Casa da montanha segue, a cada dia mais com cara de “casa”, chegando ao final… Que certamente será um começo de muitas outras ações. Há tempos discutíamos como seria o piso. Nas discussões de bio-construção, as opções mais complicadas seguem sendo o piso e o telhado. Nossa opção deveria seguir alguns critérios como praticidade para limpar e manter, beleza e um conforto térmico (nem ser frio demais no inverno, nem quente demais no verão), além do preço, obviamente. Outro critério seguia sendo fazer coisas simples e replicáveis, independentes da indústria.
Depois de pesquisar tínhamos o desejo de fazer o cimento queimado, um piso tradicional, barato, bonito. Alguns vão perguntar se cimento é ecológico? Bem, cimento em excesso é algo impactante já que atualmente, para a sua fabricação exige-se a queima das suas matérias primas. Mas, por outro lado, para fazer o piso sobre o contra-piso, com um saco de 50kg de cimento queimado, pode-se fazer 30m² de piso, ou seja, usa-se muito menos material do que um piso de cerâmica. O grande problema é ter quem saiba fazer tal piso, uma técnica muito usada em casas do interior, com aqueles pisos vermelhões ou ocre. Como seu Zé, que está trabalhando conosco conhece esta técnica e já a fez em outros lugares, optamos, finalmente em fazer este tipo de piso, na cor amarelo ocre.

O piso de cimento queimado, ao contrário do que muitos pensam, não é feito com fogo, mas quem queima é o pó do cimento. Ele é feito quando colocamos uma camada de massa sobre o contra-piso, na proporção 4 de areia para 1 de cimento, nesta massa fresca, mas começando a endurecer, coloca-se o pó de cimento seco, como polvilhando sobre esta massa. quando ele começa a se molhar, passa-se uma colher de pedreiro, de levinho, queimando o cimento.
Para que o cimento ao contrair-se não trinque, são colocadas juntas de dilatação, que fazem desenhos e separam o piso em partes menores. Estas juntas são de materiais diferentes, podem ser de plástico, vidro, madeira. Em Yvy Porã escolhemos fazer de madeira, num desenho de teia de aranha, acompanhando o traçado original do octógono. Jorge colocou tábuas fixadas com buchas diretamente sobre o contra-piso. Na foto abaixo as tábuas colocadas esperando para começarmos a fazer o cimento queimado.

Nas áreas da lavanderia e da varanda, onde a possibilidade de ter água é maior fizemos as juntas de dilatação com tijolos refratários. Na foto abaixo as divisões do piso da varanda.

A cor exigiu muitas provas. Nossa opção foi pela cor definida pela mistura de 6 partes de cimento comum, mais 6 partes de cimento branco e 1 parte de Pó Xadrez amarelo. Isto resultou neste amarelo puxado para o ocre. Nesta foto o momento de começar a colocar o pó de cimento sobre a massa.

Depois disto, seu Zé começou o ir colocando a massa e queimando o cimento. O trabalho deve ser feito em panos intercalados, já que é preciso aliar toda a superfície com a colher de pedreiro e para isso, é necessário ter assessoa ao redor de cada pano. Como numa brincadeira de criança chamada “amarelinha” vai-se trabalhando sem poder pisar nos panos recém feitos. Na foto abaixo, o registro dp nosso piso “amarelinha”.

Brincamos com o Seu Zé de que este é um trabalho de artista, pois a hora em que ele passa a colher sobre o pó, queimando o cimento, o resultado mágico realmente é digno de uma pintura. seu Zé, com sua sabedoria, diz que é a hora do nervoso, pois se aparecerem bolhas, deve-se começar tudo de novo- não só a queima, mas tudo: retirar a massa, colocar na betoneira e começar tudo de novo…

Mas ele também viu as fotos e falou que na foto era mais bonito do que ao vivo… No que eu discordo, pois a mágica ao vivo é incrível! Na foto abaixo um detalhe deste momento…

Para documentar este processo fizemos duas filmagens que postamos aqui, que vão dando a ideia do que é fazer um piso de cimento queimado. O primeiro tem a explicação na voz do Jorge e é o registro de um dos primeiros panos a ser queimado.
O segundo, mostra outro pano sendo queimado, e o espaço como vai ficando. Também tem algum diálogo entre Suzana e seu Zé. Neste video ele explica que repete a queima 3 vezes, para chegar a cor definida e ter um piso bem lisinho e resistente, já que cimento é uma pedra em pós, e que depois da reação com a água, cura e endurece, como uma pedra.
maria de lourdes ferreira disse
estou pesquisando para fazer na minha casa ficou linso
Itamar Vieira disse
O legal da madeira é que ela teve várias utilidades neste projeto. Junta de dilatação, base para o nível do piso e estética da geometria. Foi uma excelente composição. Adorei!