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Análise dos gastos na construção da Casa da Montanha

Esta análise abre-se explicitando a intenção da construção da casa. Por que fizemos esta casa, como fizemos ? O que nos levou a realizar este projeto não apenas por autogestão, mas colocando literalmente a mão na massa? Além do prazer e da necessidade da construção da Casa da Montanha, existe uma intenção nesta proposta, uma intenção de mostrar que é possível e levantar o aspecto de custos na construção de uma moradia, que na nossa cultura fica sempre vinculada a financiamentos, construtoras, etc.
Nossa intenção pode ser declarada assim: quanto custa uma casa? Que custos são estes?

Aprendemos, há algum tempo, que não existe nada “de grátis” como se diz. Toda ação leva implícito um custo, um preço, que não necessariamente deve ser visto em dinheiro,  aliás, o dinheiro serve só para representar o valor das coisas e dos trabalhos, não é o valor “real” dos mesmos. Alguém paga este custo, ou é outra pessoa, ou a sociedade e/ou o ambiente. Estes dois últimos costumam não ser considerados “custos” nas ações humanas que estão no cotidiano do nosso “estilo de vida”, por exemplo, qual o custo ambiental de um saco de cimento? Certamente é muito mais do que os R$17,50. Mas nossa sociedade costuma fazer de conta que “é de grátis”; e assim nos está indo, vento em popa,  tanto a destruição ambiental, como a exploração do próximo.


Para a análise da planilha de gastos na construção da Casa da Montanha, estabelecemos que os custos iriam ser definidos como a quantidade de material utilizado, junto ao custo da matéria prima e ao impacto ambiental embutido na sua produção, mais o custo da mão de obra humana e as máquinas e, finalmente, uma avaliação do impacto no ambiente local.
Nas duas considerações anteriores respeito ao “custo da matéria prima e o impacto ambiental embutido” e “a avaliação do impacto ambiental local” corresponderia a uma análise emergética; mas isto sai totalmente do escopo e possibilidades desta apresentação. Fica assim explícito que o impacto acontece, e segundo seja a escolha que se faz em cada item da construção- seja este da mão de obra ou dos materiais- este impacto pode ser negativo ou positivo, devendo ser diminuído ou amenizado no caso de ser negativo e promovido no caso de ser positivo. Neste caso a análise será subjetiva e levada na obviedade das premissas éticas dos permacultores que se referem ao “Cuidado com a Terra” e ao “Cuidado com as Pessoas”.
Construímos a planilha de gastos da Casa da Montanha seguindo os seguintes passos:
1- Identificar todos os Itens das fases da construção.
2- Separá-los em “Materiais” e “Mão de Obra”.
3- Quantificá-los
4- Transformar os valores em moeda corrente,  segundo  preços de mercado (na nosso caso estão atualizados para 2010)

Na planilha, observamos que o orçamento da Casa da Montanha chegou a R$42.950,00.- Esse é o custo de construção dos 100 m2 da obra se a tivéssemos construído comprando todo o material e pagado toda a mão de obra.
Como nós achamos que a construção natural é possível, que a construção da moradia é um direito das famílias, e que as pessoas  “devem” construir a sua casa, vemos que a decisão de como fazê-lo pode percorrer vários caminhos diferentes, com implicação direta nos gastos em dinheiro com a obra.


No nosso caso o pacto foi feito desde o início: o máximo de materiais locais e nossa mão de obra, sempre que possível. Então, muitos foram os materiais locais que utilizamos na construção que resultaram na redução dos custos nos itens: Colunas; Paredes Socadas e de Cordwood; Teto, além da nossa mão de obra  envolvida na ação, implicando diretamente na redução dos custos nos itens: Alicerces; Rodapé; Colunas; Paredes Socadas e de Cordwood; Teto; Cumiera; Cobertura; Aberturas e Instalações em geral, como pode-se ver explicitados na planilha acima.


Assim, sugerimos que, logo depois de ter decidido em que lote ou terreno será a construção, pensar em COMO realizar este projeto é um ponto que merece a atenção… Em permacultura falamos do design solar, isto é, considerar as variáveis de clima, orientação, tipo de solo, sistema construtivo, materiais de construção, etc. para fazer o projeto. Mas vamos além, no ponto sugerido acima, que é um  ponto de inflexão que faz uma construção acontecer  e que passa pelo orçamento e pela análise dos custos que se refletem numa planilha de construção: quem vai fazer esta obra? Que materiais locais posso usar,  que causarão menor impacto e consequentemente menor custo real, social e ambiental? E isto é uma decisão ética, política e de acordo entre as partes envolvidas, no fato construtivo, no “quanto” e no “como” será levado adiante o projeto… Quais custos serão pagos com dinheiro e quais com o tempo e com o trabalho?


Se quiséssemos extremar a situação podemos pensar num caso ideal de um casal jovem, sem capital e disposto a trabalhar  num sitio, usando os materiais disponíveis no local; podemos imaginar esta construção com um considerável abatimento dos custos. As despesas com materiais e mão de obra ficariam restritos a alguns materiais que não dão em árvore nem podem ser tirados do solo como algum cimento, cal, arame, pregos, parafusos,  canos e mangueiras, fios elétricos, ferramentas, etc. Neste caso o custo estimado cai consideravelmente, por exemplo no nosso orçamento os custos destes materiais e de R$ 13.458,20, diluídos em 2 ou 3 anos, num projeto que contemple a construção em etapas até a completa execução.


Resgatando nossa proposta de reflexão sobre a possibilidade de se construir sua moradia, além destes custos objetivos, há outros pontos, tão importantes quanto, que são os benefícios de aprendizagem, valores, companheirismo, que une qualquer casal ou grupo com um projeto comum, ganho este imenso e que, certamente não poderá ser mensurado em valores financeiros, talvez apenas na felicidade, realização, emponderamento e harmonia deste grupo familiar ao resgatar o direito e o prazer de construir sua moradia.

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4 comentários em “Análise dos gastos na construção da Casa da Montanha

  1. Novamente, MEUS PARABÉNS! Como se a consciência e o prazer da construção já não fossem suficientes, ainda houve economia, não apenas dos recursos ambientais, mas também financeiros.
    Show!

    🙂

  2. Parabéns!!!! Vocês são um grande exemplo de que podemos realizar sonhos em realidade, se houver união e determinação. Irei me inspirar na iniciativa de vocês e estudar o meu terreno e aplicar algumas técnicas.
    Muito legal!!!!

  3. Dá-lhe Professores!
    Muito boa essa conta! Auto-contrução1
    abraços,
    Mateus

  4. Informação muito útil! Vou passar a seguir-vos desde Portugal!
    Cumprimentos Transatlânticos.

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