Zona 3- cultivo de milho, feijão, fava

Na postagem anterior explicamos alguns pontos básicos do Design em Permacultura, falando sobre as zonas. Até hoje, em Yvy Porã, tivemos muitas experiências nas zonas 0, 1 e 2, com as construções, cultivos nos canteiros e com as frutíferas. Com a presença do Martin e da Rafa veio a proposta de fazermos uma pequena zona 3, no pequeno vale entre a Casa da Montanha e o terreno onde Bel e Mariani pretendem fazer sua moradia. Esta área de 5m por 50, na orientação Norte Sul, estava reservada para uma roça desde nossos primeiros estudos do espaço, por apresentar uma terra bastante fértil, ser protegida tanto de grandes ventos, como de excesso de sol.  Assim, com a disposição deste jovem amigo, resolvemos fazer nossa primeira roça.
Primeiro passo: roçar a área, retirando a vegetação, para poder limpar, e preparar os berços para o plantio.


Passo dois: Martin fez um mix de esterco de vaca curtido, uma pequena porção de cinza, buscando corrigir a acidês do solo (indicada pelo abundante crescimento de samambaias), mais serrapilheira, tirada da floresta e o solo do local.


A idéia é seguir plantado a cada mês, nas luas crescentes, mais duas fileiras, e assim ir colhendo também espaçadamente. Quer dizer, não fazer um cultivo onde se plante tudo no mesmo dia, e que os frutos amadureçam também ao mesmo tempo; queremos colher ao longo da primavera e do verão. Assim, Martin  cavou duas fileiras de berços, a 30cm uma da outra.
Passo três : Fez um mix de sementes, e foi plantado.


Depois pegou toda a matéria orgânica roçada, e arrumou-a ao longo das fileiras, esta matéria irá proteger o solo, abafar o inço que possa querer competir com nossos cultivos e decompondo-se, seguirão nutrindo o solo.


Assim, Yvy segue descobrindo novas coisas a cada dia, assim como o pequeno Noah, aprendendo a engatinhar e descobrindo folhas, no gramado da Casa da Montanha.

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6 comentários sobre “Zona 3- cultivo de milho, feijão, fava

  1. ola, é… as chuvas chegando e as plantações começando….. então, eu costumo plantar roças, porem do jeito que aprendi com meu vô, ou seja capina o mato, faz covas separadas, e planta cada cultura e uma area restrita….. ai me deparei com este “mix” de sementes e algumas duvidas…. voces plantam varias culturas juntas, mas cada uma em um berço diferente, ou a idéia é juntar todas sementes e ir semeando todas ao mesmo tempo no mesmo berço ???

    mais uma pergunta… minha area de roça, vem sendo cultivada do jeito “tradicional” e devido ao uso de fogo e capinação total, esta estéril de materia organica… sem contar que devido ao manejo inadequado, tambem esta beem compactado, alem de ser uma area de inclinação (a chuva lava a terra)….. bem ai que lhes peço uma idéia… estou pensando em arar esse espaço para “afofar”, depois com a terra fofa, produzir curvas de nivel, e só depois disso começar a aplicar uma adubação verde, começar uma forragem organica pra assim poder começar uma plantação organica / permacultural / variada….. voces concordam ou tem outro jeito para min não recorrer à aração do terreno ???

