Curso PDC na vila do Estevam- Canoa Quebrada

Este é o terceiro ano que vamos para o Ceará, na mesma época, para o que foi recém batizado de “PDC das férias”. Nos dois anos anteriores este curso aconteceu na serra da Meruoca, interior do Ceará, organizado pelos permacultores de Sobral, do grupo Permacultura na Meruoca,  moçada jovem, super séria, envolvida com o desenvolvimento local e a permacultura.

Neste ano, dois outros jovens permacultores, Ana Nobre e Fábio Porto, assumiram o PDC junto à comunidade da vila de pescadores, chamada vila do Estevam, Canoa Quebrada, onde eles desenvolvem trabalhos junto à comunidade. Junto com eles os atores locais, Oscar Índio  e sua companheira, Francisca, além da AME- associação dos Moradores do Estevam. Na foto abaixo, o grupo numa caminhada fazendo a leitura de paisagem da vila e arredores.

Esta vila é o reduto dos mais antigos pescadores de Canoa Quebrada, um vila entre a falésia e as dunas, com história de lutas,  resistência à especulação imobiliária e ao mesmo a tempo no dilema de viver com ou sem o turismo… Um dos pontos muito fortes desta história é que ali a posse da terra é da AME, dos moradores da comunidade como um todo. Assim, para construir e onde construir, tem-se que participar da comunidade por um ano, e quem define o local da casa é a Associação. Na vila não há luz nas ruas, nem asfalto ou calçamento, mantendo as características da ocupação desde os tempos mais antigos.

O PDC, no centro comunitário da vila, seguiu numa proposta de turismo comunitário, uma ação diferente na vila, de pessoas que fiquem e vivam ali mais tempo e convivência do que uma belo dia de sol numa paisagem de tirar o fôlego. Acolher um grupo de 30 pessoas, fornecendo alimento, estadia, é uma possibilidade a mais. Na foto abaixo, aula noturna no centro comunitário.

E assim foi! Nos dias de curso aulas e alojamento foi no centro comunitário, as atividades práticas desenvolvidas tanto no centro, como na casa do MC²BIO, que está sendo resgatada e reformada. Abaixo a construção do canteiro sendo feito pela turma do curso e visitado por moradores curiosos.

Fazer permacultura numa área de areia foi todo um desafio, desde de como  cavar um círculo de bananeiras para tratar águas cinzas no areião, usando diversas estratégias e armadilhas para que  a água não infiltre imediatamente, ou que a matéria orgânica não saia voando com o vento constante…

Ou seja, a grande tarefa do permacultor de sistematizar águas e alimentar solos, nem sempre é tão fácil ou simples, tudo depende do contexto, de como a natureza se mostra em tal espaço…

Nos últimos dias do curso fomos para uma área de mata a beira de uma lago, num sitio chamado Flecha da Mata, onde Fabio e Ana Flecha estão construindo um espaço para cursos, eventos culturais, etc. Ali o grupo teve aulas no domo de superadobe, e depois desenvolveu os projetos de design desta área. Na foto abaixo a atividade que fechou  a aula de padrões.

Nesta área linda, vimos grande possibilidades e mais uma aula da natureza da região: embora o chão siga sendo areia, a mata de cajueiros, muricis, coco, acerolas e outras frutas nativas, se desenvolve sobre a areia, sendo nutrida pela folhas que caem e pelos animais que ali vivem. Ou seja, numa camadinha de solo feita quase que exclusivamente por areia e folhas sustenta uma verde mata onde os cajueiros são a espécie dominante. Nesta panorâmica a borda da lagoa e a mata.

Ou seja, usar o princípio de observar, interagir, aceitar o feedback, e perceber que a permacultura não é uma sacolinha de receitas, mas princípios, e que sobre eles, seguindo a ética de cuidar da terra, das pessoas, e compartilhando excedentes, vamos sendo criativos e arrumando soluções. Na foto abaixo um dos grupos apresentando o Design.

Novamente o povo do Ceará segue batalhando, criando grupos, discutindo e vivenciando a permacultura! Neste curso, seguindo os conteúdos propostos por Bill Mollisonn e os princípios de David Holmgren, certificamos outros 26 permacultores, que sairam, cada um para sua comunidade, plantando sementes de sustentabilidade!

Fotos: Fabio Flecha, Suzana Maringoni

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3 comentários sobre “Curso PDC na vila do Estevam- Canoa Quebrada

  1. Parabéns Suzana e Jorge !!!

    Mais um PDC de sucesso e mais permacultores pra este Brasil que tanto precisa !!!
    Parabéns a todos os organizadores e participantes também !!!

    Abraço,

    Kleber

  2. Adorei! Simples e muito significativo! Três anos seguidos de bons PDC’s no CE tem trazido forte contribuição pro nosso povo.
    Além de tantas coisas, admiro profundamente em Jorge e Suzana o compromisso de amor e ética com a Permacultura. Vivenciam sem se perder no meio do caminho!
    Como diria Jasmim…
    “Um beijo do fundo da borboleta do meu coração”

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