Colocando os caibros do telhado

Nossa casa tem a forma de um octógono, e assim, o telhado se encontra no centro da casa e dali saem os caibros que irão apoiar-se em cada pilar.

Há algum tempo conversamos sobre a possibilidade “maluca” de fazer a casa em gomos. Quer dizer, levantar as paredes e colocar o teto aos poucos… Como gomos de uma laranja!

Gomos? Telhado aos poucos? Como assim? Estamos totalmente loucos?

Bem, mais ou menos! Como os tais gomos chegam ao telhado na forma de um triângulo, apoiados no meio, acabam formando uma estrutura rígida, quase independente uma da outra. Quer dizer, estruturalmente não há nenhum motivo que impessa esta proposta pouco comum…

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Na foto acima nosso “primeiro gomo” com as madeiras do telhado. Em primeiro plano pode-se observar algumas frutíferas da zona dois da casa e os caminhos roçados.

Mas por quê tal idéia? O que nos levaria a adotar tal encaminhamento? Uma das nossas propostas é mostrar como cada um pode fazer sua casa, passo a passo, para isto, receber pessoas que queiram ver como é e compartilhar seu tempo e seu trabalho conosco. Ainda que meio estranho, a proposta é quem venha estagiar consiga “ver” e fazer os alicerces, as paredes e o telhado!

Outro motivo para isto é a proteção das chuvas, ou seja, ir cobrindo nossas paredes de terra das intempéries. Até aqui elas estão sendo protegidas por lonas pretas, mas o desejo do “teto” é premente!

Inicialmente pensamos em cobrir com CALFITICE (abreviatura em espanhol de CAL + FIbras naturais + TIerra+ CEmento), uma mistura que sobre uma base de bareques de bambu, faz um solocimento na cobertura. Mas algumas limitações nos levaram a rever tal proposta e decidir por telhas de Tetra Pack recicladas.

Bom, na semana que passou, Jorge iniciou a colocação dos caibros do telhado. Os caibros de 5 x 15cm chegam ao pilar central e ali tivemos um problema:

Como 24 caibros de 5 cm de largura se encaicam num pilar de 21cm de diâmetro? Lembrando perímetro é igual a (2x PI xr raio) quer dizer 2 x 3,14,16 x 10,5 = 65 cm

os caibros são 16 x 5 = 80 cm…

Novamente a Matemática nos aponta problemas!

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Bom, mas são oportunidades para pensar… A solução foi fazer um grande “sol” de uma placa de chapa de ferro de 3mm, de 26cm de diâmetro, com 24 esperas para “segurar” cada caibro que chega ao centro. Esta placa tem 4 parafusos fixos no poste central e dois em cada caibro ( um deles passante, de lado a lado, preso com porcas e o outro de rosca soberba, mas não passante).

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Na foto acima Jorge, preso na sua cadeirinha de alpinista feita de cordas aparafusando um dos caibros no “sol” central. O topo do poste está a mais ou menos 6m do chão. Veja o detalhe que os caibros ficarão apoiados no poste central, lado a lado.

Construir é dialogar, olhar, pensar, avaliar, escolher o que se quer, como se quer! Quando se coloca uma obra nas mãos de uma empresa, sim, se tem a obra rápida, mas as escolhas cotidianas, detalhes, possibilidades nos fogem das nossas mãos! Fazer esta casa tem sido a experiência do prazer de fazer a cada dia- ainda que lentamente. Olhar cada parede e saber o que se pensou, o que se queria… É uma escolha de VIVER a sua obra, antes de ir morar! Outra opção, outros tempos! Podemos nos dar este gosto, este tempo… Que bom!

Na foto abaixo Jorge fazendo o encaixe do caibro sobre um dos pilares do octógono.

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