    por enquanto é isso, e parabens a todos que participam desse ótimo projeto…

    doga

    • Oi, Doga
      Recorrer ao arado pode ser uma opção emergencial de uma única vez.
      Isto quer dizer: se o solo esta compactado, anaeróbico e nada de fertilidade… pode-se arar e fazer uma adubação verde que comece a recuperação dele.
      Como você o propõe é o caminho certo:
      – Arado e construção das curvas a nível, fazendo terraços de cultivo.
      – Adubação verde, eu faria pelo menos uma de primavera/verão e outra de outono/inverno.
      – Depois podes pensar em começar uns cultivos; uma boa é a tua ideia da pastagem “nativa” (deixa o pasto crescer)… aumentar muito a biomassa.
      Haveria outro jeito, para não usar o arado, que é utilizar plantas que quebrem a dureza do solo e façam adubação … mas elas não constroem curvas de nível.
      Então, o uso mecânico do arado é uma agressão sim… mas, usado como corretor da paisagem, uma só vez, e para a construção de uma nova situação sem erosão e fazendo um manejo que aumente a fertilidade; faz todo o sentido.
      O uso do mix é para não sermos nós os que dissidimos que se planta onde e quando num solo que não conhecemos. As sementes entram todas juntas, logo saberemos segundo como elas se comportam e que é que nos dizem ao respeito.
      A ideia básica é fazer agora o cultivo das três irmas “guarani”: milho/feijão/abóbora.
      Grande abraço.
      Jorge

  2. oi jorge, obrigado pelas dicas… bom, como estou construindo minha casa e acho que levarei ate o ano que vem, acho que dedicarei o prox. verão e o prox. inverno somente pra recuperar esta area, e depois disso poderei começar plantações saudaveis…. é ai que tenho mais perguntas…. haha (desculpem pelas varias perguntas… é que somos bem jovens e estamos começando ocupar nossa area de terra então estamos muito animad@s com tudo que temos aprendido e com tudo que podemos fazer com aquela area que ate ano passado era plantação de cana e mato controlado com “mata mato”)…. mas vamos la: quais plantas voces indicam para adubação? eu devo cortar quando grande e deixalas ao solo ou somente ir podando e deixalas em pé? e mais uma: que plantas voces indicam para um quebra ventos?

    agradeço muito a atenção,

    doga.

    • Oi, Doga
      O comentário do Martin vai ao encontro do espírito do nosso blog.
      Mostramos o nosso trabalho com o intuito de divulgá-lo, e de sermos inspiradores para que outros tomem iniciativa e busquem as respostas no fazer do dia a dia.
      Eu não sei onde (qual é o ecossistema) você esta. Não conheço as dicas dos seus vizinhos, não conheço a tua historia, etc.; mas… se realize no caminho da independência e liberdade. Pergunte aos vizinhos siga as dicas do Martin, vai provando e confirmando as tuas intuições. Siga o princípio de fazer ensaios, em pequena escala, o que da certo replica-se em maior escala; quer dizer: “errar pequeno”.
      Um grande abraço.
      Jorge

  3. Partilhando conhecimento,
    Sobre o berço, me recordo de uma aula que tive com o agricultor Aparecido, que contou como ele está fazendo:

    “Então, o que a gente faz: a gente pega o inhame, batata doce, pega cará, mandioca e aqui dentro dessa linha a gente pode tá colocando e plantando, porque ela vai sair e junto com essas coisas a gente acaba colocando semente de fruteiras, mas aqui dentro é só pra colocar semente, não é bom pegar mudinha pra colocar aqui dentro. Pega as sementinhas e se você quiser plantar um inhame você planta, uma mandioca, ou um milho, se quisesse pra colocar dava pra colocar ou gengibre ou alguma outra coisa, e daí esse exemplo que eu dei da batata doce e das outras coisas é só pra dentro da terra é um negócio que é debaixo da terra, aí a laranja seria um segundo andar. O café seria o primeiro andar . Então no caso aqui, eu teria que ter a laranja, teria que plantar o café, e abacate e jaca pra fazer o terceiro andar. Então aqui dentro não poderia deixar de colocar essas sementes” (Agrofloresteiro Aparecido).

    Legal né?! plantar tudo junto e já pensando em todos os ‘andares’ que vão se formando com o tempo…

    abraços,

    Martin

  4. […] Em setembro, com a proposta do Martin, começamos a plantar milho numa pequena área entre duas pequenas lombas, lugar onde a fertilidade é maior, já que leva nutrientes naturalmente para ali. Em primeiro lugar roçou-se, depois foi-se plantando, a cada lua crescente, duas fileiras de milho, fava e feijão, assim, tudo junto. Na foto abaixo percebe-se os pés de milho das primeiras fileiras, plantados um a um. […]

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