Arquivo para Relatos dos caminhantes

Thiago Gonçalves do Paraná

carol-thiago-jorge.jpg

E a casa vai se firmando, entre punhados de terra e areia, esculturalmente e sem pressa. E quantas mãos vão a fazendo… e com quanta força e calma!

E há sempre tempo, de saber onde brota água e de sentar onde deita a sombra da Figueira e de ficar onde o alimento é farto e a conversa é boa..!

Assim a gente sabe, a gente senta, a gente fica. E chega a hora de partir, e a gente vai, e quer voltar…

Terra boa é assim

Mucho gusto

Abraços

Thiago

Deixe um comentário

Renata e Walfrido

No final de agosto recebemos a visita ddo Wal e da Renata. Suzana conheceu o Wal via Orkut, e ele ajudou a dar fôlego a Karen, e, realizarem o primeiro curso PDC em Curitiba com o Jorge.

Agora depois do curso, Wal e Renata vieram conviver conosco num final de semana prolongado. Esperamos que tenha sido o primeiro de muitos…

Na foto abaixo o gracioso tucano que ficou pousando, esperando Wal ir pegar a máquina no carro que estava lá na casa mãe!

tucano2.jpg

Yvy Porã tem um ar meio mágico da natureza retomando seu espaço. Uma mistura de plantas pioneiras com árvores centenárias. Do renascimento em um lugar que já tem muita história.
A permacultura se aprende na vivência.

Não só na construção orgânica ou fazendo um canteiro,
mas na convivência positiva com as árvores, ervas, flores, corujas, tucanos e outras pessoas, que animam o trabalho durante o dia e uma fogueira de noite.

wal11.jpg
Obrigado Jorge, Suzana, Cecília e André. Esperamos não ter estragado a parede.
Um grande abraço,
Walfrido e Renata.

tucano.jpg

Esta linda camélia mostra a capacidade de recuperação das plantas! O pé desta flor é uma “árvore” de 4m de altura ou mais e durante anos teve vacas e bois pisoteando suas raízes, por isso seus botões não abriam e estava coberta de Barba de Velha. Há 4 anos tiramos os bois e fomos limpando a barba de velha. De dois anos para cá as folhas verdes passaram a dominar e agora, já contamos até agora, 5 flores abertas, como esta da foto!

Deixe um comentário

Yvy Porã de plantar, de pensar, de agir

Seguindo nos Relatos dos caminhantes, aqui fica registrado a visita do Révero, em julho de 2007. Ele é  parceiro do PRONERA, educador, ator teatral. Foi uma surpresa sua vontade em ir para Yvy Porã, e mais agradável ainda foi viver o seu ânimo nestes 4 dias de trabalho.

Ao pedir seu relato, ele me devolve dizendo que a escrita não é seu forte, mas acaba nos brindando com este leve e delicioso texto.

Na foto abaixo Révero com as primeiras fôrmas da “sua parede”- a mais linda e caprichada! No primeiro dia ele e Jorge fizeram algum alicerce e colocaram as madeiras da porta de entrada…

im004054.jpg

Estar em Yvy Porã foi a concretização de uma vontade que tenho desde quando conheci a permacultura como possibilidade de vida. Foi praticar, sentir, por a mão na terra, andar no barro e se divertir… As conversas na cozinha, a amizade da Suzana e do Jorge faz sentir-se em família, como amigos de muitas estradas.

A construção da casa é um exemplo de como é possível quebrar com a lógica das grandes indústrias, do lucro, da exploração, da propaganda do desenvolvimento (que ao mesmo tempo nos afasta cada vez mais da humanidade…). Lembrei do apagão quando ficamos 3 dias sem energia elétrica em Floripa e com mais convívio humano. Não negar as tecnologias e avanços da sociedade, mas utilizar de forma racional e consciente. Um diretor de teatro chamado Grotovsky propôs o teatro pobre, ritualizado, onde cada elemento deve ser realmente necessário. A permacultura também me aponta este caminho. Ao socar a terra boa, dizemos sim! E tem um som metálico, forte, profundo… ritualizado também.

A volta para a cidade causa um estranhamento interessante e revelador. A idéia de ter uma vida diferenciada, em espaços mais saudáveis e naturais é confrontada com o cotidiano, com o aqui e o agora. Estes dias me animaram e realimentaram o sonho de transformação e de um ideal socialista e solidário. Yvy Porã além de Terra Boa é um fruto doce que dá vontade de compartilhar.

