Reboco interno da oficina

A oficina da Casa da Montanha é uma das partes com mais histórias deste projeto. Fizemos a Geodésica,  com todo o seu fascínio  e desafio, que teve em  todas as suas etapas, problemas e aprendizagens para todos os envolvidos! Depois começamos nossa pequena e simples oficina, fazendo alicerces, estrutura e telhado. Um projeto singelo, funcional e, se podemos dizer, tradicional!

Como panos das paredes decidimos usar a tela de alambrado que já tínhamos, palha e barro, aplicando e aprendendo uma das técnicas do video “El barro, Las manos, la casa”. Este video de Gustavo Marangoni mostra várias técnicas construtivas com barro, explicadas pelo construtor Jorge Belanko.

Na semana em que fechamos as paredes, iniciamos o reboco interno,começando pelas paredes que já estavam secas. Para este reboco, seguimos parcialmente a receita do mesmo video do Jorge Belanko, e fizemos nossa mistura que é a seguinte:

2 baldes de terra e 1 balde de areia ( para ter a proporção de 60%areia e 40% argila)

1 balde de esterco de vaca

1/3 de balde de cal hidratada

1 copo de leite em pó

1 litro de grude diluído em água

Paredes prontas e secas, Suzana, Martin e Rodrigo começaram a rebocar a parte interna a fim de que possamos logo fazer o contra-piso. A primeira parede feita, foi aquela dos erros, com mais fiapos de palha. E este foi o primeiro pano a receber o reboco, dando um acabamento, e deixando-a linda!

Depois de preeencher com as mãos, deixamos o barro puxar um pouco e fizemos o acabamento final com a colher de pedreiro.

Um dos truques é cortar o barro que fica sobre as madeiras da estrutura, pois ele irá desgrudar, assim, é melhor cortar, que ele fica já acabado, ao invés do barro de quebrar onde e como queira, dando um acabamento feio e sem capricho.

Em outro dia, além da turma já comentada, veio o Kleber, que fez o PDC conosco em Campo Largo, e também ajudou no trabalho! Finalmente, a oficina fechara, vai ficando com cara de oficina, e não de galinheiro, como o pessoal brincava ao ver a casinha com as paredes de alambrado! O primeiro reboco, chamado reboco grosso, ainda racha bastante, não se preocupe…

Com a camada do reboco fino, as trincas se preenchem e fica bem bonito!

E finalmente, Jorge também terminou a porta , que como brincou o Zeca, parceiro de Yvy, é a porta do mosteiro! Jorge e eu, realmente nos emocionamos ao pendurá-la! Veio todo o filme, desde a geodésica, até esta porta!

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8 comentários sobre “Reboco interno da oficina

  1. Desculpem, mas a proporção de terra e areia não está trocada?
    Sou um novo seguidor e estou realmente impressionado com tanta coisa útil que vem sendo postada. Espero poder continuar com vocês, pois acabei de fazer o PDC em setembro no Ipec e pretendo colocar algumas coisas em prática. Um abraço e parabéns !!!

    • Oi, José Geraldo
      A quantidade de areia que agregamos, a “nossa terra” no YvyPorã, é na proporção de dois de terra para um de areia. Desta forma reformulamos a relação de argila 60% e areia 40%, que tem o nosso solo naturalmente, para uma nova proporção de 60% de areia e 40% de argila; que é uma proporção adequada para construção.
      Como cada solo em cada lugar é diferente, deve se fazer o teste da garrafa (com solo + água) para saber a proporção de “argila:areia” do solo. Esta idealmente deve estar entre 30-40% de argila e 60-70% de areia.
      Agora fica claro? Senão pergunte outra vez. Estas questões são fundamentais para ter uma boa agregação do material, quer dizer argila suficiente… mas ao mesmo tempo que esta não seja excessiva, para evitar rachaduras por contração.
      Abraço.
      jorge

    • Oi, Cristiano
      Nós usamos como aditivo, para que o material de reboco e/ou pintura seja mais plástico e grudento na parede, o grude (aquele que se faz na escola com polvilho ou farinha de trigo fervida em água). Quando vamos misturá-lo com a terra devemos usá-lo diluído em água para poder misturá-lo.
      Abraço.
      Jorge

  2. Pessoal, acabo de aderir! Estou pensando em propor soluções baratas e factíveis para moradores de aldeias indígenasTupiniquim, no Espírito Santo, fazerem o acabamento (revestimento interno e externo) de suas casas de alvenaria. Eles estão substituindo as belas casas tradicionais de estuque (como chamam aqui a taipa ou o pau a pique) por tijolo furado… A falta de dinheiro faz com que erguidas as paredes, instaladas portas e janelas e feito o telhado, o acabamento fique pra todo o sempre depois. E fica tão feio… A Renata Alves de Souza me falou de vocês e desse blog. Já gostei! E vem a primeira dúvida: o que é o tal de grude líquido??? Abraços, e obrigada pelo compartilhar. Marina

    • Oi, Marina
      O grude é aquele que fazíamos na escola antes de aparecer a cola vinílica (PVA).
      É disolver 7 colheres de polvilho ou farinha de trigo em um litro de água, uma colher de vinagre e ferver até que fique translúcido.
      Logo se dilui em mais litros de água até chegar na densidade desejada.
      Abraço.
      Jorge

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