Plantio de frutíferas no projeto Waikayu

A vida é feita de muitos projetos que desenvolvemos, em cada etapa, e das parcerias que encontramos pelo caminho. Bem, o projeto Waikayu nasce de uma grande parceria entre Yvy Porã e o Sítio Raízes, quase como uma extensão entre um e outro. Waikayu é uma palavra na língua Xokleng ou La Klãno, etnia indígena que vivia no planalto de Santa Catarina, e que significa “homem orgulhoso de sí mesmo”, não no sentido de arrogância, mas no sentido de ser responsável pelas boas ações e pela boa pessoa que é. Assim o espaço Waikayu, localizado ao lado do sítio Raízes, busca usar a permacultura como ferramenta de criação de um espaço de cultivo de alimentos éticos, com produção numa certa escala de frutas, verduras, carne e madeira. A localização possibilita o cultivo de frutas como pêssegos diversos, ameixas, nectarinas, laranjas, pokans, caqui, uvas, etc.

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No fim de semana do 15 de novembro, juntamente com os amigos Carol e Márcio, lá do Rio Lessa, Pedro Marcos, Jorge, suzana e Draln (aluno do CEDUP) fizemos o plantio de 104 mudas de frutíferas, segundo o design geral. Nosso pomar ocupa, neste momentos uma área de 3000m²,  numa suave encosta  de leste a norte, protegida do vento sul tanto pela inclinação do terreno, como pela floresta ali perto, que está sendo ampliada com o plantio de um talhão florestal de araucárias e bracatingas. Esta área era usada como pastagem e durante anos recebeu fogo, na crença do dono anterior, de que isso fazia o pasto rebrotar sadio. Agora,  já há 4 anos não se queima nada ali, e os animais foram retirados há uns 4 meses. Com isso, a fauna, tanto na superfícies, como no solo, começa a proliferar. Na foto abaixo, Márcio com uma “gallina ciega”, aquela enorme “minhoca branca”.

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O plantio foi em panelas, aproveitando a inclinação do terreno, fazendo um xadrez em diagonal.  Para cada muda o berço era preparado retirando o pasto numa área de meio metro quadrado.

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Em seguida era cavado o buraco, de 40cm por 40cm e uns 30 de profundidade. O que nem sempre era fácil, já que estamos numa região onde o cascalho aparece muito próximo – não é a toa que a cidade próxima se chama Lages, devido às pedras que afloram nos campos.

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Depois do buraco feito, hora de plantar! Tirar cada muda do seu saquinho é sempre uma novela para não desmanchar o pão. Mas nosso ajudante Darlan, alunos do CEDUP Caetano Costa, deu a aula:

Deite a muda no chão já ao lado do buraco; com uma faca corte e retire o fundo do saco da muda.

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Também faça o corte da lateral inteira.

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Segure o saquinho e coloque no buraco a muda com o saco plástico, siga segurando e vá jogando a terra dentro.

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Quando já estiver cheio de terra, mas antes de compactá-la é só puxar o saco pelas pontas, assim ele sai fácil e o pão da muda segue preservado. Agora é só compactar a terra ao redor.

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Outra dica interessante foi dada pelo Fabrício, do viveiro de mudas lá de Alfredo Wagner, que é colocar um punhado de sementes de milho no buraco antes de colocar as mudas, segundo ele, isto faz com que a perda de mudas no transplante seja menor. Ficamos pensando e conversando sobre isto… qual seria a lógica? Bem, as sementes se incharão de água, e chegarão a germinar, porém não brotarão, pois estão muito no fundo, com isso, se transformam numa reserva extra de água e nutrientes para as mudas. Bem, decidimos experimentar, e cada muda recebeu seu punhado de milho.

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Depois de plantadas, cada muda ainda recebeu um bom punhado de adubo orgânico paletizado, que foi misturado à terra na superfície.

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Terminado o plantio, hora de colocarmos os tutores em cada planta. Motoserra e facões em punho, usamos a galhada de dois pinus que haviam sido cortados há anos, e fizemos as estacas. As plantas são amarradas aos tutores para que num caso de vento forte, elas não se curvem demais, já que ainda não tem raízes maiores prendendo-as à terra, e também para indicar, numa futura roçada, onde temos mudas.IMG_6683

Tivemos muita sorte, pois nas noites imediatamente após o plantio caíram chuvas significativas, o que fez o trabalho de rega das mudas. Na foto abaixo, a pausa para o lanche que a Eluza trouxe para a roça!

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Plantar nesta escala é bastante diferente do plantio de uma muda em casa, já que não conseguimos ainda colocar a palhada ao redor de cada planta, decidimos apostar numa não roçada neste momento, para também não atrair as formigas cortadeiras.

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Estimamos que em 2016 já estaremos colhendo os primeiros frutos no espaço Waikayu. E que venham muitos plantios e colheitas!

As fotos desta postagem foram feitas pela amiga Caroline Pacheco.

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8 comentários sobre “Plantio de frutíferas no projeto Waikayu

  1. E assim continuamos expandindo as fronteiras, fronteiras estas que agregam……
    E aqui pra nós, o processo de plantio rende uma cartilha.
    Um abraço

    Paulo Campos

  2. Que legal ter tão pertinho de Lages uma iniciativa como essas!

    Consegui minha inscrição para o PDC de abril e espero conhecer os tantos projetos que sei ter em Santa Catarina e, um dia, eu mesmo atuar nisso com amor e disposição de doação à humanidade!

    Vamos que vamos!

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