Deixe um comentário

Yvy Porã, por Daniel Monteiro Lacerda

Fazer uma casa assim, com as nossas mãos é uma experiência e tanto… Partilhar este processo, abrindo as portas para outros que querem ver, fazer, estar é também nossa proposta. Temos tido muitos amigos ajudando, mas todos conhecidos de outras caminhadas- Rodrigo, Cecília, Revero, Mariani e Isabel, Jorge André, Tadê, Carol, Marco Aurélio…
Daniel Monteiro Lacerda é o primeiro “voluntário desconhecido”, quer dizer, o primeiro que tivemos contato apenas por mail e que veio para estar e colocar as mãos na massa! Grandes expectativas, uma certa ansiedade: como será isto?

Foi muito, muito bom! Partilhamos o tempo, o alimento, o trabalho…E pedimos um relato destes dias em Yvy Porã. Então, esta postagem é deste relato do Daniel, que depois desta vivência virou mais um grande amigo!

Na foto abaixo, Daniel e Suzana na porta da casa Mãe de Yvy Porã.

daniel-pp.jpg

No princípio foi a tinta. Eu havia recém-pintado a minha casa com a terra do meu bairro, vermelha como a do projeto da casa de Suzana e Jorge em Yvy Porã, comentei a respeito na comunidade Permacultura do Orkut e ela fez contato.Daí à ida para lá foi um pulo.

Minha passagem por Yvy Porã ilustra como o tempo é relativo. Com três dias a menos do que o previsto, seriam apenas dois dias incompletos e tanto trabalho a se fazer… Após uma noite de conversas, a primeira manhã de trabalho, eu ansioso para ver como funcionava a taipa socada, levantei cedo e fui lá conferir a dureza da parede. Bati uma, duas, três vezes, aumentando a força. É firme mesmo.

Ansioso por receber as instruções e pôr mãos à obra, fiz a “troca de turno” com o Revero. Minha ansiedade foi por terra, quando, ao dar-me as instruções, Jorge deu-me uma aula em que falava não somente da técnica, mas do modo de fazer e da filosofia da permacultura.“Observe um trabalhador rural experiente. Ele parece lento, parece não estar fazendo esforço, mas gasta o tempo e a energia necessários para cumprir sua tarefa. Ele não se cansa à toa. Conhece seu ritmo. No final do turno de trabalho ele cumpriu o dever do dia.”.

Révero passando o pilão para o Daniel

dani-revero.jpg

Falando sobre o fazer a sua casa: “Se a pessoa prefere pagar, tem à disposição bons profissionais que projetam e constroem uma bela ‘casa rústica’ com textura de taipa e acabamento perfeito em muito menor prazo. Ou então você decide que vai construir sua casa’, e a faz no tempo que der, como der, com imperfeições, diferenças na umidade e na socagem da massa…”, “Não precisa pagar 50, 100 mil para se fazer uma boa casa. É possível fazer com 5.”… “Mas essa casa só pode ser construída na zona rural; se fosse na cidade, o projeto nem seria aprovado, não receberia o ‘habite-se’, pois o uso de água pluvial e o sanitário seco fogem às normas sanitárias urbanas.”

Entendi que princípios norteadores da permacultura, como o de zoneamento, podem ser aplicados de acordo com as configurações do local e a sensibilidade dos ocupantes. Em Yvy Porã, a zona 1 do Jorge e da Suzana (residencial) se encontra vizinha à zona 5 (não-interferida), quase mescladas. Fomos visitar a reserva, onde reina uma figueira tricentenária, com seus portentosos galhos e raízes dominando o local e servindo de suporte para diversas espécies. Ao vermos como ela “constrói” seus galhos, podemos aprender sobre engenharia e arquitetura; e pela retenção de água, terra e nutrientes feita pelas raízes, aprendemos sobre manejo de solo.

Na foto abaixo, Jorge olhando a parede ao lado da porta, feita no capricho com a ajuda do Daniel.

jorge-p.jpg

 

Partilhar a companhia de Jorge e Suzana é, ao mesmo tempo, prazeroso e instrutivo. Cada conversa com eles pode render material publicável, de grande proveito para todos os que se interessam pela construção de um mundo melhor.

 

Comentários (1)