Inverno: época do manejo do bambu

Bambus são uma madeira incrível- linda, flexível, de crescimento rápido, que apontam milhares de possibilidades de uso. Mas tem seus poréns, e o maior dele diz respeito a quanto esta madeira é apetitosa para bichinos como cupins,  brocas, etc.

Em Yvy Porã temos várias mudas de Dendrocálamus, bambusa vulgaris e Guádua, que foram plantadas em 2004, logo que compramos a propriedade. Estas mudas demoraram alguns anos para se estabelecer e desde 2007 vem soltando novos colmos a cada ano.

O que é o bumbu? Bambu é uma gramínea, ou seja, um pasto! Por isso cresce tanto e tão rápido! Todos os anos ele coloca novos brotos, estes brotos nem sempre crescem de maneira ordenada, como mostra a foto abaixo. Quando crescidos, são os colmos, uma vara de bambu- ou dependendo do caso, uma tora! Um colmo amadurece e fica pronto para corte em 3 ou 4 anos, ou seja, é a madeira de crescimento e amadurecimento mais rápido que temos, por isso um recurso importante a ser usado quando se fala em sustetabilidade.

Existem muito tipos de bambu, com características distintas, alguns com cores diferentes, como o bambu Brasil, com o seu amarelo e verde característicos. Vários deles dão,além da madeira, o broto, como alimento e iguaria, sendo muito fácil de processar, basta ferver algumas vezes, ir trocando a água para tirar o excesso de tanino, e depois guardar em água e sal. Na foto abaixo Jorge manejando o bambu dendrocálamus, os colmos maduros apresentam os líquens na casca.

Hoje se propõe o uso deste super recurso natural em construções, artesanato, movelaria, etc. Basta saber usar e dar asas à imaginação.

Mas e a questão dos bichos? Como tratar esta madeira? Dizem os antigos, que o manejo do bambu é o melhor tratamento e prevenção para estes problemas. E as dicas são:

  • cortar os colmos maduros,  com mais de 3 anos.
  • cortar nos meses sem “R” (ou seja, no inverno) quando há menor crescimento da planta.
  • respeitar a lua, ou seja, corta-se na lua minguante, e quando ela, lua, não estiver visível no céu.
  • deixar secar à sombra, na própria touceira, até perder as folhas, ai levar e seguir protegendo do sol, até a madeira estar seca.

Estas dicas, vindas de antigas culturas, funcionam melhor em alguns ecossistemas, principalmente os mais frios.

Assim, neste final de semana, Jorge contou com a ajuda dos amigos Rodrigo, Martin e Arthur  para fazer o manejo das nossas touceiras de Dendrocálamus.  um trabalho para um grupo, que exige cuidado, já que nesta espécie de bambu os nossos colmos já  chegam a 16 m de altura e estão com 18cm de diâmetro, mais uma tora do que uma vara…

O manejo é cortar os colmos que nascem em lugares que dificultem sua retirada depois, ou aqueles que se cruzam no crescimento, entortando-se. A touceira cresce de dentro para fora, assim vamos formando uma ferradura, para poder entrar e manejar a planta. Usamos a motoserra, e vamos deixando apenas os colmos melhores, que assim crescerão mais saudáveis. Desta forma uma touceira não é enorme, mas manejável, com colmos do ano, brotos novos e as varas mais maduras que estão crescendo- nenhuma com mais que 4 ou 5 anos fica na touceira.

As touceiras manejadas ficam “abertas”, podendo-se caminhar dentro dela e dando espaço para o crescimento dos brotos que ficam, como mostra a foto abaixo:

Depois, com os colmos colhidos é hora de fazer mudas para os amigos levarem. Rodrigo está com um projeto com seus pais e irmãos em Bragança Paulista, e levou várias mudas para plantar lá. As mudas começam com os famosos copinhos, com um galho, são colocados nos vasos.

