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Barreando a geodésica

Seguimos trabalhando em duas frentes, conforme o tempo permite. Em dias de sol,  atacamos a cobertura da Geodésica, em dias de chuva, seguimos os acabamentos da casa, fazendo as janelas, detalhes, etc.

Nossa geodésica de base quadrada, projeto do Daniel, tem a estrutura de bambu, construída no mutirão e recebeu taliscas trançadas que deram a forma. Agora é hora de cobrí-la… Coberturas 100% ecológicas são um desafio… Como este espaço é uma oficina, com a forma arredondada, decidimos ousar e arriscar, pois caso ocorram problemas, não compromete a vida “caseira” e poderemos rever e arrumar. Assim, decidimos fazer uma cobertura usando elementos da massa do cordwood, mas tiramos a areia para que a massa ficasse mais leve e depois misturados com palhas longas- muita palha! a proporção é de 50% de palha e 50% barro, mais ou menos…

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Esta massa com o traço de 2 porções de terra, 1 de serragem deixada de molho por 24h e 1/2 de cimento- ou seja, 30% de serragem, e 15% de cimento e água fica meio molenga, e os pequenos feixes de palha são bem empapados desta massa. A palha escolhida foi a de aveia, ou arroz, que conseguimos fardos de 0,5m³ no Ceasa de Florianópolis. A escolha desta palha é pelo seu comprimento, que permite fazer o trabalho proposto sem problemas. Esta cobertura mostrou características interessantes: endurecimento e secagem rápida, além de ser tremendamente leve e resistente. As “bolinhas” que ficam no chão são super leves, parecem argila expandida…

Na foto abaixo, seu Zé e Rodrigo barreando o pentágono da face oeste, Rodrigo pegou a mão e já pode-se observar como vai ficando a parte de dentro

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A cobertura consiste desta palha barreada, que é passada pelos vãos das taliscas e dobradas, indo de baixo para cima, fazendo como camadas. Algo como se estivessemos pondo telhas numa casa: começamos pelas de baixo e a de cima cobre boa parte da camada de baixo. Na foto abaixo o trabalho a seis mão, que rende bem mais, Mônica, Rodrigo e seu Zé barreando a parte da frente.

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Ao se colocar cada camada, ela vai sendo bem alisada com as mãos, formando uma massa compacta.  Como esta massa usa cimento, é necessário sempre o uso de luvas de borracha, pois o cimento queima ( não só o piso, mas as mãos também), como ilustra a foto abaixo.

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Nossa estratégia é de barrear onde as “mãos” alcançam, de  baixo para cima,  equilibrando todos os lados da geodésica, para depois, quando endurecer, usarmos esta parte de baixo como apoio, já que a “abóboda” em forma mais arredondada é bastante  incômoda para se trabalhar. Na foto abaixo detalhe da parte interna,onde o giro das vigas de bambu pode ficar mais explícito, já que o bambu que está a vista, ainda não foi coberto.

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Temos como plano fazer um reboco hidrófogo por cima, por isso iníciamos deixamos a parte de fora mais irregular, pouco alisada, para receber posteriormente esta outra camada. Assim, as primeiras partes feitas ficaram “peludinhas” por fora e a parte de dentro bem alisada, pois até imaginamos não fazer outra camada ali. Na foto abaixo a perte oeste, com o primeiro giro externo rebocado. É preciso cuidar para não deixar buracos que juntem água, que poderia infiltrar na massa…

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Com o tempo e “pegando a mão” vimos que poderíamos alisar um pouco mais por fora também, que isto não impediria de colocar o novo reboco futuramente.  Também vimos que era necessário fazer os “caminhos para as águas”, ou seja, ir conduzindo e deixando saídas para as águas, como mostra a foto do beiral da entrada e a parabolóide.

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Na foto abaixo outro detalhe da parte interna, com a abertura de uma das janelas, feitas pela parabolóide…

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Como tem chovido muito por aqui, já vimos que tanto a massa da cobertura, como os caminhos das águas tem funcionado… A cobertura “puxa” e fica dura em menos de 24h, e até aqui, mostrou-se resistente: umedece, mas não pinga pelo lado de dentro nem fica mole. Na foto abaixo, pode-se observar nas paredes de tijolinhos por onde a água tem baixado depois das chuvas, pois estão bem úmidas. Nesta etapa já estamos na parte leste, ou seja, quase fechando a primeira volta…

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Novamente, usamos o video para ilustrar melhor  e com mais vida, o que vamos fazendo! No Video abaixo, o trabalho de barrear, narrado pelo Jorge , com Mõnica, Rodrigo e seu Zé colocando as mãos na massa!

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2 comentários em “Barreando a geodésica

  1. olá. para bens! esta ficando maravilhoso, agradeço a vocês a publicação do seu trabalho, tem sido de ajuda, para nós, que também estamos levantando pouco a pouco nossa casa no Rio vermelho com técnicas sustentáveis.
    neste momento estamos nos preparando para fazer o piso e para isso precisamos de fardos de palha, vocês podem por favor me passar o contato do lugar onde comprar-los? seria uma ajuda enorme!!
    muito obrigada
    grande abraço

    • LAura
      Obrigada pela visita… Palha no piso? Não conheço esta técnica????
      Bom, mas mando a informação:
      para cobrir a geodésica usamos palha de arroz, uma palha longa. O fornecedor foi o CEASA- é ir lá, depois do meio dia, e perguntar pelos moços que fazem os fardos, na área de frutas ( esta palha vem no transporte de frutas a granel.). Eles recolhem ao fazer a limpeza e “vendem” a R$5,00 meio metro cúbico, enfardado. No meio da palha pode vir alguns copinhos , sacos plásticos, mas pouco… e certamente coroas de abacaxi…
      Bem espero ter ajudado.
      Suzana

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