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Noroeste da Argentina- casas de adobe e paisagens especiais

Neste julho fizemos uma viagem ao Noroeste da Argentina, uma região pouco conhecida dos brasileiros, de uma beleza natural impressionante, com formações rochosas de cores infinitas e com um papel importante na história da independência Argentina. Na foto abaixo a chegada à Purmamarca na província de Jujuy.

Num clima semiárido e árido, onde as chuvas ficam num regime menor a 200mm por ano, o povo que ali habita aprendeu com seus ancestrais, quéchuas e aimarás, como sobreviver neste ecossistema. A cada curva, a cada nova paisagem nos surpreendemos e lembramos de cada parte de um curso de permacultura, na leitura de paisagens, nos cultivos, nas construções, por isso resolvemos fazer esta postagem, para mostrar um pais vizinho tão lindo e tão desconhecido por nós… Nesta foto o nevado de Cachi, e o vale do rio Calchaquí.

As províncias visitadas são Salta e Jujuy, as duas mais ao norte, parte delas contempla a Cordilheira dos Andes na sua parte seca, ou seja, onde não chove, a não ser no verão e outra parte mais plana, com outros ecossistemas como a yunga. As cidades de Purmamarca, Cachi e Cafayate nos levam a uma viagem no tempo e um mergulho na cultura andina, com músicas, construções a artesanato de um povo guerreiro, tom de terra, com força para viver em condições extremas. Nesta foto a quebrada de las flechas, pela Ruta 40, entre Cachi e Cafayate.

O clima frio e seco do inverno, com falta de chuva por pelo menos 10 meses do ano, faz com que o pastoreio de cabras e lhamas seja a atividade nesta época, mas no verão o cultivo de milho, batata, abóboras enche de verde os terrenos preparados com irrigação de águas dos rios e do degelo. Na foto abaixo um sítio localizado na Cuesta de Lipán, a 3000m de altitude, onde se vê a área de cultivo com os canais de infiltração com água que vem do degelo. Ao lado da casa, construído com pedras, o curral das cabras e lhamas; e bem no centro e à direita na foto, o cano branco que leva a água de degelo para o campo de cultivo.

Obviamente neste contexto nos lembramos das discussões sobre vegetarianismo nos cursos. Como sempre, o contexto nos dá os limites e nos ensina a viver não de acordo com nossa arrogância intelectual, mas de acordo com a natureza do lugar. Ser vegetariano neste ecossistema é algo impensável, e olhado como total estranheza pela pessoas simples,  com sua sabedoria ancestral que ensina o homem a viver no seu meio. Nesta foto a pastora, com a pastagem nativa, resistente ao clima.

Numa terra de poucas madeiras, o algarrobo ( que em quechua se chama “Taco” quer dizer “a árvore”) é um grande recurso, onde muitas vezes se usam podas , ou seja, não se corta a árvore e sim galhos. A terra é pedregosa, mas bastante fértil, principalmente nos vales. Uma prática corrente é o recebimento de água com dia e hora marcada, assim, cada agricultor prepara seu solo para este momento e desta forma os cultivos acontecem. Na foto abaixo, um algarrobo em primeiro plano e um cultivo com suas “melgas” de irrigação, todas a nível, recebendo sua cota de água.

Nesta terra moldada no período terciário, levantadas pelo choque entre as placas tectônicas, fez aparecer desenhos lindos,  com terras coloridas e de uma magnitude incrível, que faz com que repensemos o nosso tamanho frente à natureza!

Como disse um amigo permacultor argentino, “aqui a Pacha Mama se mostra completamente desnuda, em toda a sua grandiosidade. Lá no Brasil ela é assim linda também, mas coberta com seu manto verde, também incrível…”. Na foto abaixo  a caminhada pelo Cerro Colorado, em Purmamarca.

As construções de adobe são uma marca na quebrada de humauaca, em cidades como Tilcara, na mágica  Purmamarca, também nos vales Cachaquies, nas lindas cidades de Cachi e Cafayate.

Casas de um ou dois pavimentos, com alicerces de pedra e tijolos de adobe trazem influências da cultura inca, que trabalhava com pedras; ou dos espanhóis, que trouxeram o adobe (que por sua vez foi introduzido na península Ibérica pelos árabes); sejam as construções novas ou as antigas. Na foto abaixo a pousada de Purmamarca, toda feita em adobe.

Nesta panorâmica de Purmamarca, as novas construções de adobe seguem o estilo histórico deste patrimônio.

Não tem como a gente não se impressionar com a beleza das casas antigas, como nas fotos abaixo, a primeira a Escola de Purmamarca

Nesta outra a prefeitura em Cachi

E a Igreja em Cachi com o teto em arco e as madeiras de cardón (aquele enorme cacto do desenho do Papa- Léguas).

Conhecer estas regiões pouco exploradas nos leva a respeitar e ampliar nossas percepções do mundo…

Em tempo de globalização, a proposta de Edgar Morin, de que conhecer permite preservar, respeitar e valorizar as culturas …, vivemos isto o tempo todo. Talvez a imagem mais forte desta fala de Morin, seja a imagem abaixo: entre Cachi e Cafayate, o único caminho é por terra, em 150km de estrada de chão, um grupo de casas de adobe, com colunas gregas, e uma antena do Direct TV.

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5 comentários em “Noroeste da Argentina- casas de adobe e paisagens especiais

  1. Desculpem a crítica, mas antena de Directv, para mim, significa é o início do fim de qualquer cultura tradicional.

    • Caro “Reflexão”
      Sua colocação foi a minha posição por um tempo, até eu ler um belo texto do Edgar Morin, que como diz seu pseudônimo ai, me fez REFLETIR…
      Veja, a globalização é uma faca de dois gumes… Se na primeira impressão ela pode passar um rolo compressor sobre as culturas, exterminando-as. Por outro lado, sem comunicação, sem esta coisa global, quantas culturas foram extintas sem que ninguém sequer soubesse que elas existiram?
      Ai me flagrei o quanto o colocar culturas distintas em comunicação permite que elas se coloquem, que elas conheçam e façam conhecer! E o quanto pode ser egoísta e autoritário o “eu posso estar no mundo, e tu deves ficar ai isolado”…
      O problema é a comunicação ou o que fazemos com a comunicação? O que colocamos nos meios de comunicação?
      Nesta região, desta foto, perto de Cachi tivemos contato com eventos típicos, de vida das pequenas comunidades, como telar de palo, concurso de fiação de lana, e uma peña fantástica com grupos de danças e músicos locais.
      Ou seja, vamos usar decentemente a globalização e fazer com que TODAs as culturas apareçam e sejam conhecidas, valorizadas, etc…

  2. Hola soy del norte..valles calchquies….agradesco las apreciaciones de tu paceo….estamos por construir una casa..en cafayate….de adobe .y aparecieron tus fotos de cachi…..la idea es ..usar as tecnicas incas y espanholas que ya tenemos..a ..casa tranquila de los nuevos movimientos…beo que ablas de permacultura….agradeceria mucho tus consejos…nose si pueden convivir .huerta.organica.y ..picina de watshu…casa de adobe..con cocina abierta.a los amigos..y bodega…subterranea……un fuerte abrazo…y .en algun momento nos encontramos y tomamos un torrontes..salud….julio

  3. […] mais sobre a viagem da Lara, a região visitada e construções sustentáveis, acesse o bloguinho a Casa da Montanha, projeto desenvolvido pelo casal de permacultores Suzana Maringoni (mãe) e Jorge […]

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