A geodésica de base quadrada- o Mutirão

No feriado de sete de setembro juntamos os parceiros e amigos para construirmos a geodésica, que é a cobertura da oficina da casa da Montanha. Como já publicado em postagens anteriores e num artigo do Daniel Malaguti, este projeto inovador é um sonho construído com muitas cabeças e muitas mãos. Para este mutirão vieram do Rio o Daniel- pai da criança- e João, ambos do Laboratório de Investigação Living Design -LILD da PUC d0 RJ, de  Botucatu, vieram o parceiro de sempre Tomaz Lotufo, e a turma Danuta, Lucas, Gabriel, Kuma, Bruna e Demétrio, daqui de Floripa:  Mariani e Bel, Cecília,  Rodrigo Primavera, Akhnaton e Julie,  Pedro Marcos lá de Cerrito e obviamente, Jorge e Suzana. Na foto abaixo a turma na hora do lanche.

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O material é bambu, colhido em Yvy Porã, em junho de 2009, na lua minguante, e deixado para secar à sombra. Pode parecer que o bambu não seja “lindo”, pois tem manchas, fungos, mas exatamente isto indica que é um bambu maduro e em condições para ser usado numa estrutura.

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O projeto detalhado está na postagem anterior, escrita pelo Daniel, onde ele conta o processo desta construção, e nada melhor que o próprio autor para explicar sua obra, material da suas teses de mestrado e doutorado pelo LILD. Nesta postagem ilustraremos como foi o astral deste dia e a transposição entre projeto, maquete e realidade! Na foto abaixo, Daniel e João mostrando as primeiras amarrações do início- que na verdade é o topo da geodésica!

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Esta primeira pirâmide de base quadrada já mostra a sua resistência, ao ser levada para fora da área da oficina, o grupo leva o Rodrigo pendurado nela!

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Organizamos duplas de trabalho, que iam seguindo amarrando peça por peça, fazendo o giro, já que nas vigas recíprocas, uma peça apóia-se na outra, sucessivamente, até que a última peça apóia-se na primeira, ilustrado na foto abaixo, onde vemos Pedro Marcos em primeiro plano, e Bruna no segundo, fazendo as amarrações.

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Como diz o Daniel, na maquete de uma geodésica você é quem manda, puxa, acerta, vai e volta… Mas, quando vamos para a realidade,  quem manda em você é a obra! Ela faz o que quer, e o pequeno é você! Fizemos a primeira montagem em uma tarde, mas no dia seguinte, tivemos que refazer, pois ela estava “aberta” demais e não assentava nas paredes! Na foto abaixo um panorama do trabalho… A geodésica vai subindo… Ao fundo os dois grandes fardos de palha recolhidos no CEASA, que serão usados na cobertura.

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Usamos um gabarito de bambu, que ajudou a levar o trabalho… Na foto abaixo a geodésica é corrigida, fechando-se os giros e finalmente é montada sobre as paredes! Pode-se observar os giros das vigas recíprocas (alguns  formam hexágonos, outros pentágonos)… Não é linda?

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Depois amarramos cada apoio da geodésica às paredes, fazendo tirantes de arame que passavam de lado a lado, de baixo ao topo da parede de tijolinhos,  assim, a estrutura leve de bambu fica presa à parede. Nesta foto, Pedro e Demétrio seguram a estrutura enquanto Jorge vai apertando o arame de fixação às paredes de tijolinho.

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Agora é hora de começarmos a trabalhar em duas frentes diferentes: alguns fazem os beirais, que são parabolóides, outros começam a colocar as taliscas de bambu fazendo o trançado que receberá a cobertura.Nesta fotos Tomaz e João colocando as peças dos beirais…

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Para terminar a o esqueleto desta geodésica, é preciso muitas tiras longas de bambu, que serão trançadas entre as peças rígidas da estrutura. Rodrigo, com a habilidade de bambuzeiro, abre o bambu em tiras…

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… usando uma ferramenta que é uma “faca de oito fios”, que fizemos há 5 anos em Yvy Porã, e que nunca havia sido tão útil!

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Nesta foto, a turma trançando as taliscas …

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… e dando forma à estrutura!

