O banheiro e as águas cinzas!

Desde o início a proposta da nossa casa é ser uma estação de permacultura… Ou seja um lugar para se viver a permacultura. Nesta ética, além de cuidar para que ela fosse construída usando materiais locais, tendo um design solar, mão de obra e materiais de menor impacto, teríamos sempre que planejar o tratamento de efluentes, pensando éticamente sempre em plicar o conceito de emissão ZERO!

Quando se fala em emissão, a pergunta sempre nos leva ao banheiro! Fonte de atenção pelos volumes e pelas qualidades do que põe para fora da casa! Na nossa casa separamos o que sai do banheiro:

  • água da pia
  • água do chuveiro
  • mictório
  • efluentes sólidos ( fezes).

Na foto abaixo a parede oeste da casa,  que limita o banheiro com o exterior da casa. Pode-se ver o círculo de bananeiras que trata as águas cinzas do banheiro, quem vem pelo cano branco que é a saída de águas cinzas do banheiro.

Para os efluentes sólidos optamos desde sempre pelo banheiro seco ou sanitário compostável, que  merecerá uma postagem só dele em breve, no entanto o texto do link é uma excelente reflexão sobre a história dos banheiros. Na postagem de hoje trataremos dos demais ítens, ou seja as águas de pia e banho e o mictório.

As chamadas águas cinzas são águas que recebem sabão de pia e de banho, ou seja, não tem coliformes fecais, o que a transformaria em águas negras. As águas cinzas são mais simples de se tratar, pois podem ser absorvidas diretamente pelas raízes de plantas (desde que NÃO se use produtos agressivos, com cloro, etc).

Assim, nossas águas cinzas vão diretamente para um círculos de bananeiras, que fará o tratamento. Fizemos este círculo no verão de 2009, e assim, as bananeiras puderam crescer até este momento, quando começam a receber as águas. Esta estrutura funciona imitando o padrão natural de crescimento das bananeiras, formando um círculo, então cava-se um buraco de aproximadamente 1m³ , a terra retirada vai sendo colocada ao redor, formando algo parecido com um olho de formigueiro, nesta terra fofa serão plantadas as bananeiras (umas 4 por círculo). O buraco no centro é preenchido por madeiras, troncos grossos, depois médio e finalmente finos no alto. O cano que traz as águas deve chegar ao buraco, com bom escoamento. As bananeiras evaporarão as águas e a matéria orgânica que vem junto servirá de alimento às plantas. Assim, nossa água cinza é reciclada: jogada na atmosfera limpa, e o orgânico produz bananas. Na página do SeteLombas, dos amigos Itamar e João,  há uma bela e completa explicação sobre este sistema que vale a pena ser lida para quem desejar aprofundar seus conhecimentos.

Na foto abiaxo a nossa bancada para a pia do banheiro, que é feita de madeira, com uma cuba de porcelana branca. Assim como o móvel da pia da cozinha, esta também está sendo feita pelo Jorge.

Nesta foto a pia já instalada no banheiro, a madeira é tratada inicilamente com óleo de linhaça diluido a 50% em querosene, e depois encerada com cera de carnaúba. Como ainda estamos sem a água encanada, usamos a velha estratégia da jarra com água…

Mas e a urina? A urina pode ser aproveitada como adunbante foliar, assim, os homens em Yvy Porã, estão autorizados e induzidos, a sempre que possível, urinar nas plantas, tanto nas frutíferas, como na horta. Mas nem sempre isto é cômodo e possível. Assim, instalamos no banheiro um mictório democrático que pode ser usado tanto por mulheres como por homens, que é o bidê! A única exigência é que TODOS o usem apenas sentados! Hoje, ainda, as águas do mictório estão indo para o círculo de bananeiras, porém pensamos em desviá-lo para um recipiente a fim de poder usar este valioso produto nos cultivos!

Na foto abaixo o nosso mictório instalado, ao lado vê-se o buraco tampado, onde em breve será instalado o nosso banheiro seco.

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7 comentários sobre “O banheiro e as águas cinzas!

  1. Estou boquiaberta… Adoro arquitetura, e acho muito inteligente e importante juntar a ela a questão da sustentabilidade. Parabéns pelo blog, realmente esclarecedor e interessante. Li vários posts (ou quase todos, hahaha) e fiquei encantada. Grande abraço.

    • Obrigada, Patrícia! É bom receber comentários assim! Nossa proposta é esta mesmo, de divulgar o trabalho e inspirar outras pessoas a fazerem construções respeitosas para com o Planeta!

  2. Parabéns! gostei do texto, das fotos e das dicas. Obrigado e como é bom saber que existem pessoas como voces no mundo. Abçs

  3. PARABÉNS, isso que é ser ecológicamente correto, todos falamos em preservar o meio ambiente mas não fazemos e não tomamos iniciativas pelo simples comodismo das facilidades presentes, se for possível gostaria de tirar uma duvida, o óleo de linhaça com cera de carnaúba são resistentes para assoalho de madeira com alto tráfico assim como o verniz PU, estou lendo muito a respeito mas acho poucas resposta, inicialmente pensava em deixar o assoalho apenas com o óleo mas em pouquíssimas fotos que vi na net achei que ficou sem brilho, abraços Mari.

    • Oi, Mari
      Eu evito de usar produtos industriais havendo alternativas ecológicas. No tema tintas sobre madeira… prefiro a impregnação, quer dizer: não fazer uma “película protetora” que logo infiltra e cria fungos e fica feia (craquele); faço a impregnação com soluções de óleo de linhaça com cera no querosene (1/3 de cada um). Quando necessário repasso, não requer de lixar novamente, e isso é uma grande vantagem. O brilho é fosco e a madeira esta sempre viva. Para assoalhos é só manter com cera em pasta e lustrar logo.
      Abraço.
      Jorge

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