisterna como fazem o alicerce?

    • Oi, Fabiano
      Esta cisterna se apoia sobre um contrapiso de concreto de aprox. 5 cm.
      Não precisa mais, logo de assentada a cisterna os excedentes de material das paredes vai se espalhando e se termina igual que o reboco das paredes.
      Abraço.
      Jorge

      • Desculpe minha insistência, mas neste alicerce simples, é utilizado ferro/aço ou somente o concreto direto no solo. Estou prestes a iniciar a construção de uma cisterna em meu sítio e estou buscando mais informações.

        Um abraço e parabéns pelo site e compartilhamento de informações.

      • Oi, Fabiano
        O contrapiso leva só cimento:areia média:brita – 1:4:4; não precisa de ferragem.
        Os ferros virão com a estrutura do piso na jaula da cisterna.
        Se você construir uma cisterna de 10.000 litros, ela pesará 10.000 kg de água + 3.500 kg de concreto = 13.500 kg.
        A superfície de apoio será a de um círculo de 2,50 m de diâmetro.
        A superfície do círculo será = π*R² ; 3,1416*(1,25*1.25)= 4,90 m².
        Ou seja, a carga, no solo, da cisterna cheia de água será de= 13500 kg/42900cm²= o,319 kg/cm², distribuídos uniformemente.
        A cisterna não vai afundar nem rachar o contrapiso.
        Abraço.
        Jorge

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