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Parede da Oficina

É comum alguém nos dizer “vou fazer uma casa de super adobe e com teto verde” Ai perguntamos onde? E a pessoa diz “não sei, ainda nem comprei o terreno…”. E isto é um grande problema, pois uma construção natural nunca começa pela técnica, como já dissemos muitas vezes neste blog. Técnica é ferramenta, e será a última coisa a ser escolhida. Começa-se sempre com o CONTEXTO: onde estou, o que preciso, o que o ambiente nos oferece. Depois vem o CONCEITO: sustentabilidade, auto-construção e menor impacto. Finalmente vem o terceiro “C” o CONTEÚDO: a técnica que posso usar.

  • Contexto: preenchimento das paredes da oficina, que já tem feitos os alicerces. O que o ambiente me oferece: terra, palha.
  • Conceito: construção leve, fácil de fazer, e possível de fazer em etapas.
  • Conteúdo: parede de alambrado fixo na estrutura de madeira, já que temos dois rolos que sobraram das obras da geodésica, depois rebocadas com esterco e barro.

No PDC, na oficina que ilustrava as aulas de construção,  a turma começou a preencher as paredes da oficina suando uma das técnicas propostas por Jorge Belanko no video “El barro, las manos , la casa”. A técnica que começamos a fazer é que usa barro e palha, preenchendo um alambrado preso à estrutura da casa.

A estrutura da oficina é de eucaliptos, sobre os alicerces de tijolos, e com o isolamento de uma cinta de cimento, para evitar que a água suba dos alicerces para as paredes de barro.

A técnica escolhida teve a ver com os materiais disponíveis: barro, palha e tela de alambrado que sobrou da época da construção da geodésica. Ela consiste em ir fazendo pequenos “fardos” compridos de palha, mergulhá-los no barro, fazendo uma peça que é passada pelos buracos do alambrado e costuradas, peça sobre peça, com uma pessoa pelo lado de dentro e outra pelo lado de fora.

Enquanto se faz a parede parece incrível que ela vá ficar dura, pois por mais que o alambrado esteja esticado e fixado às madeiras com grampos e pregos, ainda é bastante “molenga” e parece que aquilo não vai endurecer nunca! A plaha usada pode ser de qualquer gramínea, porém, cuidado,pois algumas fibras podem conter espinhos ou serem cortantes. Assim, sugerimos uso de luvas. Na foto abaixo Suzana fazendo uma parte nova, e a parte feita pelo pessoal no PDC já bem seca. As rachaduras são normais, visto que trabalhamos com barro, elas serão cobertas por inteiro quando se fizer o reboco por cima.

Outra boa opção é o uso de palha de arroz ou aveia. Em geral, este material pode ser recolhido nos CEASAs, pois é a palha que vem no transporte de frutas a granel, como melancias e abacaxis. Para isto basta ir ao CEASA da sua cidade e buscar este material, de graça.

Assim, as paredes que começamos no curso, seguem agora em um trabalho mais lento, com menos mãos, mas como bom trabalho de formiguina, um pouco a cada dia! Como vamos levar ainda um bom tempo neste trabalho, aproveitamos um resto de massa e fizemos um reboco para proteger a parede. Este reboco grosso foi feito na proporção 1 de terra, 10% de cal, 1/2 de esterco de vaca. Com  esta mistura fizemos a primeira camada de reboco na parte de baixo, que recebe a chuva de sul. Na foto abaixo, as três etapas de uma mesma parede: a parte de cima, a palha recém colocada ainda molhada e “felpuda”. Na parte mais clara a parede seca feita pela turma do PDC, e na parte de baixo, o escuro do primeiro reboco colocado para proteção da parede seca.

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