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Conforto térmico da Casa da Montanha

Este é o trabalho final da disciplina de “Energia em Edifícios” da cátedra “Evans”, na FADU – Faculdade de Arquitetura, Desenho e Urbanismo da UBA – Universidad de Buenos Aires, cursada no primeiro semestre de 2007 por Cecília Lenzi.

Nesta matéria foi tratado do tema “uso de energia nas edificações”, através de trabalhos práticos que nos faziam imergir no assunto: análise de contas de luz relacionando-as com o uso da edificação em diferentes épocas do ano; análise de projetos arquitetônicos de arquitetos “reconhecidos” tendo como foco sua eficiência energética (ou a falta dela), entre outros.

No último trabalho, foi proposto projetarmos uma casa aplicando os conhecimentos obtidos no transcurso da disciplina. E para quem já tinha Yvy Porã na manga… ficou fácil. Só foi necessário adaptar a casa da montanha à proposta da disciplina, que exigia mínimo de 120m² e dois quartos. A modificação proposta resultou como mostra a maquete abaixo, onde a parte central do telhado foi elevada cerca de um metro para permitir um pequeno piso superior…

casa.jpg

 

 



Para a análise, já partíamos de um ótimo estágio, pois a casa já havia sido cuidadosamente pensada no que diz respeito a parte bioclimática; ou seja, a localização no terreno, a sua morfologia, a orientação solar das as aberturas, a localização das funções no interior e o material que compunha a parede já estavam muito bem pensados, então a parte de eficiência energética também já estaria beneficiada. Mas mesmo assim foi muito bom poder sentar com o “chefe de cátedra”, com o projeto da casa de Yvy na mesa, e escutar sua opinião. Ele falou: “não tenho dúvidas de que esta casa assim como está funciona bem. Mas… será que este beiral leste não poderia ser mais curto, para entrar o sol da manhã?”. E assim seguiu o pequeno mas denso assessoramento que reforçou o que qualquer simpatizante de arquitetura sabe: um projeto nunca está terminado… Feitas as modificações que pareceram coerentes, parti para a análise da eficiência energética da casa. Utilizando uma planilha desenvolvida pelo próprio grupo de professores do Centro de Investigação em Habitat e Energia lá da FADU, entrei com alguns dados da casa. Alguns deles eram: dimensão total das áreas de vidro, de parede, de cobertura, e depois o coeficiente K (que indica transmitância térmica) de cada um dos materiais. Também entraram dados como o uso de cortinas, a presença de vegetação no exterior, a quantidade de pessoas que usariam a casa… E no final foram estes os resultados.

 

 

 

 

graficos-p.jpg
Este gráficos relacionam temperaturas do exterior e do interior da casa de acordo com os dados e os coeficientes de transmitância que havia fornecido. Os resultados estão excelentes: tanto no mês de junho, quando a temperatura no exterior está muito baixa, ou no verão, quando se aproxima de valores mais altos, no interior da casa se mantém dentro da faixa de temperaturas indicadas para a obtenção do conforto térmico.

Porém, tivemos observações importantes: no inverno, para a linha pontilhada que indica temperatura no interior se manter na faixa de conforto, foi necessário escolher uma taxa de ventilação mínima, o que se pode obter fechando as aberturas. E para o verão, da mesma forma, se mostra necessário taxas de ventilação relativamente altas (10 renovações completas de ar por hora), provocando ventilação cruzada, para que a temperatura interna seja “confortável”.

Outras conclusões muito interessantes foram tiradas deste estudo, que fica para quem tiver mais interesse no assunto entrar em contato e conversar com a gente. Mas no geral, a casa como está sendo construída não difere muito da que foi analisada e pode-se dizer que o caminho que os donos estão tomando vai muito bem…

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8 comentários em “Conforto térmico da Casa da Montanha

  1. Tenho acompanhado Yvy desde antes de fazer o PDC lá na argentina, em setembro deste, exatamente porque estamos numa latitude onde as temperaturas são similares e porque é o local mais próximo do Rio Grande do Sul. Percebi que o solo difere do solo onde pretendo construir, detalhe não muito importante pois o q interessa mesmo é o projeto da casa. Ainda estou pensando nas construções de GAIA (argentina), se não seriam mais adequadas para esta minha região. Pareceu-me q as paredes são mais espessas e a temperatura interna seria mais equilibrada com o ambiente externo. O que tu me dizes?

