Começamos a nova etapa “conversando” com o espaço do nosso quintal, da nossa zona 1, buscando ver a vocação e onde poderia ser a nova oficina, com nova cara, nova energia! Esta construção é um espaço de 3m por 4m, ao lado de onde foi a geodésica, que virou a garagem, perto da Zona 5, protegida pela mata de ventos de sul e do sol do oeste.
Como o terreno tem um desnível natural do morro, é preciso um alicerce de elevação, para termos a piso no mesmo nível que o pátio da casa. Para este muro de elevação, decidimos usar grandes blocos de tijolo que foi retirado das paredes que sustentavam a geodésica. Na foto abaixo, a vala do alicerce e os blocos que iam sendo cortados.
Para a base da construção fizemos o alicerce ciclopeo, cavando 30cm de profundidade no solo natural, por 30cm de largura. Ali colocamos camadas de pedras grandes, intercaladas com uma massa de cimento areia na proporção 5 de areia por 1 de cimento.
Em seguida elevamos o alicerce até a altura do piso, usando para isto grandes blocos de tijolos retirados do muro demolido da geodésica. Este muro de elevação teve 20cm de largura e foi assentado com solocimento.
Sobre ele fizemos uma viga de concreto, com ferros fazendo a cinta de amarração e uma camada isolante hidrófugo, na proporção 4 de areia e 1 de cimento, e por cima fizemos uma capinha de cimento queimado.
Neste ponto colocamos os pinos de ferro onde serão colocados depois os pilares de eucalipto, como mostra a foto acima. Estes ferros servem para evitar o movimento lateral na base dos pilares. Na foto abaixo, Jorge queimando o cimento para propiciar um melhor isolamento hidrófugo.
Alicerces feitos, vamos à estrutura!
Quando cortamos os eucaliptos que usamos na Casa da Montanha, cortamos uns tantos a mais, pensando em usar talvez na Casa mãe… O que não ocorreu. Assim, tínhamos vários pilares secos e prontos para usar, apenas com o brancal danificado pelo tempo- o brancal é a parte mole de uma madeira, a parte de fora, dentro tem-se o cerne, de madeira dura, raramente atacada por algum bicho. Assim, foi preciso “descascar” o brancal, deixando as madeiras só com o cerne. Isto foi feito com o machado.
Com as madeiras preparadas, Jorge contou com a ajuda do Diego e do seu pai, Jinelsinho para rapidamente montar a estrutura dos pilares. Parece simples, pois é um “paliteiro”, mas cada pilar deve ser medido, colocado sobre o ferro, com um furo fazendo o encaixe, medir-se prumo, alinhamento, etc.
Não é apenas colocar os postes de pé… É necessários contraventar, ou seja, colocar travas formando triângulos, como mostra a foto acima. Os triângulos são peças rígidas, indeformáveis, ao contrários de quadriláteros, que podem se deformar. Também já colocamos travas de madeira a 1,90m de altura para fixar os alambrados que virão depois, já que usaremos uma técnica de construção dos panos das paredes com alambrado, palha e barro.
Estrutura feita, hora de colocar as vigas do telhado e os caibros que receberão depois as ripas para as telhas de barro. Novamente usamos madeira seca, alguns roliços inteiros, outros dois paus roliços maiores abertos ao meio com a motoserra pelas experientes mãos do Diego.
Peça por peça vamos subindo os pesados troncos roliços de eucalipto, dando o nível, medindo os beirais, para ir dando forma ao telhado.
Assim como na Casa da Montanha, o telhado se liga aos alicerces por um arame que sobe da fundação , vai grampeado às colunas, e amarrado a viga e caibro do telhado. Enfim, chegamos, em apenas 2 semanas, a ter já a estrutura pronta para receber as telhas e seguirmos na construção da nova oficina.












Olá amigos!
Tenho algumas dúvidas quanto ao Eucalipto, vocês podem me ajudar?
Se ele pode ser cimentado diratamente na estrutura ou isso pode afeta-lo com o tempo?
E posso usar eucalipto sem tratamento?
Obrigado,
Fernando
Oi, Fernando
Em geral é bom deixar que a madeira respire. Quando se enterra ou cimenta pode acontecer o apodrecimento no nível do pescoço (encontro entre a parte aérea e a embutida), sobre tudo se a madeira fica absorvendo umidade.
Nós usamos Eucaliptus citrodora que tem uma bom cerne, com mais de trinta anos de amadurecimento (o que usamos na casa da montanha tem 45 anos) e bem seca, pelo menos um ou dois anos depois de cortada. Nunca usamos madeira tratada, quer dizer envenenada, se se usa a madeira correta e corretamente ela dura muitos anos; no projeto é bom deixar prevista a substituição das peças que mostrem qualquer ataque seja de insetos ou fungos.
Abraço.
Jorge
“bons calçados e chapéu de aba larga” – taí, explicado e com ótimas imagens neste tópico, caracterizando direitinho os conselhos da postagem anterior, do “luto”.
Muito obrigado pelas dicas!