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Devagar a coisa vai tomando forma e ficando com cara de… capacete de samurai? chapéu de Noviça Voadora, ou mestre Yoda? Algo lindo, leve, querendo voar ou vindo de um voo e pousando na frente das casa da montanha!

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Quando a estrutura já está quase toda preenchida, começamos o preenchimento das paredes. Haviam algumas opções e hipótese para isto, como usar um alambrado de base e colocar palha+barro, mas avaliamos que diretamente sobre a trama das taliscas de bambu poderia ser feito. Assim, buscamos palha no CEASA- refugo de material usado para transporte de frutas à granel.

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O uso desta palha, em lugar de uma palha roçada dos nossos pastos, se justifica por ser palha seca e de fibras longas. Nossa mistura não é barro+palha e sim PALHA + barro, ou seja muita palha, barro, serragem molhada e 10% cimento. Esta massa faz um material muito leve e que vai sendo colocado na estrutura, como mostra a foto abaixo.

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Alisamos a parte de dentro, e a de fora deve ficar mais áspera, pois irá receber outra camada de roboco hidrófogo por cima, já que ficará exposta à sol e chuva!

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Na noite do terceiro dia, terminamos o trabalho com uma garoa chata e iluminados com os faróis do carro… Tomaz documentou este momento, numa foto linda… Ao fundo já se pode ver o começo do preenchimento das paredes com palha+ barro+ 10% de cimento… Este material irá cobrir toda a oficina.

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Na postagem do estudo do Daniel, há uma imagem da maquete, onde Jorge e Suzana também aparecem… Achamos justo, terminarmos esta postagem com a pose parecida, mas agora, de verdade!

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Fazer a postagem de um mutirão de tantos dias e de tamanha intensidade não foi fácil… Assim, além do registro aqui feito, postaremos alguns videos ao final deste artigo, na tentativa de completar o relato. A todos que participaram deste mutirão, nosso agradecimento, com a certeza de tempos e saberes compartilhados! Nas foto abaixo, nosso almoço nos primeiros dias!

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VIDEOS

O começo

A estrutura crescendo

Ainda inacabada colocando sobre a base

Fixando a geodésica às paredes

Rodrigo abrindo os bambus em taliscas

Colocando as taliscas na geodésica e nas parabolóides dos beirais

Colocando palha+ barro nas paredes

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18 comentários sobre “A geodésica de base quadrada- o Mutirão

  1. Pessoal,

    simplesmente sensacional!
    Parabéns a todos pelo maravilhoso trabalho.
    Gostaria de ver uma foto do trabalho quando finalizado.

    Abraços,
    Ari.

    • Oi, amigos… Obrigada pelos elogios!!! O mais legal é ver o pessoal dando asas à imaginação e seguimos, criando juntos!
      Estamos, agora em outubro/ novembro, cobrindo a estrutura da geodésica- quando a chuva permite, já que a primavera é uma estação bastante chuvosa em SC. Este é um trabalho que vai devagar, mas está ficando muito bom! Aguardem, em breve, nova postagem sobre isto!

  2. Olha, se eu não tivesse participado desse mutirão talvez não soubesse o que é ficar orgulhoso de uma construção. Nós já mostramos a todos os amigos nossa “obra” de um fim-de-semana. E dá pra falar: “eu que fiz!” hehe.

    Além disso, a construção não é feita só de taliscas e vergalhões, mas de muito bate-papo, risadas, broncas, celulares pendurados, vinhos e banhos de canequinha (esse último item não é válido para a Kuma).

    Foi um prazer conhecê-los e ter participado desse fim-de-semana tão especial.
    Espero que não tenha sido um mentirão.

    Grande abraço

    Gabriel

  3. Amigos do mutirão,

    fiquei emocionado com o depoimento do meu amigo Gabriel, (me curou do corte de arame com polpa de bananeira) foi bom relembrar momentos de risadas intermináveis, disputas rio x são paulo, costelas e pizzas vegetarianas, o equilíbrio do grupo diversificado…

    me alegro toda vez que mostro as fotos pra alguém e guardo na lembrança os momentos de coletividade que vivemos juntos.

    alguém lembra deste?