  2. Jusce!
    Vou me aventurar a te responder.
    De fato a arquitetura de Gaia, além de ser dona de uma solução estética muito interessante, está perfeitamente adaptada ao clima local. Para isso contribuem não só as paredes espessas, em cob, como também as grandes aberturas de vidros duplos voltadas ao norte e a fachada sul bastante protegida pelos beirais e com quase nenhuma abertura. Assim o ganho de calor tende ao máximo e as perdas ficam bastante reduzidas.
    Mas o clima lá de Navarro é também bastante rígido; é comum temperaturas abaixo de 0ºC.

    Aqui nas proximidades de Florianópolis, as temperaturas médias de inverno não são menores que 15ºC, e a umidade relativa do ar também se mantém alta durante o ano. Portanto, as edificações pensadas para cá precisam levar em conta, de forma bem geral, uma boa ventilação e uma envolvente com uma boa inércia térmica para as mudanças bruscas de temperatura ao longo do dia. Para isso as paredes de 15cm de taipa socada se mostraram suficientes, como comprovamos com a simulação que foi mostrada acima. Então, para cá, não é necessário paredes tão espessas como as de Gaia.
    Por isso, a integração do projeto com o clima é importante: refletindo na fase de projeto sobre estes fatores, se economiza em material e mão de obra na fase de construção (paredes de cob levam muuito mais terra do que a taipa) e depois, na manutenção da casa, não sendo necessário algum sistema de condicionamento artificial do ar para ser possível ficar no seu interior. Afinal… o objetivo é a criação de ambientes humanos sustentáveis…

    Mas saber da composição do teu solo é muito importante sim, inclusive se pretendes usa-lo como matéria prima para sua casa, o que é uma boa saída para quem tem terra à disposição. Desde a localização do teu projeto no terreno até a composição da tua parede, passando claro pelo projeto arquitetônico da tua casa, são vários os cuidados que deves ter para adequa-la ao clima local. Mas cada lugar é diferente… mesmo que a latitude seja próxima, tem outras variáveis que são importantes, como as temperaturas no inverno e no verão (que pode variar com a altitude, por exemplo, ou com a proximidade do litoral), a umidade do ar, de onde vem os ventos no lugar onde queres construir…

    E… para teres uma boa idéia das soluções que podem existir para tua futura arquitetura, acho legal aplicar um dos princípios mais importante da permacultura: a observação. Como é a arquitetura vernácula da tua região, aquela feita pelos colonos no início do século? Normalmente ela traz solucionadas desde questões culturais até as climáticas…

    É isso!

    Um abraço!

  3. Cara Cecília,

    Creio que ao pedir opinião, acabei incorrendo nos erros característicos da falta de sintonia com a idéia e as palavras. Quando disse que o solo não será um fator importante quiz me referir ao solo de vocês aí de Santa Catarina, que é diferente do solo que usarei aqui no terreno que pretendo comprar Rio Grande do Sul, que é similar ao da Ecovilla GAIA; quanto às similaridades de temperaturas, também estava pensando na GAIA.
    Mas mesmo assim tu acabastes por responder a minha pergunta sobre a espessura das paredesdas construções da GAIA, conforme pude constatar quando estive por lá seriam adequadas a nossa temperatura aqui no Rio Grande do Sul.
    Abração!

  4. Prezada Cecília,

    Agradeço imensamente a todos que compartilham desta realização tratada com muito esmero e tecnica, pois está sendo muito útil visto que pretendo construir minha casa nesses moldes em virtude do regresso da cidade para o campo, estamos voltando às origens.
    Muito Obrigado,
    Antenor

  5. Eu também agradeço imensamente a todos.

  6. olla , achei muito legal o modelo desta casa, gostaria de saber quanto custa p erguer uma , parabéns pelo projeto

    obrigado

  7. gostaria de saber se tem mais desenhos em 3D desse modelo

  8. tem casas que os dois andares seja mostrado completamente por dentro ??

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