Deste nó na borda da terra fértil, sairão novas raízes, que em um ano deverão estar prontas para ser transplantados para seus lugares definitivos.

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9 comentários sobre “Inverno: época do manejo do bambu

  1. Adorei a postagem, gostaria de adicionar que esse bambu tb pode ser plantado com os colmos cheios de água, perfurando com uma broca de 1″ e depois tampando dom uma rolha ou sabugo de milho, como fiz no meu sitio.

  2. Pingback: Mais uma tarefa de inverno: manejo dos bambus! | A casa da montanha

  3. Muito oportuno esse post, amigos! E Quanto ao tratamento que fazem no dendrocalamus (bambu gigante, certo?)? Fiz uma colheita boa esse ano de umas 18 toras, tudo direitinho igualzinho você indicou: minguante, mês sem “r”, deixei secar à sombra, etc. Aí, um amigo falou que trata fazendo um furinho em cada colmo e despejando com funil óleo diesel e veneno pra broca, depois rodando diariamente até que seja absorvido o líquido internamente. Qual tratamento vocês indicam? É bom troca experiências, né…

    • Maurício, temos acreditado e praticado como único tratamento os tempos de colheira descritos nas psotagens… Até aqui tem funcionado- pelo menos aqui no sul…

  4. muito interessante obrigada por compartilhar conosco, porem poderia tirar uma duvida tem como provar cientificamente que a melhor epoca do ano seria no inverno que ele guarda sua maior parte de reserva? é que estou fazendo um trabalho sobre o assunto.
    Se puder ajudar ficarei grata

    • Oi Amanda
      Esta questão do conhecimento que é “cientificamente comprovado” é alimentado pelo paradigma social, urbano e acadêmico que propicia que o único conhecimento validado é aquele que se gera nas universidades pelos autodenominados cientistas e pesquisadores.
      Logo de uma vasta atuação acadêmica e de pesquisa de campo (de 1970-2000) cheguei à conclusão que é arrogância demais achar que só se sabe no seio da academia.
      O conhecimento se gera em todo lugar e a toda hora pelo simples acúmulo de experiência (dados) advindas das observações e ações feitas com intenção; que aliais, é o primeiro passo do método científico.
      Logo, analisar os dados obtidos com intenção (quer dizer: obtidos tendo um modelo descritivo dos fatos a acontecer) e transforma-los em informação é só um passo metodológico que pode ser realizado numa nova fase empírica do processo de produção de conhecimento auto gerenciado que foi promovido por Descartes e amplamente difundido no meio acadêmico (não sempre muito explícito nem bem conhecido pelos próprios pesquisadores) como o Método Científico.
      Nesta fase, logo de gerada a hipótese correspondente, a confrontação dos dados/informação obtidos (que geram um modelo operacional que responderá à hipótese) poderão ser modelados em base estatística (definindo o universo de amostra e a validade da amostra mínima para este universo em referência ao evento a comprovar).
      Mas, veja bem, o método de Descartes não faz mais que relatar em forma “Metodológica” a forma de aquisição de conhecimento, auto gestado, que fazemos nós os seres humanos.
      Toda pessoa que pensa e processa informação (teoria do conhecimento/epistemologia) passa espontaneamente pelos passos do método científico. O único a discutir é a universalidade de este saber.
      Sim, o conhecimento/saber obtido empiricamente por gerações e gerações num determinado lugar é válido só no contexto gerado….
      Só que, a resposta a essa sua pergunta do saber respeito à melhor época de corta e manejo de madeiras é de difusão mundial!!!!
      Todas as culturas vernáculas relacionam o manejo de espécies vegetais (plantação, corta, poda, etc.) a épocas do ano e a fases da lua.
      Será que nenhuma delas sabe do que está falando, ou o que estão fazendo?
      Deveremos perguntar e promover pesquisas nas universidades para que validem ou neguem esse saber?
      Espero ter ajudado.
      Grande abraço
      Jorge

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