    “João, quer café, chá ou chimarrão?
    o carioca esticou seu braço com o copo de vidro na mão e respondeu:
    -Chimarrão!”

  4. Pô eu lembro dessa !!! rsrsrsrs

    Só tinha figuras nesse mutirão, vale completar com os estouros de bambu na fogueira ao mesmo tempo que o Jorge tentava dormir;

    a quase rega matutina do Jorge ensima de uma barraca no caminho; rsrsrs;

    as idas estrategicas no banheiro ao relento e a tentativa de se criar uma parede de proteção moral que não rolou, rsrsrsrs.

    Estamos prontos para os próximos!!!!

  5. Maravilloso trabajo…estoy ayudando a una amiga de Capilla del Monte Cordoba Argentina a terminar una cupula geodesica cubierta en barro ( con estabilizantes naturales ) que pronto será una sala de masajes ..asi que cuando vi este link no deje de pensar en enviarselo a ella y de sentir lo lindo que es ver que en otras partes haya gente construyendo de forma semejante ..me sorpendio la forma de la geodesica , me parece muy, pero muy bella esteticamente y de forma muy organica.. no estoy seguro si estan en Santa Catarina , pero si es asi ..me gustaria pasar a conocerlos algún dia.
    Gente un abrazo fraternal desde Córdoba y felicitaciones para todos los que barrearon en ese hermoso sueño que están construyendo

    • Que bueno que te gustó y que estos trabajos se están multiplicando.
      Sí… estamos en Santa Catarina, mentené contacto con nosotros y vamos conversando. Un gran abrazo de otro Cordobés.
      Jorge

      • Hola Jorge y Suzana :
        Gracias por responder Jorge…no sé cuando podremos ir pero en cuanto salga algo para SC por placer o trabajo seguro vamos a estar alli para conocerlos personalmente y conversar largo y tendido …es un trabajo hermoso el que estan haciendo todos por alli ..por aqui tambien estamos haciendo varias cosas interesantes , hicimos hace poco unos talleres de terminaciones con gente del Cidep del Bolson en San Marcos Sierras y en este momento estamos trabajando ( en una minga ) en una casa en Unquillo…ya les contaremos mas ..
        Sigan adelante siendo un ejemplo de que se puede para todos nosotros aqui y alla…un saludo fraterno a todos los amigos de Brasil.
        Ana y Rubén
        Jorge : a lo mejor es mas probable que Uds. pasen a visitar Córdoba antes que nosotros viajemos …si es asi nos gustaria conocerlos.
        Abrazos

  6. Olá a todos!

    Meu sonho é construir uma casa ecológica para mim e meu filho em Itaúna, Minas Gerais e mostrar aos outros que é possível. Entretanto, estou sendo vencida pelas dificuldades para encontrar pessoas que façam este tipo de trabalho aqui. Vontade para eu mesma colocar a mão na massa não falta, mas não dá pra fazer o “bloco do eu sozinha” senão a casa não sai. Quando vi o projeto de vocês fiquei muito feliz e tentei entrar em contato com a Puc-Rio para pedir ajuda na elaboração e orientação de um projeto, mas não obtive resposta. Alguém poderia me indicar um caminho ou pessoas que realizam projetos ecológicos em Minas Gerais? Esta é minha última tentativa antes de partir para um projeto e construção convencionais.
    Obrigada,
    Hélem (helem.lara@gmail.com)

    • Oi, Helem
      Pois é… pessoal ai perto de ti nós indicaríamos:
      Skye e Ivone, em Lavras MG
      Tomaz Lotufo- Botucatu SP
      Sérgio Palmplona no DF
      Todas estas pessoas podem ser contactadas através da Permear ( http://www.permear.org.br)
      Agora no fim do ano pode ser meio difícil contato, mas não desita!!!
      Suzana

  7. Fantastico, lindo, perfeito!!!!! quero construir em supoeradobe, mas agora vou ter que pensar em mais uma construção só para tentar “copiá-los”!!!!

  8. Existe a possibilidade de conhecê-los e conhecer esse lindo espaço pessoalmente? Tenho 14 meses para aprender muitas tecnicas e começar mminha jornada bioconstrutiva, e agora entendo a frase “só sei que nada sei”! Me ajudem!!!

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